A cocaína, Janot e o homem-mosca

Questões para uma quarta-feira em que o Supremo pode armar a grande gambiarra para salvar Sergio Moro e Deltan Dallagnol:

Por que Eduardo Bolsonaro teme o depoimento de Manoel Silva Rodrigues, o sargento da cocaína, na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, presidida pelo próprio Bolsonaro? O que o sargento pode dizer que o filho de Bolsonaro não quer ouvir?

*******

O que Diogo Mainardi, o homem-mosca, o laranja da Globo para atacar Lula, tem a dizer sobre a declaração de Luiz Henrique Molição à Polícia Federa de que o site O Antagonista comprou informações dos hackers que tentaram envolver Dias Toffoli em corrupção?
Mainardi, todo mundo sabe, é o subgerente do Antagonista, o porta-voz de Sergio Moro e dos lavajatistas. O site largou uma nota, mas quem deve falar é Mainardi, que acusava o Intercept de ter pago os mesmos hackers, envolvidos também no caso do Telegram dos palestrantes de Curitiba.

********

O Globo publica editorial hoje atacando Lula. O grupo Globo não conseguiu derrubar o jaburu, não consegue derrubar Bolsonaro e agora se volta de novo contra Lula.
Como a Globo não consegue nem mesmo achar o Queiroz, fica fácil participar da farsa para tentar tirar Lula à força da masmorra de Curitiba. A Globo não enfrenta nem o Carluxo.

*********

Não há mais dúvidas de que o livro de Rodrigo Janot é uma tentativa de livrar o ex-procurador-geral do julgamento dos crimes da Lava-Jato.
Janot empurra todas as barbaridades de Curitiba para cima de Deltan Dallagnol. O procurador era o sujeito sem escrúpulos, que agia sem controle.
Mas Janot não era o chefe de Dallagnol? Não. Janot deixa claro também que o superior de Dallagnol era Sergio Moro.

*********

O Supremo decidiu que réus delatados têm o direito de falar por último nos processos em que também há réus delatores.
Mas… Mas, mas. Mas talvez, no entanto, quem sabe não seja bem assim. Vão decidir hoje.
Se o réu não reclamou antes para falar por último, não há nada há reclamar agora. É o que pode ser decidido hoje. E aí? Aí Lula fica de fora.

*********

Com Toffoli, com Fux, com Gilmar Mendes, com quem for, Flávio Bolsonaro não perde uma.

O FILME DO LIVRO

Perguntam se já li o livro de Rodrigo Janot. Eu faço como seu Mércio. Acho que as entrevistas do Janot são melhores do que o livro.
Eu e seu Mércio vamos esperar o filme sobre o livro, que será dirigido pelo José Padilha, aquele que troca tudo e manipula a História de acordo com o gosto e os mecanismos da direita.
Seu Mércio me conta:
– No filme, é Lula quem tenta matar, não Gilmar Mendes, mas todo o ministério de Bolsonaro. Lula foge da cadeia, invade uma reunião ministerial e começa a jogar livros sobre as cabeças dos ministros.
Seu Mércio faz uma pausa, antes que eu pergunte se Lula consegue levar adiante seu plano, e continua:
– Lula mira na cabeça de cada um e joga o livro. Depois de jogar mais de 50 livros de todas as áreas, todos caem mortos.
O objetivo é jogar os livros na cabeça, para que dali atinjam o cérebro.
Eu insisto: todos morrem no filme do Zé Padilha?
E seu Mércio completa:
– Todos morrem com os tiros de livros, menos o Bolsonaro e o Abraham Weintraub, porque Lula não conseguiu descobrir onde estão localizados os cérebros deles.

JANOT NÃO MANDAVA EM DALLAGNOL

Pela sequência de informações divulgadas sobre o livro de Rodrigo Janot, fica cada vez mais evidente que o procurador-geral não mandava na sua turma de Curitiba.
Deltan Dallagnol fazia tudo, inclusive desafiar as ordens de Janot, para corresponder às expectativas de Sergio Moro.
Janot, que deveria ser o chefe de Dallagnol, era manobrado pelo procurador que pretendia ficar rico fazendo palestras.
Está no livro que Dallagnol foi quem inventou, desafiando uma ordem em contrário de Janot, a história do power point em que Lula é apresentado, sem provas, mas com convicções, como chefe de uma quadrilha.
Janot, um líder que não mandava em ninguém, é o maior acusador da falta de escrúpulos de alguém que deveria ser seu subordinado.
Janot condena Dallagnol publicamente. O procurador só irá se safar se contar com a proteção corporativa do Conselho Nacional do Ministério Público.
Dallagnol era uma aberração funcional, segundo o homem que pensou um dia em matar Gilmar Mendes.

O LIVRO DE JANOT

Repórteres do The Caverá Times apuraram que, no livro de Rodrigo Janot, a ser lançado em breve, a versão do episódio envolvendo Gilmar Mendes seria outra.
Janot entra no Supremo, dispara em direção a Mendes, erra e acerta na peruca de Luiz Fux. O ministro se atira para o lado e cai sobre um prato de mingau de Edson Fachin.
Gilmar Mendes consegue sacar e faz cinco disparos, mas Janot foge pela porta dos fundos, tendo a cobertura de Deltan Dallagnol, que dispara mensagens para Sergio Moro pelo celular.
Quando Janot e Dallagnol correm para a rua, ouve-se o grito de Gilmar Mendes:
– Cretinos, facínoras, fanáticos, quadrilheiros.
Janot tropeça e cai na calçada. Descobre-se então, porque a cabeleira branca se desgruda da cabeça, que também ele usa uma peruca.
– Ohhh – diz Carmen Lúcia, que tenta falar algo, mas não consegue.
Celso de Mello a socorre e procura traduzir seu desespero, mas também não vai adiante, porque o latim de Carmen Lúcia é confuso.
A partir daquele momento, em sessão convocada com urgência por Toffoli, o Supremo passa a discutir sobre quem sacou primeiro, se Janot tinha o domínio do fato, se Dallagnol era cúmplice ou apenas acompanhante e se Lula tinha algum envolvimento.
O caso seria da primeira turma, que passa para a segunda, mas depois é remetido ao plenário. Luis Roberto Barroso pede vistas e fica com o processo engavetado até hoje.
O livro de Janot vai contar como Rosa Weber conseguiu ficar de fora da confusão, porque em alguns momentos estava com Mendes e em outros com Janot, mas sempre com plena convicção.
O nome do livro de Janot é O dia em que quase matei Gilmar Mendes. O prefácio é de Sergio Moro, que apresenta o livro como uma biografia.

Quem mais?

Só Rodrigo Janot andava armado e pronto para matar um desafeto?
Quem mais da Lava-Jato circulava ou ainda circula com revólver na cintura?
Quantos mais, além de Gilmar Mendes, foram salvos pelo acovardamento do aprendiz de assassino?
Quem um dia irá contar todas as barbaridades dos que Mendes define como os fanáticos de Curitiba?

Janot e seus fanáticos

É pesada, sarcástica e literária a nota que Gilmar Mendes distribuiu à imprensa a respeito da revelação de Rodrigo Janot de que pretendia matá-lo com um tiro. Essa é a íntegra do texto em que Mendes debocha do chefe da Lava-Jato:

“Dadas as palavras de um ex-procurador-geral da República, nada mais me resta além de lamentar o fato de que, por um bom tempo, uma parte do devido processo legal no país ficou refém de quem confessa ter impulsos homicidas, destacando que a eventual intenção suicida, no caso, buscava apenas o livramento da pena que adviria do gesto tresloucado. Até o ato contra si mesmo seria motivado por oportunismo e covardia.
O combate à corrupção no Brasil — justo, necessário e urgente — tornou-se refém de fanáticos que nunca esconderam que também tinham um projeto de poder. Dentro do que é cabível a um ministro do STF, procurei evidenciar tais desvios. E continuarei a fazê-lo em defesa da Constituição e do devido processo legal.
Confesso que estou algo surpreso. Sempre acreditei que, na relação profissional com tão notória figura, estava exposto, no máximo, a petições mal redigidas, em que a pobreza da língua concorria com a indigência da fundamentação técnica. Agora ele revela que eu corria também risco de morrer.
Se a divergência com um ministro do Supremo o expôs a tais tentações tresloucadas, imagino como conduziu ações penais de pessoas que ministros do Supremo não eram. Afinal, certamente não tem medo de assassinar reputações quem confessa a intenção de assassinar um membro da Corte Constitucional do País.
Recomendo que procure ajuda psiquiátrica. Continuaremos a defender a Constituição e o devido processo legal.”

JANOT DETONA DALLAGNOL E ADMITE: DENÚNCIA CONTRA LULA ERA FURADA

Rodrigo Janot diz, na entrevista que concedeu a Policarpo Junior e Laryssa Borges, de Veja, sobre o livro que irá publicar, que uma das denúncias da força-tarefa contra Lula (ele não diz qual) era furada.
Ele era o chefe do Ministério Público, como procurador-geral. Era quem deveria mandar em Deltan Dallagnol. Mas não tinha o controle das ações da turma chefiada pelo procurador que pretendia ficar rico fazendo palestras.
Janot se arrepende de ter dado autonomia para que Dallagnol fechasse as delações premiadas, porque eram mal feitas. E defende Sergio Moro, oferecendo munição a quem acha, pelo conteúdo das mensagens vazadas pelo Intercept e pela Folha, que o juiz era quem de fato mandava em Dallagnol.

Ficou ruim para Janot. Veja a pergunta e a resposta:

Desde que o site The Intercept Brasil divulgou as primeiras mensagens captadas ilegalmente dos celulares dos integrantes da força-tarefa da Lava-Jato, travou-se um debate sobre o grau de isenção dos investigadores e do então juiz Sergio Moro. Janot diz que até desconfiou das intenções de alguns colegas, mas que elas não chegaram a contaminar o trabalho

“No início da operação, a força-¬tarefa de Curitiba pediu que eu delegasse a ela o direito de fechar as primeiras colaborações premiadas. Deleguei e me arrependi. As delações do Paulo Roberto Costa e do Alberto Youssef estavam muito rasas. O primeiro inquérito contra o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, também estava muito ruim. Questionei a respeito. Recebi como resposta que o objetivo deles era ‘horizontalizar as investigações, e não verticalizar’. Achei estranho. Determinadas decisões poderiam estar sendo tomadas com objetivos políticos? Os procuradores decidiram, por exemplo, denunciar o ex-presidente Lula por corrupção e lavagem de dinheiro e, no caso da lavagem, utilizaram como embasamento parte de uma investigação minha, que eu nem tinha concluído ainda.

(Janot não esclarece em que processo, mas pode ter sido no caso do sítio de Atibaia.)

Mas não houve nenhum complô político. Depois que o Sergio Moro aceitou o convite para assumir o Ministério da Justiça no governo Bolsonaro, voltei a refletir sobre o assunto. Como juiz, ele fez um trabalho técnico, benfeito. Até agora, do que apareceu dessas conversas do The Intercept, no máximo pode haver algum questionamento de caráter ético na condução do processo, algum questionamento sobre imparcialidade. Mas tecnicamente não vi nenhuma contaminação de provas.”

O interessante é que a entrevista não aborda, em nenhum momento, as questões éticas envolvendo Dallagnol, o subordinado de Janot em Curitiba. Ou o procurador seria subalterno de Moro?

O PLANO DE JANOT PARA MATAR GILMAR MENDES

Em maio de 2017, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pegou uma arma e foi ao Supremo para matar Gilmar Mendes e depois se suicidar.
É o horror de tempos de lavajatismo contado em reportagens do Estadão e de Veja que antecipam detalhes do que será narrado em um livro de Janot.
É também uma amostra do que pode acontecer a qualquer momento, agora num ambiente ainda mais surtado pelo bolsonarismo.
Abaixo, os dois links, das reportagens do Estadão e da Veja:

https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,janot-ia-ser-assassinato-mesmo-ia-matar-ele-gilmar-e-depois-me-suicidar,70003026931?fbclid=IwAR35tzgVsZz45EaIYVJDB3BF2QVvOADFlLJzEOA-EOvSDZsuZVjykruWwII

https://veja.abril.com.br/politica/janot-gilmar-ia-dar-um-tiro-na-cara-dele/?fbclid=IwAR3RToB3jKTWUdaAKf-v6EdAn-hqB9eofGgx4KODwOpOJnXalKatAfApZl4

FALE, RAQUEL DODGE

Deltan Dallagnol, o procurador sem escrúpulos, oferece mais argumentos para que sua chefia saia do silêncio. As mensagens que o site do El País divulgou hoje, com ataques e comentários depreciativos de Dallagnol à procuradora, tirariam qualquer liderança do sério e do imobilismo.

Saberemos logo se irão abalar o silêncio obsequioso de Raquel Dodge, a procuradora que até hoje nada comenta sobre nada, que aguarda um sinal de que Bolsonaro pode passar a cortejá-la para a recondução à Procuradoria-Geral da República e que se mostra incapaz de arbitrar, por prerrogativa, por liderança, por imposição hierárquica, as ações da sua turma em Curitiba.

Dallagnol diz nas mensagens que não confia na chefe, porque ela atrasa acordos de delação. Sente saudade de Rodrigo Janot. Planeja (talvez tenha feito) usar a tática de plantar notícias na imprensa contra a procuradora. E estimula os colegas a debocharem da autoridade que deveria chefiá-los.

Dallagnol sempre teve pressa para agir contra Lula, e Raquel parecia não acompanhar o ritmo da força-tarefa. A procuradora não irá gostar de ler o que El País publica.

Raquel Dodge teve um encontro recente com Dallagnol e mandou recados à imprensa, dizendo que ainda confia no subalterno. Com as mensagens divulgadas agora, pode continuar afirmando a mesma coisa, o que não causaria nenhuma surpresa.

Curitiba era e talvez ainda seja um ninho de cobras. Está claro nas mensagens anteriores, também divulgadas, pelo El País, que Dallagnol não tinha a confiança de muitos procuradores.

Alguns deles demonstravam constrangimento com as atitudes de quem deveria ser o chefe da força-tarefa (sabemos agora que o chefe de fato era Sergio Moro), principalmente pela avidez com que Dallagnol tratava as conversas sobre palestras pagas.

Os procuradores desconfiavam de Dallagnol, que desconfiava de Raquel, envolvida, segundo ele, numa aproximação demasiada com Gilmar Mendes, para quem sabe virar ministra do Supremo.

Lembremos que Dallagnol não teve o apoio de Raquel para abocanhar os R$ 2,5 bilhões da Petrobras que seriam destinados à fundação que, dizia ele, iria ajudar no combate à corrupção. Até hoje essa história não foi bem contada.

Com as novas mensagens, Raquel Dodge terá de falar, ou prolongará um silêncio que retumba em Brasília e poderá consumir o que resta da sua autoridade.