O calhambeque e o Camaro amarelo

Aécio Neves é a manchete da Folha online agora. Está se queixando de Luciano Huck. Ele diz: se Huck for confirmado como candidato à presidência, será a falência da política. E que o sujeito apresentado como opção pela Globo precisa dizer o que pensa do país.
Huck não precisa dizer nada. Nem pensar nada. Quanto menos pensar, melhor para ele.
Huck perdeu a amizade de Aécio quando apagou das redes sociais as fotos em que aparece ao lado do mineiro. Mas todo mundo publica essas fotos de um grudado no outro.
Aécio e Huck se merecem. Mas o mais incrível é que Aécio pensa que ainda pode ser candidato a presidente. Aécio parece aqueles calhambeques de palhaço de circo (que só os mais antigos conheceram).
O calhambeque ia se desmanchando durante a apresentação, mas continuava andando, aos pedaços, até o final do show. Aécio é o calhambeque do PSDB. É uma lata velha. Huck é o Camaro amarelo da Globo.

Aécio vai dormir cedo

Aécio foi suspenso de novo do mandato de senador por decisão dos ministros da 1ª Turma do Supremo. A decisão foi por três a dois.
Os três que votaram pela suspensão: Luís Roberto Barroso, Rosa Weber e Luiz Fux. Os ministros Marco Aurélio Mello, relator do processo, e Alexandre de Moraes votaram para que o tucano permanecesse no Senado. Alguma surpresa?
Mas o Supremo negou pela terceira vez o pedido de prisão feito pelo Ministério Público. A única restrição é que Aécio se recolha cedo da noite à sua residência. Tive um aceso de riso de longa duração quando li esta parte.
Isso significa que Aécio só pode andar de helicóptero durante o dia? À noite é perigoso? Por que um sujeito acusado de corrupção e suspeito de querer mandar matar um primo-mula não pode sair à noite? Para não ser visto em bares, boates e restaurantes? Para o bem da moral e dos costumes? Para não ser flagrado no bafômetro?
O Supremo tirou o mandato e transformou Aécio em um zumbi político, mas um zumbi ao contrário, que circula durante o dia e se recolhe ao lar à noite.

Uma vaquinha para Aécio

Seu Mércio entra na ferragem como se estivesse com pressa. Diz que teve uma ideia, inspirado na história da tal milionária que pretendia doar R$ 500 mil a Lula.
Seu Mércio lembrou que Aécio pediu R$ 2 milhões emprestados a Joesley Batista porque estava sem dinheiro para pagar os advogados do processo em que é acusado de receber propinas.
Aécio, coitado, processado como corrupto, tentou e conseguiu convencer um corruptor a lhe dar dinheiro para pagar o advogado do seu rolo por causa da corrupção.
A ideia do seu Mércio é a seguinte: fazer uma vaquinha para doar uma mala-jaburu a Aécio. Uma mala-jaburu é o equivalente, como se sabe, a R$ 500 mil.
Com R$ 500 mil, Aécio paga um bom advogado. E aí perguntaram ao seu Mércio qual era a boa de ajudar o Aécio. Um mais antigo que estava por ali até perguntou: mas qual é o pó?
Seu Mércio disse que Cristo recomendou que se ajude quem precisa. Lula tem um tríplex e um sítio. Não precisa de nada. Aécio não tem nada.
Não tem helicóptero, nem fazenda, nem um aeroporto, nem a mesada de Furnas e nem mesmo um primo que sirva de mula e em que possa confiar (ou mandar matar).
E ontem, para agravar a situação, tiraram Aécio até da propaganda do PSDB na TV. Seu Mércio pegou a bicicleta e foi embora rindo sem parar.

Soltos

O doleiro Lúcio Funaro já havia alertado à Polícia Federal e voltou a dizer que teme por sua família por causa das frequentes telefonemas de Geddel Vieira Lima para a sua mulher, Raquel Pitta.

Funaro disse que Geddel (preocupado com a possível delação do doleiro, que está preso) dá a entender, nos telefonemas, que sua família está sendo monitorada. Funaro é cúmplice do ex-ministro amigo do jaburu, ele enviava malas com dinheiro para Geddel.

Mais uma. Aécio Neves foi grampeado dizendo que uma mula (por acaso, seu primo Frederico Medeiros) iria pegar a mala com o dinheiro enviado por Joesley Batista porque a sua escolha para a tarefa tinha um componente decisivo.

A mula que acabou pegando a mala poderia, se fosse caso, ser apagada depois, antes que os delatassem. Foi o que disse Aécio. Está gravado.

Geddel fazia ameaças à mulher do doleiro. E Aécio avisou que poderia mandar matar o primo-mula que o incomodasse. Os dois estão soltos, sem tornozeleiras.

Mas o juiz Sergio Moro chegou a pensar em prender Lula, que não ameaçou ninguém e que não tem nenhuma mala.

Moro pode dizer que não tem nada a ver com os casos de Geddel e Aécio. E não tem mesmo. Moro só tem se envolvido com casos que possam comprometer Lula, Dilma e o PT.

 

O salvo-conduto do tucano da mala

No discurso que fez ontem no Senado, para dizer que caiu na armadilha da mala de Joesley Batista, Aécio já saiu avisando que não permitiria apartes.
Os golpistas conseguem tudo, com o aval da mesa do Senado, para impor seu modo de exercer e controlar a democracia. E o jornalismo que apóia essa gente acha normal.
Aécio gosta de questionar sobre pedaladas, mas não quer ser questionado como o dono da mala. Em uma das sessões do interrogatório de Dilma no Senado, antes do golpe de 31 de agosto, ele foi um dos inquisidores mais debochados.
Em determinado momento, o tucano da mala disse a Dilma que não era um derrotado vingativo e afirmou: “Vossa Excelência usa os votos que recebeu como justificativa para os atos que tomou. O voto não é salvo-conduto”.
Ontem, sem incômodos, sem perguntas, rodeado de cúmplices, o sujeito da mala falou da tribuna do Senado com o salvo-conduto dos seus amigos no Supremo.

A FANTÁSTICA HISTÓRIA DE AÉCIO

Eis o discurso do retorno de Aécio ao Senado. Pule o começo, marcado pela respiração ofegante, e vá logo para a parte em que o mineirinho fala das armadilhas de Joesley (a partir do trecho 6.17). Vá até os 8 minutos, porque depois o lero-lero só aumenta.
Ao falar que caiu na arapuca do homem da JBS, Aécio admite que procurou um criminoso confesso que, segundo ele, poderia ser condenado a mais de 2 mil anos de cadeia.
Aécio estava sem dinheiro e tentaria vender um apartamento, através da irmã, ao criminoso. A irmã era a intermediária.
Joesley cometeu mais de 200 crimes, disse o tucano. Mas Aécio até então não conhecia a “face delinquente” do homem que poderia comprar o imóvel da família.
Depois, como o negócio não deu certo (e Aécio admite ter oferecido o tal apartamento a pelo menos “outros quatro empresários brasileiros’), o criminoso propôs então ao tucano o tal empréstimo de R$ 2 milhões. E foi aí que o mineiro esperto caiu na armadilha da mala.
Aécio subestima a inteligência média de todos nós. Com crédito em todos os bancos, com jurinho camarada dos amigos banqueiros, foi pegar ‘empréstimo’ em mala do perigoso criminoso da picanha vencida.
Não desconfiou nem da numerologia? O homem de 2 mil anos de cadeia lhe oferecendo R$ 2 milhões de barbada…
Só pela discurso-deboche de hoje, Aécio deveria ter sido afastado de novo do Senado. Janot queria que ele estivesse na cadeia. Mas Janot não tem flecha para pegar o tucano protegido pelos ministros do Supremo.

Mega-Sena

Foi sorteado hoje à tarde mais um inquérito em que Aécio é réu no Supremo, desta vez por recebimento de propina na eleição de 2010 em Minas.
Adivinhem quem foi o ministro sorteado? Quem acertar ganha uma tornozeleira para doar ao próximo preso da facção do jaburu.
A tornozeleira será depois customizada, de acordo com o modelo da canela e o jeito de ser do cliente.

Ó, maninha, sem tornozeleira

Aécio disse em discurso de retorno ao Senado agora há pouco que caiu numa armadilha de Joesley Batista.
Contou que Joesley, ardiloso, lhe sugeriu: me peça R$ 2 milhões para pagar os advogados que vão defendê-lo (mesmo que todo mundo saiba que essa é uma conversa fiada).
E eu, continuou Aécio no discurso, caí na armadilha e pedi o dinheiro, que era tudo que ele queria que eu fizesse.
Fui ingênuo e caí na tentação de pedir um empréstimo de R$ 2 milhões para um mafioso, disse Aécio de improviso e sem a ajuda de nenhuma tornozeleira.
Ao final, o senador tucano declarou, em homenagem ao ministro do Supremo Marco Aurélio Mello: vou manter e ampliar meus fortes elos com o Brasil.
No plenário, meia dúzia de tucanos do terceiro time erguia os braços e fazia coraçõezinhos com as mãos. Aécio quase foi às lágrimas.
(A única ficção deste texto é a parte dos coraçõezinhos, que acrescentei por conta para que a narrativa ficasse mais verossímil…)

O zumbi da mala

Aécio é o sujeito aquele que ressuscita e se transforma num incômodo. Todos os parentes, os amigos e os parceiros de facção o consideravam com a alma encomendada.

Mas, muito antes da missa do sétimo dia, todos falavam mal dele. E todos deletaram fotos ao lado do finado nas redes sociais. Aécio foi abandonado até pelos jornalistas amigos, que o seguiam como grande líder tucano.

E de repente o morto reaparece, com aquele seu sorriso genuíno e aquela alegria brejeira, e volta a articular as forças da social-democracia e do liberalismo golpistas no Congresso.

Aécio é o zumbi da direita. Imaginem as cenas dos parceiros fugindo pra não tirarem fotos ao lado dele na volta ao Congresso.

Pra completar, o Serra também anuncia que vem aí com toda a força. Aécio tem o atestado de bons antecedentes fornecido pelo ministro Marco Aurélio (tem forte elo com o país, tem família, é bom político, bom irmão de Andrea, bom mineiro, bom amigo do Zezé Perrella), mas o Serra terá de apresentar atestado provando que está vivo.