PEGARAM OS HACKERS. E O QUEIROZ?

O caso do Queiroz, segundo Bolsonaro, já foi resolvido por Dias Toffoli. Flavio Bolsonaro, os laranjas e os milicianos do Rio das Pedras podem ficar tranquilos.
Agora, a Polícia Federal pode estar resolvendo a história dos hackers, com a prisão de quatro suspeitos de terem invadido os telefones de Moro e Dallagnol.
Acharam os hackers. Quatro presos em três cidades (São Paulo, Araraquara e Ribeirão Preto).
Acharam quatro, em cidades diferentes, mas até hoje não acharam o Queiroz, que é um só e está, como todo mundo sabe, protegido pelos Bolsonaros em algum lugar de São Paulo.
Outro detalhe. A Lava-Jato fará força para dizer que os hackers são os responsáveis pelos vazamentos dos diálogos escabrosos do juiz com o procurador. Se disserem que foram eles, estará provado que os diálogos são verdadeiros, mesmo que continuem com a história de manipulação das mensagens.
Se não disserem, de qualquer forma a confusão estará criada.
Vem aí o novo teatro da Lava-Jato, enquanto a a Polícia Federal de Sergio Moro não faz o que qualquer jurista sabe que deveria fazer: investigar os conteúdos das mensagens.
Por que a polícia sob o comando do ex-juiz não investiga as mensagens? Os servidores republicanos da Polícia Federal são minoria, a ponto de permitirem que a instituição continue calada sobre uma sindicância que deveria estar realizando há muito tempo?
Quando ficaremos sabendo das investigações em torno dos conluios contidos nas mensagens?
Quem, como fez o diretor do Inpe sobre a devastação da Amazônia, irá desafiar o aparelhamento do Estado e o poder absoluto dos bolsonaristas que se apoderaram das instituições?

VEM AÍ O TRUQUE DO HACKER

A Lava-Jato pode estar perto da sua próxima mágica. Tanto anunciam que uma hora vão pegar e mostrar um suspeito de ter agido como hacker nos celulares do ex-juiz e dos procuradores de Curitiba.

Podemos nos preparar para a grande confusão que será armada. O suposto hacker, como tem dito Moro, será acusado do vazamento das mensagens para o Intercept. E estará exposto ao Brasil como o criminoso que conspirou contra a caçada aos corruptos. Só que não.

O hacker, se é que existe, certamente não tem relação alguma com as mensagens que estão sendo divulgadas. Essa história de hacker surgiu no início de junho, quando o ex-juiz saiu anunciando que haviam invadido seu celular.

Logo depois, surgiram notícias de que Dallagnol também havia sido vítima de invasão. Com a divulgação das mensagens pelo Intercept, a partir de 9 de junho, tentaram estabelecer uma conexão: o hacker estava vazando o que havia sequestrado dos celulares.

Foi a primeira tentativa de criar confusão. Os dois já sabiam dos vazamentos e criaram antes o álibi do hacker?

Mas logo depois Sergio Moro decide dizer que havia se livrado do sistema de mensagens Telegram em 2017. E na sequência Dallagnol juntou sua turma para anunciar, em solene entrevista coletiva, que em abril todos eles haviam jogado o Telegram ao espaço. Porque, acreditem, o hacker poderia voltar.

Era uma estratégia óbvia de escapar da busca de provas das conversas. Não que alguém pense que em algum momento as mensagens publicadas pelo Intercept pudessem ser confrontadas com as que estavam nos arquivos do juiz e do procurador. Não. Eles nunca permitiriam que isso fosse feito.

O que importa é que Moro e Dallagnol livraram-se das provas, ou imaginam que estão livres delas. E o procurador se nega a entregar o celular para perícia.

Juristas repetem todos os dias que o conteúdo das mensagens deveria estar sendo investigado, e não só o presumido crime cometido pelo tal hacker. Mas ninguém investiga nada.

Mas o hacker estará preso daqui a pouco. Com o novo troféu da dupla Moro-Dallagnol, teremos então a nova confusão: o hacker, terrivelmente criminoso, pode ter roubado e adulterado as mensagens.

Estará armado o circo. Será preciso potencializar idiotias já potentes para tentar convencer que a prisão de um possível hacker esclarece tudo.

Os envolvidos na troca de mensagens escabrosas, dentro da Lava-Jato, sabem que o vazador dos arquivos pode ter estado bem ao lado deles, ou ainda pode estar.

O DELATOR QUE DELATOU A LAVA-JATO

A situação dos procuradores da força-tarefa da Lava-Jato é, a partir de agora, mais dramática do que a de Sergio Moro. Os procuradores sabem que qualquer movimento em falso pode acionar o que eles mais temem: a comprovação de que as mensagens saíram de dentro do comando da masmorra de Curitiba.

Esse é o dilema dos procuradores, reforçado pelos vazamentos mais recentes de mensagens em que eles atacam as arbitrariedades de Moro e articulam a delação de Leo Pinheiro, para que Lula fosse incriminado. Eles sabem que o vazamento de suas conversas não foi obra de um hacker.

O hacker não existe. Os procuradores sabem (e sabem bem, porque estão ali todos os diálogos sobre a operação) que alguém de dentro do esquema vazou as conversas.

Eles podem dizer que não reconhecem a autenticidade dos diálogos. Podem insinuar que as mensagens foram manipuladas, que os vazamentos contêm inverdades.

Mas nunca, em momento algum, nenhum dos procuradores disse: eu nunca falei o que foi vazado pelo Intercetp e pela Folha. Nunca disseram de forma categórica.

Eles não podem dizer. Porque sabem que o anônimo que passou os arquivos ao Intercept é ou foi parte do esquema da tropa de choque da Lava-Jato montada a partir de 2014 pelo Ministério Público.

Foram mais de 30 procuradores, com apoio de técnicos e aspones das mais variadas áreas, todos mobilizados pelo esforço de conseguir delações. As investigações, se é que existem, são na verdade a sequência dos rastros deixados pelos delatores em confissões feitas depois de meses de prisão ‘preventiva’.

Os vazamentos são de conversas dos procuradores. Sergio Moro só aparece porque fala com eles.

Os procuradores sabem bem que dificilmente alguém iria hackear mais de quatro anos de conversas. O Telegram também sabe. O Intercept já disse que não existe hacker.

O Intercept não diz e talvez nunca vá dizer, mas é fácil concluir que os arquivos foram sendo guardados por alguém de dentro da baleia. Esse é o tormento dos vazados. É gente deles.

O Brasil ficou sabendo, por obra desse anônimo, que a operação era conduzida pelo juiz, e não pelo promotor, e que métodos no mínimo questionáveis foram usados para que, em nome da lei, da ordem, da moral e da família, delatores incriminassem Lula e o PT.

Pode aparecer a qualquer momento o hacker que entrou no celular de Sergio Moro. Até pode. A Polícia Federal poderá encontrar alguém ou alguns que seriam os acusados do hackeamento.

Mas isso não terá nenhuma relação com o vazamento das mensagens dos procuradores, mesmo que o governo tente criar essa confusão. E temos certeza de que policiais republicanos não deixarão que se crie essa confusão.

E a divulgação dos vazamentos vai continuar. E os procuradores vão continuar dizendo, a cada vazamento, que não reconhecem isso e aquilo. E vão apontar detalhes irrelevantes sobre incorreções na transcrição dos diálogos pelo Intercept, comuns em qualquer tarefa jornalística, por mais simples que seja.

O que eles não dirão nunca é que nunca disseram aquilo que agora ficamos sabendo.

Os procuradores terão de lidar com o mesmo dilema que criaram para os delatores forçados a incriminar Lula. A Lava-Jato gerou um delator, talvez o mais poderoso de todos eles.

A mais assustadora das criaturas é o delator criado pela própria Lava-Jato.

Calados

Li artigos e notícias em profusão sobre a detenção por 10 horas de dois jornalistas brasileiros na Venezuela e não li um texto de opinião, um só, sobre a censura da Justiça à Folha de S. Paulo, para que não divulgue uma reportagem (já publicada no online) sobre a tentativa de chantagem de um hacker à primeira-dama Marcela Temer.

O assunto é manchete da Folha online agora. Mas nem a Folha tem um texto de opinião, um só, sobre a liberdade de imprensa.

O jornalismo que sempre defendeu a divulgação de gravações contra Lula e Dilma e ajudou no golpe é cauteloso, envergonhado e covarde quando trata de notícias constrangedoras sobre o governo que apoia.

Esclareço, como se fosse preciso, que também condeno hackers e chantagens e que, nesse caso, sou contra a transcrição de conversas privadas da primeira-dama, o que não significa censura à reportagem sobre o caso e suas eventuais implicações políticas.

Mas gostaria de saber a opinião de quem opina com fervor sobre a liberdade de imprensa na Venezuela.

 

A chantagem

Quero saber a opinião dos jornalistas aliados ao Jaburu sobre a divulgação das conversas da primeira-dama Marcela Temer com um irmão e, depois, com um homem que conseguiu a gravação dos diálogos e tentava chantageá-la.
Contra Lula, Dilma e quem for do PT eles achavam e acham que tudo deve ser divulgado, inclusive a conversa grampeada pelo juiz Sergio Moro e enviada ao Jornal Nacional (mesmo que Dilma não pudesse ser grampeada). Ou uma fala da mulher de Lula, Marisa Letícia, de um grampo da Polícia Federal, de março de 2016, em que ela manda os golpistas dos panelaços enfiarem as panelas no c… Tudo foi divulgado.
Um juiz proibiu a Folha de revelar em texto as conversas de Marcela. O pedido à Justiça foi feito pela primeira-dama.
O sujeito que teve acesso às conversas e tentou exigir dinheiro dela em troca de seu silêncio é tão imbecil quanto os jornalistas golpistas, que desta vez não divulgaram as gravações (por que?), como fizeram com Marisa Letícia e tantos outros.
Não pediram minha opinião, mas antecipo que não quero saber da conversa em que Marcela teria falado de um certo marqueteiro que faz o trabalho sujo do Jaburu. Qual é a novidade de um marqueteiro fazendo serviço sujo?
Até porque Marcela não foi eleita, não desempenha nenhuma função pública por delegação do povo. É apenas a mulher de Michel Temer.
Jornalistas golpistas, inclusive os mais fofos, que defendem o Jaburu incondicionalmente, são convidados a dar sua opinião sobre esse caso. Mas sem enrolação.

O retorno

Este blog foi invadido no dia 24 de julho. Hoje, ao final da tarde, o domínio e os arquivos foram recuperados.

Vou atualizar aos poucos o espaço com textos que publiquei depois desta data apenas no blog do Face book (www.facebook.com/blogmoisesmendes), enquanto o blog ficou fora do ar.

Não pretendo desafiar a irracionalidade, que, pelo que já me alertaram, pode me preparar mais uma e talvez mais grave. Eu sei. Mas as tentativas de destruição do blog terão como resposta a reconstrução do mesmo blog.

E gracias pela solidariedade.