Duelo

Estou sabendo que muita gente está com pena do MBL na briga com o Face Book. Porque depois, dizem eles, pode acontecer o mesmo com os perfis de esquerda.
Sei não. O que o Face Book descobriu é que o MBL tinha uma engrenagem mafiosa de perfis falsos. A esquerda também tem? Acho que não.
Defender o MBL, como uma espécie de habeas, porque depois o Face Book pode agir da mesma forma contra sites progressistas? Acho ruim.
O que eu sei é que o MBL vem com tudo nessa eleição. Os robôs descobertos pelo Face são o que eles têm de mais manso. Estamos preparados.
Não podemos ter medo do MBL. A democracia não pode se encaramujar diante da ameaça de fraudadores.
O que desejo é que o MBL e o Face Book se enfrentem com peixeiras. Se nenhum tombar, que sejam jogados numa jaula com Bolsonaro dentro.

AS FRAUDES DO MBL

É grave a denúncia do Face Book de que o MBL usa as redes sociais para manipular informações e fraudar a identificação de ‘usuários’ que agem em seu nome. A denúncia está na própria decisão do Face Book de retirar do ar 176 páginas e 87 perfis ligados a essa facção da extrema direita.
O MBL é acusado pelo Face de violar a autenticidade da rede, ou seja, o movimento usa perfis de pessoas que não existem e ainda produz notícias falsas.
O Face Book não diz, mas todo mundo sabe para que servem esses perfis falsos. Interferem nos debates com opiniões de ‘pessoas’ que não existem, tentando fazer com que as posições mais reacionárias sejam numericamente superiores na rede, curtem e apoiam postagens de amiguinhos da direita e disseminam informações inventadas.
O MBL exerce assim o seu falso liberalismo em que o que vale mesmo é a manipulação.
Não apoio censuras. Quem gosta de tentar impor o controle de opiniões é a direita. O juiz Sergio Moro, por exemplo, já sugeriu à Folha que censurasse os artigos do físico Cezar Cerqueira Leite, só porque este o criticou em artigo no jornal.
Outros bacanas da Lava-Jato não gostam de críticas, e muitos jornalistas embarcados no golpe não admitem nenhuma discordância.
Mas o caso do MBL parece mais do que uma simples censura. É a ação de uma empresa preocupada em proteger regras de convivência entre os usuários.
A empresa age contra um grupo que defende as liberdades apenas a seu favor e que utiliza todo tipo de recurso para fraudar, manipular e enganar.
O Face Book golpeou o MBL de uma forma que nem as esquerdas conseguiram. O MBL está exposto publicamente como estelionatário. Que se entenda com o Face Book, porque da Justiça eu pouco espero.

O MBL E O BOITATÁ

O MBL está assustado e apressado. Pediu ao Tribunal Superior Eleitoral que Lula seja considerado inelegível, mas oficialmente Lula nem candidato é ainda.
Aliás, muita gente diz que o MBL tem grande influência na prefeitura de Porto Alegre. Eu perguntei esses dias a amigos o que é afinal o MBL no Rio Grande do Sul.
Eu acho que o MBL gaúcho é uma invenção para tentar justificar a administração errática do gestor tucano. A culpa por não conseguir nem tapar buracos de rua seria do MBL e não dele.
Outros dizem que o MBL é um guarda-chuva com gente de direita de todos os naipes, ou um espírito agregador de ultra-reacionários e não necessariamente um grupo homogêneo de pessoas.
Mas eu acho que o MBL daqui é uma lenda, como a lenda do boitatá. Com a diferença de que o boitatá existe.

A armadilha

A direita mais rasa vem pautando as esquerdas no Brasil. Depois das controvérsias da exposição Queermuseu no Santander e da performance do homem nu tocado por uma criança em São Paulo, eles vieram com o ‘plebiscito’ separatista gaúcho. E virão com outras provocações.

A direita soltou a franga e vai inventando pautas em que a arte é um bom pretexto, porque assim pretende glamourizar até um Alexandre Frota. E a esquerda sempre embarca e fica entretida. E assim as esquerdas vão oferecendo à direita uma interlocução há horas inviabilizada pelo impasse do debate político.

Como não dá pra debater política no que interessa, que se debata se uma criança tocando num homem nu é pedofilia. E a partir daí qualquer abordagem está liberada, sob o argumento de que nos envolvemos agora com questões culturais misturadas a conceitos sobre costumes. Estamos num simpósio medieval ou mesmo pré-Platão.

Durante muito tempo foi o contrário. A minha geração viu as esquerdas pautando a direita, e a direita virando-se como podia para se defender. Da segunda metade do século passado até agora, a direita só se defendeu.

O Brasil golpeado anda agora a reboque do que o reacionarismo mais rasteiro propõe. Há alguma vantagem nisso, ou não se tira proveito nenhum de um embate entre o presumido pensamento de um militante do MBL e de um doutor da UFRGS e de Alexandre Frota com Caetano Veloso?

A vantagem pode ser que assim lemos textos do Luis Augusto Fischer, da Céli Pinto e do Francisco Marshall e nos divertimos com o sarcasmo do Zé Adão Barbosa.

Mas eu não queria que eles fossem pautados por essa gente. Isso é regressivo demais. Daqui a pouco estaremos discutindo com chimpanzés amestrados (o que talvez até seja mais interessante). A direita nos levou pra jaula.

Abandonado

Kim Kataguiri, o líder do Movimento Brasil Livre, deve ter pensado: mas como são mal-agradecidos.

Me contaram que o rapaz ficou esperando os parceiros líderes empresarias, na reunião-almoço de hoje na Federasul, e poucos apareceram. E isso que o MBL participou ativamente da campanha em Porto Alegre.

Tinha mais peru do que empresário no almoço, pelo que fiquei sabendo. Kataguiri deu a entender que espera cargos para o MBL na prefeitura, porque sua organização se dedicou com afinco à campanha do vitorioso.

Deve querer coisa grande. O MBL entende bastante de povo.

 

 

Outras perguntas

O Movimento Brasil Livre, com atuação intensa na campanha à prefeitura de Porto Alegre, tem a simpatia dos liberais gaúchos? Quais são os empresários ditos liberais que apoiam o MBL no Estado?
Em nome da transparência que tanto reclamam dos outros, os liberais do Estado apoiadores do MBL deveriam explicitar suas posições.
Certos liberais gaúchos são muito encabulados.