As escolas do Rio ficam agora à espera do bom jornalismo (e da ciência política) para que se compreenda a dimensão da trincheira que criaram na resistência democrática. E que resistência.
O que se viu na Sapucaí é a arte popular tentando sobreviver ao avanço do moralismo neopentecostal e da extrema direita aliada aos milicianos, porque tudo está misturado. Não é gente de esquerda. É gente tentando dar sobrevida à expressão da sua alma.
Parece meio doido que a cidade da maior festa popular do planeta tenha que dizer ao próprio prefeito corrompido e corruptor do fundamentalismo político-religioso: nós, o povo, o elegemos, mas nós resistiremos a esse erro.
É um paradoxo, porque o eleitor de Crivella e dos Bolsonaros também está ali naquele ambiente difuso e gasoso. As escolas conseguirão enfrentar o bolsonarismo, afrontado este ano de todas as formas na Sapucaí? E sem falar dos blocos de rua.
Repórteres que sabem tudo sobre as perucas da Bruna Marquezine estão desafiados.
Que nos digam logo como as escolas se armaram para resistir à tentativa de revanche da direita, da extrema direita, do militarismo, do fundamentalismo e das milícias, inclusive as ditas religiosas.

A foto do Crivella

Ainda tem gente vibrando (principalmente a esquerda carioca) com o retrato do Crivella fichado pela Polícia em 1990, que saiu agora na capa da Veja. É uma bobagem. E ainda há todo um debate jurídico sobre a ilegalidade da foto.
Crivella tem outros delitos, mais recentes, que merecem abordagem. Um retrato antigo, sobre a participação do indivíduo na desocupação de um terreno da Universal há 26 anos, não vale nada.
Eu quero ver na capa da Veja a foto de um tucano preso. Se um tucano for preso e aparecer na capa da Veja, eu faço o que se chamava antes de assinatura perpétua da revista.
Se acontecer, eu leio na Veja até os textos com 20 adjetivos por parágrafo de autoria do Augusto Nunes.