Soltos

O doleiro Lúcio Funaro já havia alertado à Polícia Federal e voltou a dizer que teme por sua família por causa das frequentes telefonemas de Geddel Vieira Lima para a sua mulher, Raquel Pitta.

Funaro disse que Geddel (preocupado com a possível delação do doleiro, que está preso) dá a entender, nos telefonemas, que sua família está sendo monitorada. Funaro é cúmplice do ex-ministro amigo do jaburu, ele enviava malas com dinheiro para Geddel.

Mais uma. Aécio Neves foi grampeado dizendo que uma mula (por acaso, seu primo Frederico Medeiros) iria pegar a mala com o dinheiro enviado por Joesley Batista porque a sua escolha para a tarefa tinha um componente decisivo.

A mula que acabou pegando a mala poderia, se fosse caso, ser apagada depois, antes que os delatassem. Foi o que disse Aécio. Está gravado.

Geddel fazia ameaças à mulher do doleiro. E Aécio avisou que poderia mandar matar o primo-mula que o incomodasse. Os dois estão soltos, sem tornozeleiras.

Mas o juiz Sergio Moro chegou a pensar em prender Lula, que não ameaçou ninguém e que não tem nenhuma mala.

Moro pode dizer que não tem nada a ver com os casos de Geddel e Aécio. E não tem mesmo. Moro só tem se envolvido com casos que possam comprometer Lula, Dilma e o PT.

 

O salvo-conduto do tucano da mala

No discurso que fez ontem no Senado, para dizer que caiu na armadilha da mala de Joesley Batista, Aécio já saiu avisando que não permitiria apartes.
Os golpistas conseguem tudo, com o aval da mesa do Senado, para impor seu modo de exercer e controlar a democracia. E o jornalismo que apóia essa gente acha normal.
Aécio gosta de questionar sobre pedaladas, mas não quer ser questionado como o dono da mala. Em uma das sessões do interrogatório de Dilma no Senado, antes do golpe de 31 de agosto, ele foi um dos inquisidores mais debochados.
Em determinado momento, o tucano da mala disse a Dilma que não era um derrotado vingativo e afirmou: “Vossa Excelência usa os votos que recebeu como justificativa para os atos que tomou. O voto não é salvo-conduto”.
Ontem, sem incômodos, sem perguntas, rodeado de cúmplices, o sujeito da mala falou da tribuna do Senado com o salvo-conduto dos seus amigos no Supremo.

A FANTÁSTICA HISTÓRIA DE AÉCIO

Eis o discurso do retorno de Aécio ao Senado. Pule o começo, marcado pela respiração ofegante, e vá logo para a parte em que o mineirinho fala das armadilhas de Joesley (a partir do trecho 6.17). Vá até os 8 minutos, porque depois o lero-lero só aumenta.
Ao falar que caiu na arapuca do homem da JBS, Aécio admite que procurou um criminoso confesso que, segundo ele, poderia ser condenado a mais de 2 mil anos de cadeia.
Aécio estava sem dinheiro e tentaria vender um apartamento, através da irmã, ao criminoso. A irmã era a intermediária.
Joesley cometeu mais de 200 crimes, disse o tucano. Mas Aécio até então não conhecia a “face delinquente” do homem que poderia comprar o imóvel da família.
Depois, como o negócio não deu certo (e Aécio admite ter oferecido o tal apartamento a pelo menos “outros quatro empresários brasileiros’), o criminoso propôs então ao tucano o tal empréstimo de R$ 2 milhões. E foi aí que o mineiro esperto caiu na armadilha da mala.
Aécio subestima a inteligência média de todos nós. Com crédito em todos os bancos, com jurinho camarada dos amigos banqueiros, foi pegar ‘empréstimo’ em mala do perigoso criminoso da picanha vencida.
Não desconfiou nem da numerologia? O homem de 2 mil anos de cadeia lhe oferecendo R$ 2 milhões de barbada…
Só pela discurso-deboche de hoje, Aécio deveria ter sido afastado de novo do Senado. Janot queria que ele estivesse na cadeia. Mas Janot não tem flecha para pegar o tucano protegido pelos ministros do Supremo.

Mega-Sena

Foi sorteado hoje à tarde mais um inquérito em que Aécio é réu no Supremo, desta vez por recebimento de propina na eleição de 2010 em Minas.
Adivinhem quem foi o ministro sorteado? Quem acertar ganha uma tornozeleira para doar ao próximo preso da facção do jaburu.
A tornozeleira será depois customizada, de acordo com o modelo da canela e o jeito de ser do cliente.

Ó, maninha, sem tornozeleira

Aécio disse em discurso de retorno ao Senado agora há pouco que caiu numa armadilha de Joesley Batista.
Contou que Joesley, ardiloso, lhe sugeriu: me peça R$ 2 milhões para pagar os advogados que vão defendê-lo (mesmo que todo mundo saiba que essa é uma conversa fiada).
E eu, continuou Aécio no discurso, caí na armadilha e pedi o dinheiro, que era tudo que ele queria que eu fizesse.
Fui ingênuo e caí na tentação de pedir um empréstimo de R$ 2 milhões para um mafioso, disse Aécio de improviso e sem a ajuda de nenhuma tornozeleira.
Ao final, o senador tucano declarou, em homenagem ao ministro do Supremo Marco Aurélio Mello: vou manter e ampliar meus fortes elos com o Brasil.
No plenário, meia dúzia de tucanos do terceiro time erguia os braços e fazia coraçõezinhos com as mãos. Aécio quase foi às lágrimas.
(A única ficção deste texto é a parte dos coraçõezinhos, que acrescentei por conta para que a narrativa ficasse mais verossímil…)

O zumbi da mala

Aécio é o sujeito aquele que ressuscita e se transforma num incômodo. Todos os parentes, os amigos e os parceiros de facção o consideravam com a alma encomendada.

Mas, muito antes da missa do sétimo dia, todos falavam mal dele. E todos deletaram fotos ao lado do finado nas redes sociais. Aécio foi abandonado até pelos jornalistas amigos, que o seguiam como grande líder tucano.

E de repente o morto reaparece, com aquele seu sorriso genuíno e aquela alegria brejeira, e volta a articular as forças da social-democracia e do liberalismo golpistas no Congresso.

Aécio é o zumbi da direita. Imaginem as cenas dos parceiros fugindo pra não tirarem fotos ao lado dele na volta ao Congresso.

Pra completar, o Serra também anuncia que vem aí com toda a força. Aécio tem o atestado de bons antecedentes fornecido pelo ministro Marco Aurélio (tem forte elo com o país, tem família, é bom político, bom irmão de Andrea, bom mineiro, bom amigo do Zezé Perrella), mas o Serra terá de apresentar atestado provando que está vivo.

Andrea solta e Lula condenado?

O jornalismo que assessora a turma de Curitiba saliva e baba desde o início da semana. Pode ser anunciada a partir de hoje a sentença com a condenação de Lula.

Como não haverá surpresa, o que os não-golpistas esperam mesmo é pelos argumentos que o juiz Sergio Moro apresentará como provas do caso do tríplex do Guarujá.

Se sair hoje, a sentença da condenação de Lula terá sido emitida no mesmo dia da soltura de Andrea Neves, a irmã de Aécio Neves, e dois dias depois da decisão do Supremo de adiar o pedido de prisão do tucano dono da mala.

Moro passou os últimos dias calado, dedicado integralmente à elaboração da sua mais importante deliberação. Tanto que há horas não produz vídeos com citações de grandes nomes da História (tem gente que sente falta).

Depois desse, Lula tem mais quatro processos, mais um deles com Sergio Moro. O ex-presidente está na situação do goleiro que tem que defender cinco pênaltis em sequência, ou torcer para que alguém diga: espera aí, se ninguém bate pênaltis contra os tucanos e a turma do jaburu, suspendam esse massacre.

Como isso não vai acontecer, como os pênaltis contra Aécio, a irmã dele, Serra, os amigos de Serra e de Aécio, de Alckmin e de Fernando Henrique e contra todos os outros tucanos não são cobrados, ou são batidos para fora, Lula caminha para a condenação.

E ainda há muitas outras investigações pela frente, que nem ele sabe quantas são. Lula passará o resto da vida em audiências. O Ministério Público e o Judiciário farão com Lula o que nem os militares fizeram. Por isso tem jornalista golpista e jurista ‘liberal’ babando.

O xerife de Curitiba quer Aécio

Circula há muito tempo a tese segundo a qual a prisão de Aécio abrirá a porteira para que prendam Lula. Não há grampos de conversas secretas, não há uma mula, não há malas, há apenas uma cozinha reformada e algumas convicções contra lula.
Mas a Lava-Jato de Curitiba quer um bom pretexto para mandar Lula para a cadeia. E o melhor pretexto seria este: se Aécio está preso, Lula também pode estar.
Pois a notícia da tarde é a do procurador do powerpoint das bolinhas azuis, Deltan Dallagnol, defendendo a prisão de Aécio pelo twitter.
Agora, todo mundo quer prender Aécio, a galinha morta do PSDB, ou melhor, o tucano moribundo, que não interessa a mais ninguém. E os outros?

Muitos pariram Aécio, mas não há mais quem o embale

Aécio Neves, o sujeito que começou a crise política brasileira até o golpe de agosto contra Dilma Rousseff, não é apenas um coronel mineiro que ameaçava matar as mulas que poderiam abastecê-lo com propina.

Aécio é a expressão da direita militante, da classe média verde-amarela que batia panelas e de uma certa inteligência reacionária que via os tucanos como a promessa da mudernidade. Aécio era o queridinho da maioria da imprensa que o sustentou como bom moço há até bem pouco.

Abandonaram Aécio os que o empurraram como perdedor ressentido para a aventura de questionar a vitória de Dilma logo depois da eleição. Que o fizeram recorrer ao TSE contra as contas de Dilma-Temer. E que o transformaram em um dos líderes da campanha suja sobre as pedaladas.

A classe média conservadora, que mais do que tucana é antipetista, adorava Aécio e está compreensivelmente consternada e silenciosa. Mas que covardia explica o silêncio de intelectuais e jornalistas que o promoveram a gestor juramentado de Minas Gerais, enquanto estudos mostram que ele é, na verdade, o mais medíocre de todos os senadores?

Por que se calaram os cientistas políticos, economistas, sociólogos e outros especialistas, todos frequentadores cativos dos debates entre tucanos da Globo News, que apontavam Aécio como a única chance de redenção do Brasil?

Aécio foi denunciado por corrupção passiva e obstrução de Justiça pela Procuradoria-Geral da República. São agora oito inquéritos abertos contra o mineiro que driblava a Polícia Federal, o Ministério Público e o Judiciário.

Todos sabiam que Aécio era o chefe de uma gangue em Minas. Mas ninguém chegava perto do mineiro intocável, até que um dia apareceu o Fator Joesley.

Sem Joesley, Aécio continuaria impune, enquanto Lula é processado pela suspeita de que alguns pedalinhos e um tríplex seriam indícios de suas ligações criminosas.

Aécio já foi abandonado pelos parceiros do alto e do baixo tucanato, pela Globo e pelos intelectuais e jornalistas que ajudaram a inventá-lo.

Aécio é um traste, mas ainda em liberdade, enquanto a irmã que trabalhava a seu mando está presa em Belo Horizonte. Apesar da incompetência, ele carregava nas costas os sonhos e projetos do reacionarismo nacional. Aécio é a mula abandonada pela direita golpista.