Destemidos

A deputada Maria do Rosário e o deputado Paulo Pimenta enfrentaram os invasores da Embaixada da Venezuela hoje pela manhã. Foi o que fiquei sabendo porque vi.
Num país amortecido e sob controle quase absoluto da extrema direita, a valentia desses dois merece ser exaltada. Me emocionei com o que vi hoje.
O Rio Grande do Sul, tão ultrajado pelo crescimento da extrema direita de bombacha (incluindo a direita fofa e rococó), tem a mais destemida bancada de esquerda da Câmara.

Moro não diz nada

Anotações do depoimento de Sergio Moro na Câmara.

Deputado Paulo Pimenta diante de Sergio Moro, ao acusá-lo de grampear criminosamente a presidente da República:
“O senhor, que gosta tanto dos Estados Unidos, sabe que se tivesse feito isso lá o senhor já estaria preso há muito tempo”.

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Sergio Moro não está respondendo nada. Está discursando para o bolsonarismo.
Paulo Pimenta perguntou se ele conversou com os desembargadores do TRF4. O ex-juiz não respondeu.
Moro joga de novo para a plateia das alienações e das ignorâncias. O ex-juiz ainda pensa que está com a capa do Batman, quando se sabe que nem Robin ele é mais.

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Pergunta do deputado Alessandro Molon. O senhor nega categoricamente a autoria de alguma das frases vazadas do esquema da Lava-Jato?
Sergio Moro não respondeu.
Outra pergunta de Molon ao ex-juiz.
O senhor, que aconselhou a acusação na Lava-Jato, lembra-se de também ter aconselhado alguma vez a defesa?
Moro engambelou e não respondeu.
Sergio Moro é candidato a alguma coisa. Pode até ser candidato a réu. Veremos mais adiante.

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Deputada Maria do Rosário olha para o ex-juiz e afirma:
“Preste atenção ao que eu vou dizer. O senhor vai ver julgado, mais cedo ou mais tarde.”

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O golpe continua. TV Câmara acaba de cortar a transmissão do depoimento de Sergio Moro.
A TV passa a transmitir a proposta do relator da reforma da previdência. A proposta da proposta.
Blindaram Sergio Moro. Canalhas. Mil vezes canalhas. Os milicianos mandam até na Câmara.
Tem transmissão pelo Youtube? Tem, mas quem vê TV pelo Youtube? O que importa para o grande público é a TV.
Cortaram de propósito. E não estou falando de outros meios, falo da transmissão pela TV pela TV. O nome é TV Câmara, Falo da censura da TV Câmara.

Extraviado

Ciro Gomes talvez tenha chegado perto de onde queria. Imita Bolsonaro e fala alto com Maria do Rosário.
Maria do Rosário é o alvo preferencial dos machos inseguros da direita. Ah, mas não é a mesma coisa? Não é a mesma coisa o cacete.
Ele talvez apenas ainda não esteja no estágio que espera alcançar. Mas chegará lá. Nunca se viu um Ciro Gomes tão valente e gritão ao lado de algum homem do PT.
Ciro Gomes é uma imitação de ajudante de ordens de coronel, um figurante extraviado que caiu num solavanco da cabeça do Glauber Rocha.

Gentili recebe apoio de Bolsonaro

O humor de direita no Brasil (que é o que predomina há muito tempo) morre abraçado com Danilo Gentili. É o corporativismo em defesa do cara que faz piadas para agredir mulheres e gays.
O Brasil conseguiu, desde antes do golpe, consagrar o humor reaça. Deve ser um dos poucos países do mundo em que o humorista não tira sarro do poder, mas o bajula, desde que seja de direita.
O Brasil virou o antro do humor covarde, que nunca ataca poderosos, com as exceções de sempre.
E chegou ao ponto em que Bolsonaro aplaude o humorista processado por, entre outras agressões, insinuar que a deputada Maria de Rosário é puta (tenho que escrever para que os ainda desinformados, se é que existem, saibam do que se trata).
O apoio do Bolsonaro foi a melhor piada produzida pelo Gentili, o humorista símbolo do bolsonarismo.
Um humorista receber a solidariedade de Bolsonaro numa hora dessas é pra matar. Parece sacanagem de alguém.
Ontem, de tanto rir, derramei um copo de suco de manga ao ler que o humorista tem o carinho e o afeto do vizinho do Ronnie Lessa. Coitado.
Sim, e tem gente do ‘humor de esquerda’ que saiu em socorro de Gentili. Tem. Porque os cumpadis se protegem. Como fazem os jornalistas fofos.

O HUMORISTA DOS GOLPISTAS

Estou entre os que defendem a liberdade de expressão no seu limite, principalmente quando o debate é político e de posicionamento de ideais, por mais fortes que sejam.
Essa liberdade também deve ser respeitada no humor, ou os déspotas nunca aceitariam os retratos que os humoristas fazem deles.
Mas Danilo Gentili não defende ideias e faz um humor agressivo e criminoso contra as mulheres. É reaça em todos os sentidos, porque tudo o que ele faz é para favorecer os poderosos e os perseguidores das esquerdas.
Gentili agride as mulheres, como Bolsonaro faz, para estar sempre do lado dos machos e dos fascistas. Por isso comemoro sua condenação pelas ofensas à deputada Maria do Rosário.
Não vou repetir aqui o que ele disse. Gentili é da extrema direita do humor brasileiro, um humor que foi tomado pelos reacionários nos últimos anos e só agora está reagindo. Ele é o humorista dos golpistas e dos bolsonaristas.
Foi condenado pela juíza federal Maria Isabel do Prado a seis meses de prisão e pode recorrer. Não por ser reaça (se fosse assim, meio Brasil estaria preso), mas por ter feito ofensas que configuram delito. É pouco, mas é um começo.
Ainda falta o desfecho do processo de Maria do Rosário contra Bolsonaro, por ofensas pessoais e incitação ao estupro, que está parado numa gaveta do Supremo porque agora o homem não pode ser processado por fatos anteriores ao mandato.
Poderá depois?

MULHERES

Para não esquecer, neste 8 de março Dia Internacional da Mulher: vivemos num país em que o presidente da República é processado pelo Supremo por injúria e por incitação ao estupro de mulheres.

Não deve ser por nada que esse é um dos países em que mais aumenta, com espancamentos, mutilações e mortes, a violência contra companheiras, namoradas, esposas, ex-esposas, ex-namoradas, ex-conhecidas.
A manchete da Folha de hoje denuncia: 119 mulheres foram mortas em janeiro no Brasil por feminicídio, pelos homens que convivem ou conviveram com elas. Quatro mulheres são mortas por dia.
A expressão da deformação do macho brasileiro hoje é o presidente da República, inspirador de muitos dos assassinos de mulheres.
Esse presidente da República atormentado, quando deixar o cargo que não consegue ocupar sem a tutela de militares, terá de se entender com a Justiça sobre as ofensas e grosserias contra a deputada Maria do Rosário, que não foram dirigidas apenas à deputada.
Bolsonaro atacou covardemente Maria do Rosário para ofender e tentar desqualificar todas as mulheres brasileiras. Mas ela enfrentou Bolsonaro.
Neste 8 de março, não esqueçamos que Bolsonaro foi confrontado com suas fraquezas e suas crueldades por Maria do Rosário e pelo deputado Jean Wyllys.
Uma mulher e um gay não fugiram de Bolsonaro. Jean teve de abandonar o país para continuar a enfrentá-lo. E Maria do Rosário resiste no Congresso, em nome de todas as mulheres.

 

A marcha dos jovens e a política

Foi bom ver pessoas sentadas na grama, no encontro de sábado à tarde na Redenção com a deputada Maria do Rosário, a socióloga Reginete Bispo, o advogado Werner Becker e a vereadora Sofia Cavedon (as fotos são do Ricardo Stricher).

Falamos das possibilidades da resistência ao golpe e à prisão de Lula, do aparelhamento da imprensa e do Judiciário, da disseminação de ódio, da construção de uma rede de comunicação progressista e da necessidade de seperseverar com as esperanças.

O interessante é que acontecia ao lado da aula pública organizada por Maria do Rosário, perto do Monumento ao Expedicionário, o grande encontro de uma maioria de jovens em defesa da descriminalização da maconha.

Pouco antes do início da caminhada da Marcha da Maconha, Reginete Bispo lembrou que o Brasil comete violências contra os negros, como herança do regime escravocrata, não só por discriminação racial, mas como perversão da permanente luta de classes.

E quando a Marcha se mexeu em direção ao chafariz, Maria do Rosário estava falando da perda de espaço das esquerdas no Congresso, na eleição anterior, e da ameaça que isso representa mais uma vez este ano. O reacionarismo pretende se apropriar por completo do Congresso.

E a imensa Marcha então se movimentou, passando ao lado da aula pública, como se ao acaso um evento complementasse o outro.

Sem um Congresso de esquerda ou, se quiserem, sem fortes bancadas progressistas, não há nada que possa ser feito pelos que lutam não só pelas liberdades e contra a caçada a pobres e negros transformados em alvos do que a direita chama genericamente de “guerra ao tráfico”.

Sem partidos e sem o exercício da política nos redutos com poder de decisão, não haverá democracia, e os movimentos sociais continuarão sendo perseguidos pela polícia e criminalizados pela rede de instituições que deveria protegê-los.

As mudanças que os jovens pretendem passam antes pelas vontades, pelas restrições e pelos interesses do Congresso. E o Congresso hoje não tem vontade nenhuma de fazer os avanços que os jovens desejam. Esse é o Congresso que derrubou Dilma e protegeu o jaburu e Aécio.

Sem as esquerdas na Câmara e no Senado, adióis descriminalização da maconha. Poderão realizar centenas de marchas, cantar, como cantaram hoje, e depois marchar. Mas nada será mudado.

A polícia continuará batendo e prendendo pobres, o Ministério Público continuará acusando e a Justiça continuará condenando. Somente os pobres e negros.

Mas ficarão imunes e impunes à perseguição e à violência, entre outros protegidos pela estrutura de repressão, os grandes traficantes e consumidores de cocaína que circularem de helicóptero. Estes não participam da Marcha da Maconha. Os jovens sabem muito bem disso.

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A IMPRENSA NOS GOLPES

Por que o jornalismo pré e pós-golpe de agosto de 2016 é diferente do jornalismo do golpe de 64? É disso que pretendo falar no encontro deste sábado sobre o momento político com a deputada Maria do Rosário, a socióloga Reginete Bispo e o advogado Werner Becker.
A previsão para o sábado é de tempo bom. Todas e todos estão convidados.
#LulaLivre.

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AS MULHERES QUE VOTAM EM BOLSONARO

Bolsonaro é réu em duas ações no Supremo, por injúria e apologia ao crime de estupro, em consequência dos ataques à deputada Maria do Rosário. Não vou repetir aqui o que ele disse e todo mundo sabe, porque é nojento e covarde.
Hoje, Bolsonaro levou mais um tombo. A procuradora-geral Raquel Dodge o denunciou ao Supremo pelo crime de racismo. Em palestra há um ano na Hebraica do Rio (sim, Bolsonaro fala para judeus e prega racismo), o deputado atacou quilombolas, indígenas, refugiados, mulheres e LGBTs.
Também não vou repetir aqui o que ele disse nessa palestra em que foi aplaudido por muita gente que, pela história trágica dos seus ancestrais, deveria repudiá-lo.
Um dos filhos dele, o deputado Eduardo Bolsonaro, também foi denunciado pela procuradora por ameaçar uma jornalista.
Mesmo assim, há mulheres, e muitas e muitas mulheres, que adoram Bolsonaro. Não são pessoas sem acesso à informação. Nem pobres. São, na maioria, como mostram as pesquisas, de uma classe média com curso superior e bons empregos.
Bolsonaro (que hoje passou mal e foi levado às pressas para um hospital no Rio) sabe que, para ser eleito, depende dos votos das mulheres. E muita mulher que se considera esperta vota em Bolsonaro.

Acaso?

Me perguntam porque não comentei o roubo do carro da valente deputada Maria do Rosário, exatamente quando ela estava saindo de casa. Porque não posso ser ingênuo de acreditar sempre em acasos.
Aliás, ultimamente tenho me cuidado muito com os acasos que andam por aí.

https://gauchazh.clicrbs.com.br/seguranca/noticia/2017/12/deputada-maria-do-rosario-tem-o-carro-roubado-em-porto-alegre-cjbpor3wc03rj01p98aymnm69.html