SUPREMO EXPÕE CONLUIO DE DALLAGNOL COM ADVOGADO

O julgamento do processo da prisão em segunda instância pelo Supremo está expondo de novo as muitas suspeitas em torno de Deltan Dallagnol, principalmente seu envolvimento com o advogado da partilha das causas contra a Petrobras nos Estados Unidos.

Numa jogada claramente ensaiada, Gilmar Mendes citou o caso da fundação que Dallagnol pretendia criar, e Dias Toffoli perguntou logo a Alexandre de Moraes sobre as cifras envolvidas no dinheiro que seria devolvido pela Petrobras.

Estava se referindo à indenização aos sócios minoritários, e que iria favorecer, é claro, também um advogado.

Moraes falou em R$ 2,6 bilhões e ainda observou que Dallagnol estava certo de que criaria a fundação bilionária (para combater a corrupção…) com parte da dinheirama.

O próprio Moraes e a então procuradora-geral Raquel Dodge atacaram o projeto do procurador, e a fundação foi abortada por ordem do Supremo.

Mas os sócios minoritários e seus advogados ficaram com outro tanto (algo em torno de R$ 1,3 bilhão). Gilmar Mendes citou então o advogado favorecido e que tem relação suspeita com Deltan. O homem é o já famoso Modesto Carvalhosa.

Os deputados federais Rui Falcão, Paulo Pimenta, Natália Bonavides e Paulo Teixeira, do PT, apresentaram esta semana uma reclamação disciplinar contra o procurador, para que o Conselho Nacional do Ministério Público investigue suas relações com o advogado.

Mendes referiu-se a Carvalhosa como “aquele falso professor da Universidade de São Paulo, que foi reprovado em concurso”.

“Vejam que negociata toda”, disse Mendes sobre os ganhos do advogado com a jogada de Dallagnol nos Estados Unidos.

E o ministro completou: “É preciso alertar aos agentes da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) que eles nos ensinem a fazer combate à corrupção sem corromper os agentes de corrupção”, referindo-se ao fato de que a organização estaria preocupada com a “sabotagem” sofrida pela Lava-Jato.

Dallagnol, mais do que Sergio Moro, é o saco de pancadas de hoje no Supremo.

Amigos esquecidos

A sequência de matanças nos presídios acaba por favorecer o ministro que mentiu sobre o pedido de socorro de Roraima. Como as chacinas não param, o foco sai de Roraima e vai para a degola mais recente.
Daqui a pouco ninguém mais irá se lembrar que Alexandre de Morares disse que nunca recebeu nenhum pedido de ajuda da governadora de Roraima. E recebeu. Ela fez dois pedidos desesperados em novembro.
Mas quem vai se lembrar disso, se o jornalismo amigo já esqueceu? O fim de semana e os amigos salvaram Alexandre de Moraes.
Em setembro, ele disse a um grupo de tucanos que “nos próximos dias” haveria novidade na Lava-Jato. No dia seguinte, Antonio Palocci foi preso.
Fizeram um escarcéu que durou alguns dias. O jornalismo amigo esqueceu tudo e salvou o ministro valentão.
É o que se repete agora.

Repressões

A matança nas cadeias é o grande teste para a valentia e as estratégias de Alexandre de Moraes, o ministro da Justiça do Jaburu.
Quando foi secretário de Segurança tucano em São Paulo, ele ficou famoso por acionar a repressão pesada contra os estudantes.
Aniquilar estudantes à força era uma barbada. Foi assim, com jeito de xerifão, que Moraes assumiu a Justiça e tem dado declarações de xerife, tão desastradas quanto as de seu chefe.
Seu grande projeto é, acreditem, chegar um dia ao posto que o homem do Jaburu ocupa, ou ser ministro do Supremo. Tucanos, mesmo os mais ogros e medíocres, são ambiciosos
Antes, ele terá de lidar com as feras que já cometeram, segundo seu chefe, dois ‘acidentes’ com quase cem degolas.
O tucano falastrão não tem mais apenas estudantes desarmados pela frente.