Que se expliquem

A Folha mostra que o laranjal atinge quase todos os partidos, e não só o PSL, que usaram mulheres para pegar o dinheiro da cota do fundo partidário (as mulheres tinham direito a 30% do total dos fundos, que são dinheiro público).
São mais de 50 candidatas que receberam altas somas, segundo levantamento da Folha. O indício é a baixíssima votação (há candidatas com menos de 100 votos), principalmente do Pros, PRB, PR, PSD e MDB..
Algumas trabalharam para outros candidatos, mesmo recebendo muito dinheiro. Parece óbvio que apenas pegaram a verba para repassá-lo a alguém.
A reportagem mostra que o PT repassou parte do seu fundo ao Pros, aliado na campanha nacional, e que os recursos foram parar na conta de laranjas do Pros.
Que o PT explique, e logo, o que isso significa, mesmo que venha a alegar que não tinha controle sobre o uso de recursos distribuídos pelo Pros.

A ESTRELA

Muita gente ainda me pergunta porque todos os meus textos aqui na internet e os cartazes virtuais sobre as minhas rodas de conversa como pré-candidato a deputado estadual têm em destaque o nome ou a estrela do PT.
Eu respondo com uma obviedade. Ora, porque esse é o partido pelo qual sou pré-candidato a deputado estadual.
Se continuam insistindo, eu digo o seguinte: se exijo transparência dos outros, eu preciso ser transparente.
Se alguém, de qualquer partido ou ideologia, prefere não revelar o nome da sua sigla, para tentar alargar seu alcance no eleitorado, está exercendo seu direito de escolha.
Eu prefiro dizer: eu sou pré-candidato pelo partido que sofreu o golpe e que resiste bravamente ao golpe.
Eu sou pré-candidato do partido de Lula e estou disposto a ouvir todos os que combatem pela democracia plena.

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O GOLPE, OS MACHOS E AS MULHERES

Esta senhora da foto, para quem não conhece ou não se lembra, é a socióloga Eleonora Menicucci, ministra da secretaria de Políticas para Mulheres no governo Dilma Rousseff. Ouvi o que ela disse hoje no encontro Elas por Elas, organizado pelas mulheres do PT, sob a coordenação de Misiara Oliveira.
A sala estava lotada, com 300 mulheres, no Hotel Everest, e meia dúzia de homens. Estávamos lá eu, os deputados Tarcísio Zimmermann e Adão Villaverde, o vereador Marcelo Sgarbossa e mais meia dúzia de machos curiosos.
Eleonora não poupou os homens. O golpe foi machista. Os homens continuam machistas em toda parte, inclusive em casa (incluindo, claro, os de esquerda). O Congresso é machista.
Outras mulheres discursaram, entre as quais a deputada Maria do Rosário, para reafirmar que Dilma Rousseff foi derrubada por machos inseguros e frustrados que também odeiam pobres e negros.
Fiquei impressionado com a qualidade e o vigor dos discursos das pré-candidatas do PT à Câmara e à Assembleia. Todas atacaram defensores e defensoras da república do relho. A força das mulheres puxa a revitalização do partido.
Miguel Rossetto estava lá e prometeu um governo lilás. Foi o único homem a falar.
(No ano passado, Eleonora Menicucci sofreu um ataque de Alexandre Frota na Justiça. A socióloga criticou o sujeito por ter feito a apologia do estupro numa entrevista, e este pediu R$ 10 de indenização. Ganhou na primeira instância e perdeu na segunda. Com um detalhe: quem acolheu a queixa do indivíduo e condenou Eleonora por danos morais foi uma juíza chamada Juliana Nobre Correa.)

VIVA OLÍVIO

Em 2002, quando Lula foi eleito pela primeira vez, eu decidi que iria contar, pelo ponto de vista de Olívio Dutra, a história da famosa reunião de 10 de fevereiro de 1980 de criação do PT no Colégio Sion, em São Paulo.
Conversei por quase duas horas com Olívio, que era governador. A partir daquela entrevista, saí à procura. por telefone, dos outros 11 trabalhadores que lá estavam em 1980, como líderes sindicais, e assinaram a ata de criação do partido. Localizei muitos deles e contei a história em Zero Hora.
Hoje, Olívio faz 77 anos. É a grande referência entre os históricos do PT em todo o Brasil. Tenho o orgulho de cumprir mais uma etapa de reinvenção da minha vida, como pré-candidato a deputado estadual pelo PT, ao lado de Olívio Dutra.
Me lembro muito bem daquela conversa de 2002, mas me lembro mais ainda do que ele me passou do espírito do PT. É esse espírito que Olívio mantém vivo.
Não há saída fora da política. Não há democracia sem a vitalidade de líderes da estatura de Olívio. E aprendo todos os dias com Olívio que não há democracia com Lula preso.
Publico esta foto de Olívio ao lado do seu grande amigo Paulo Pacheco, um dos combatentes pela democracia que mais admiro. Assim homenageio os dois. Pachecão, por acaso, é meu sogro e líder do PT em Belém Novo.
Parabéns, Olívio, pela capacidade de continuar inspirando a resistência.
#LulaLivre

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SOU PRÉ-CANDIDATO A DEPUTADO 

É cômodo ser militante da democracia, dentro de um partido, com suas virtudes, seus defeitos e seus conflitos, em tempos de calmaria. Eu decidi cumprir agora – em tempos de afronta às liberdades e de disseminação do fascismo sob as mais variadas formas – o projeto de participar da militância partidária.

É este ambiente que me mobiliza a ser pré-candidato a deputado estadual pelo PT do Rio Grande do Sul, no ano em que o maior líder popular do país foi encarcerado.

Se Lula resiste como candidato à presidência, mesmo sendo prisioneiro político, por que eu em liberdade não me submeteria ao desafio de ajudar a defender sua história e o muito que ele ainda tem a fazer pelo país?

Sou um interiorano que virou jornalista aos 17 anos. Um fronteiriço que nasceu em Rosário do Sul, passou infância e adolescência no Alegrete e virou adulto em Livramento.

A Fronteira é minha referência de vida. Mas também vivi em outras cidades. Estabeleci fortes laços com gente de São Borja, Bento Gonçalves e Ijuí. Meus dois filhos são de Ijuí.

Trabalhei em 10 veículos da imprensa do Estado. Iniciei na Gazeta de Alegrete e passei por A Plateia, de Livramento; Folha de São Borja, O Semanário, de Bento Gonçalves; Correio Serrano, Rádio Progresso e Cotrijornal, de Ijuí; Companhia Jornalística Caldas Júnior; O Interior, da Fecotrigo; e Zero Hora. Nos últimos dois anos, tenho sido colaborador, como colunista, do jornal Extra Classe e mantenho o blogdomoisesmendes.

Pretendo levar para a política de representação a coerência do que fiz no jornalismo. A atuação no parlamento estadual pode ser pautada não só por temas regionais, mas também pelas grandes questões do país, em todas as áreas.

Quero orientar meus compromissos com a democracia em seu sentido mais amplo, e não só como retórica. É missão essencial da política combater todas as manifestações de racismo, de xenofobia e de homofobia.

Não há democracia sem servidor público fortalecido e sem a preservação dos serviços e do patrimônio públicos e das expressões da cultura com apoio do Estado.

A defesa das liberdades e das diferenças deve ser real, efetiva. Não há democracia sem uma estrutura de comunicação que se apresente como contraponto à superestrutura da mídia hegemônica. Quero participar de um projeto que complete e amplie a ideia de resgate da TVE, da FM Cultura e de todo o sistema de comunicação destruído pelo atual governo. E que se agregue ao que já é feito nas iniciativas de comunicação comunitária.

Quero estar ao lado dos sindicatos, dos pequenos agricultores, dos ambientalistas e dos militantes cotidianos da democracia.

Me entusiasma a possibilidade sempre presente de ser confrontado com minhas ideias e minhas ações. Me desafia o compromisso com a reparação de eventuais contradições e conflitos entre o que eu digo e o que eu tenho feito como jornalista. Mas asseguro que nenhum projeto artificial de marketing político vai mudar o que sou.

Nunca pretendi ser neutro no jornalismo. Fiz militância como jornalista pela defesa de bens essenciais de todos nós. Por isso meu slogan é Jornalista de Palavra. Mesmo na política, não deixarei de ser jornalista de opinião e não deixarei de escrever.

Me sinto honrado de estar ao lado de Miguel Rossetto, pré-candidato ao governo do Estado, de Paulo Paim, pré-candidato à reeleição ao Senado, e dos nomes que serão apresentados aos parlamentos estadual e federal. Me sinto forte por estar ao lado de jovens e mulheres fortes.

Estou no partido que construiu governos populares e por isso mesmo enfrenta a avassaladora reação ultraconservadora. Estou no partido dedicado integralmente ao resgate da democracia plena depois do golpe de agosto de 2016. Reafirmo que meu candidato à presidência é Lula.

Quero ter a inspiração dos que resistem às ameaças da barbárie, para que o Rio Grande não seja nunca a república do relho. O Rio Grande deve ser a República das liberdades, do diálogo, do respeito e das diferenças. Foi o que sempre me mobilizou no jornalismo e vai me orientar na atuação política.

Quero estar ao lado dos que resistem. Os valentes são todos vocês, os militantes da democracia. Tenho a certeza de que estou do lado certo.
#LulaLivre

OS FOFOS E O PT

O jornalista fofo é um torcedor que não pode torcer publicamente por quem orienta sua conduta. Ele apenas pode torcer contra alguém ou alguma coisa.

O fofo tem um time para chamar de seu (já foi o time do Aécio), mas se constrange de dizer para quem torce. O grito de guerra do fofo é um grito abafado pela censura da própria consciência.

Então, resta a ele ser um torcedor contra, como anti-PT que é, anti-Lula, antiesquerdas. O jornalista fofo que embarcou no golpe é um ser atormentado pela própria opção.

Ele não pode dizer que está com Alexandre Frota, Lobão, Janaína Paschoal, Bolsonaro, Zezé di Camargo. Muito menos com Lobão, Regina Duarte, Ronaldo Nazário, Suzana Vieira. Mas sabe que essa é a sua turma.

E uma das coisas mais batidas pelo jornalista fofo, como torcedor do contra, é o fim do PT. O fofo viva repetindo que o PT acabou. Pois o DataFolha divulga hoje que 20% dos eleitores entrevistados pelo instituto têm simpatia pelo partido. Os outros partidos têm quase nada.

Antes da prisão de Lula, a simpatia pelo PT era de 19%. Os partidos da turma dos jornalistas fofos estão muito mal. O PMDB tem 4% e o PSDB tem 3%.

Mas o jornalista fofo continuará dizendo que o PT chegou ao fim. O fofo acredita até na interpretação do DataFolha para o crescimento da simpatia pelo PT. Segundo o instituto, isso aconteceu como “reflexo da impopularidade do governo Michel Temer”.

Entenderam? O PT teria conquistado mais adesões porque o jaburu é impopular.

O jornalista fofo vai repetir a explicação, fazendo cara de sério. Porque o fofo é aquele que repete quase todos os dias: “Eu concordo com o Merval”.

O lugar certo

Pego a estrada daqui a pouco para ver e ouvir Lula no ginásio municipal de São Leopoldo. Vou como cidadão, como jornalista e como filiado do PT. Me filiei hoje por entender que não há salvação para o Brasil sem a restauração da democracia. E não haverá nunca democracia sem partidos.

Fui acolhido pelo partido que sofreu o golpe e a ele resiste bravamente. Não há como reconstruir a democracia sem o PT. Por isso me engajei e me sinto remoçado. Gosto desta foto do Demilson Fortes, ao lado de Raul Pont, Tarcisio Zimmerman e Adão Villarverde, em que estou com petistas que respeito, entre os quais muitas mulheres, e que foram me receber. A maioria eu nunca tinha visto.

Alguns dirão: ah, mas um jornalista vinculado a um partido? Esse espanto geralmente é manifestado pela direita. Pois eu revelo agora que fui, na ditadura, filiado ao PMDB. E já era jornalista.

Sempre fui, sem frescuras e escamoteios, um jornalista de esquerda. Assumidamente de esquerda. O que fiz foi apenas formalizar a adesão a um partido decisivo para as esquerdas e para que o golpe seja derrotado.

Me filiei por Lula, por Dilma, pelos que resistiram e continuam resistindo e pelos que tombaram na resistência. Estou no lugar certo.

Aos jornalistas-fofos-militantes-do-golpe que estranharem, faço um apelo para que não se constranjam. Filiem-se aos seus partidos, como eu fiz na ditadura e faço agora de novo. Eu não vou achar estranho.

 

A arapuca colegial de Sérgio Moro para Tarso Genro

São interessantes os diálogos do juiz Sérgio Moro com o ex-governador Tarso Genro. Tarso participou de audiência em videoconferência de um dos processos contra Lula, o do famoso caso do tríplex do Guarujá, e o juiz ficou um bom tempo tentando saber sobre a refundação política do PT.

Moro perguntou a Tarso, testemunha de Lula, se o partido tinha punido envolvidos em corrupção e se, no projeto de “refundação e renovação” (ele usa as palavras), voltaria a punir. Pareceu interessado em avaliar e julgar os códigos de conduta moral do partido.

Tarso vem se dedicando há muito tempo a esta reflexão e deve ter gostado da conversa. Disse que corruptos devem ser punidos, em todos os partidos, e que o PT faz isso.

Achei boa a intervenção do advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, que invariavelmente deixa Sérgio Moro desconfortável. Como o juiz estava muito interessado no PT, o advogado saiu-se com essa:

— Vossa excelência, na verdade, não está julgando o PT e nem questões de natureza político-partidária.

Que poder de síntese de Zanini. Por que um juiz deveria se meter em eventuais julgamentos internos de um partido, se ele está julgando uma pessoa em um processo específico? (ou não?)

Moro teve a pretensão de criar uma armadilha para Tarso. Esta foi a arapuca, meio simplória, meio colegial: se Lula for condenado, esse PT que pretende se refundar também vai condená-lo?

Agora, vamos esperar as perguntas espertas do juiz Sergio Moro para o pessoal do PSDB.

O aniversário do PT

Em janeiro de 2003, saí à procura dos fundadores do PT, dos que assinaram a ata da reunião do dia 10 de fevereiro de 1980, no Colégio Sion, em São Paulo. E escrevi sobre suas lembranças de um projeto que estava chegando ao poder com a posse de Lula.

Olívio Dutra era um dos 12 que assinaram a ata e o manifesto de criação do PT. O outro gaúcho era Lourin Martinho dos Santos, líder dos operários da construção civil, que não fez carreira política. Localizei a maioria dos fundadores pelo telefone – quase todos militantes do sindicalismo urbano ou rural.

Contei essa história quando o PT fazia 23 anos e muitos de seus líderes ainda arrastavam sandálias. Hoje, o partido faz 37 anos sob ataques de todo lado. Dentro e fora de casa. Nenhum outro partido, nem o Partidão, se açoitou tanto na história brasileira.

A idade do PT é a de quem sabe que já deveria ter vencido indecisões, mas que às vezes não se reconhece na trajetória percorrida e vacila quanto à própria maturidade. Reavaliar-se é um mérito do partido, coisa que a direita, sem lastro teórico no Brasil que a sustente como ideia, nunca conseguiu fazer.

Não fui e não sou ligado ao PT. Mas sei que um partido com seu perfil merece ser salvo do inchaço, dos pragmatismos às vezes oportunistas e às vezes ingênuos, dos descaminhos dos que se corromperam, dos erros como governo e da ilusão fatal de que poderia sentar-se com os que um dia iriam comandar o golpe. Os petistas e as esquerdas superestimaram a capacidade da direita de aceitar derrotas e se submeter à democracia.

Nomes que conseguiram preservar suas histórias e suas reputações merecem, por obstinação, perseguir uma nova chance para o PT. Coisa que PSDB e PMDB, tatuados como golpistas, não merecem mais.

Adesistas

A porção adesista do PT, que vai aparecer na foto ao lado de Eunício Oliveira na presidência do Senado, passa a ser cúmplice não só do PMDB, mas de todos os golpistas de agosto.
O PT adesista, que negociou apoio a um dos coronéis do Congresso (e denunciado por delatores da Lava-Jato), em troca de lugar na mesa do Senado, mergulha na mesma lama em que chafurdam os apoiadores do Jaburu, o pato da Fiesp e seus satélites.
Em nome de espaços políticos num Congresso falido e de um pragmatismo de terceira categoria, o PT adesista ajuda a legitimar, no Congresso, no Jaburu e na Avenida Paulista, o poder dos que derrubaram Dilma.