Terra da extrema direita

Porto Alegre é a capital com o maior número de painéis (sem assinatura dos autores) de apoio à campanha antecipada e descarada de Sergio Moro.
O Rio Grande do Sul é o Estado que terá o maior número de escolas militarizadas do Abraham Weintraub.
Tinga já disse, com autoridade, que esse é também o Estado mais racista do Brasil.
O RS terá em pouco tempo o maior número de lojas de bugigangas chinesas do véio da Havan.
Por machismo, por acharem que as mulheres devem ficar em casa cuidando dos filhos, temos o menor índice de creches do Brasil.
Somos um dos Estados mais armados. Somos exportadores de bravateiros reacionários para todas as regiões do país, não só em áreas rurais, mas também urbanas.
Porto Alegre já foi o lugar de se pensar coletivamente que um outro mundo é possível. Hoje, temos uma posição privilegiada como modelo de bolsonarismo de bombacha a toda Terra.
Os fascistas conseguiram. Essa é hoje a nossa fama.

OS PÓS-DOUTORES DA DIREITA

A imprensa está mobilizando gente de peso para bater no PT e em Haddad. É algo que as pessoas de mais de 60 anos só viram quando da véspera do golpe de 64.

Os jornais arregimentam ‘formadores de opinião’ de todas as áreas, incluindo as universidades, para que escrevam alertas sobre o perigo vermelho. Está de volta a mais rasa tática do medo.

Recrutam gente que possa dar um ar de ‘seriedade’ aos ataques. Se são professores, alguns com altos cursos de pós-doutorado nos Estados Unidos, devem saber o que falam.

A Folha de S. Paulo, O Globo e o O Estadão estão bem articulados. Além dos jornalistas de direita que têm em estoque para emitir opiniões, chamam convidados para que ocupem suas páginas. É um esquema antigo, agora aperfeiçoado e intensificado.

Faz parte da esperteza de uma certa elite que se considera detentora de todos os saberes. Agora, não são apenas os golpistas do PSDB, mas os ‘cientistas’ que advertem para a necessidade de se buscar o centro, mesmo que todo mundo saiba que esse centro político não existe mais.

O golpe matou os golpistas, e os sobreviventes foram empurrados para a extrema direita. O que esses professores não dizem, para manter a fleuma liberal, é que muitos deles são bolsonaristas enrustidos.

A direita começa a sair do armário inclusive na academia. Há mais reacionários nas faculdades do que se pensava, inclusive nas universidades públicas.

Os estudantes estão nas mãos de uma direita cínica, voltada não só para o mercado, com seus pragmatismos utilitaristas, mas para as demandas do golpe.

Imagine-se o tormento de quem frequenta ambientes acadêmicos sequestrados por golpistas. É aceitar ou reagir, como os estudantes fizeram durante a ditadura.

Desta vez, a esperança de todos nós são as mulheres. Elas vão derrotar o fascismo que agora se apresenta com os carteiraços dos pós-doutorados.

A JUSTIÇA TOMADA (E VAI PIORAR) 

Uma previsão, quase como torcida, se repete depois da condenação de Lula: a Lava-Jato e outros processos contra corruptos se fortalecem e vão pegar mais gente. Mas pegar quem, cara-pálida?
Poderiam pegar, além dos muitos petistas que já são réus, pelas beiras de outros processos que correm na Justiça (metrô do PSDB, merenda do PSDB, porque as propinas do Serra já foram arquivadas), um boi de piranha dos tucanos. Um tucano pequeno, mas tucano. Quem sabe, finalmente, aquele tal de Paulo Preto, para dizer que pegaram um pelo menos.
Não acredito. O que acredito é que vai ficar pior. Converse com os operadores do Direito e principalmente com gente do Ministério Público e do Judiciário. Não com chutadores, mas com fontes do próprio meio, da estrutura de Justiça.
O sentimento entre os progressistas e os não-alinhados com o golpe é de que a meritocracia concurseira vai branquear e endireitar ainda mais o MP e a Justiça. Enquanto se aprofunda o empobrecimento da classe média, amplia-se o poder econômico e de competição dos filhos das elites. A ‘renovação’ se dá pela direita da direita.
O Brasil se encaminha para ter um dos Judiciários mais reacionários do mundo. Estarão aí, daqui a pouco, caçando esquerdistas, os filhos dos paneleiros, os netos.
Nem a Argentina terá uma estrutura judicial tão aparelhada pela direita quanto a brasileira. É coisa para décadas e décadas.

O fascista gaudério

O fascismo que chegou à arte com poder de censura é apenas mais uma face do gaúcho ultra-reacionário, que está sempre à espera da chance para se manifestar. E não só na política.
Em rádios e jornais, esse reacionarismo nunca foi tão poderoso. Além de se reafirmar como racista e homofóbico.
O reacionário engraçadinho, preso ao humor raso, tem vaga na maioria das rádios gaúchas. Alguns são estrelas e suas façanhas servem de modelo a toda rádio.
São profissionais exemplares para os códigos de ética das suas organizações e disseminadores do jeito de ser do gaúcho falastrão, prepotente e atrasado. Que fase vive o Rio Grande do Sul dos gestores e dos fascistas.

Adiós, Bolsonaro

bolsonaro (2)

Estava murcho ontem à noite, na aparição no Jornal Nacional, o homem que geralmente aparece com os olhos arregalados para defender posições racistas, homofóbicas e machistas com determinação.

Não era o eloquente Jair Bolsonaro que conhecemos, adorado por moradores de bairros nobres de Porto Alegre, ídolo do Parcão e da Avenida Paulista, o mito das passeatas golpistas que se vangloria por dirigir ofensas a mulheres, gays e negros.

Outro valentão terá de se entender com o STF porque disse, e repetiu mais de uma vez, que não estupraria a deputada Maria do Rosário porque ela é feia.

Mas ontem no JN Jair Bolsonaro estava assustado. Tanto que se dirigiu, “com humildade”, aos ministros do Supremo, para que examinem seus desatinos como acidentes de confrontos ideológicos.

Ele e Maria do Rosário estão em extremos, é óbvio. Mas as agressões dele não têm nada da natureza do confronto político civilizado e da representação parlamentar.

Bolsonaro não é um ideológico, é um primitivo. Foi turbinado como herói de uma elite reacionária, como mostram as pesquisas, e seria o candidato a presidente de muita gente dita ‘esclarecida’. Sem esse pessoal que o endeusou, ele não seria o que ainda pretende ser.

Seus seguidores bem nascidos nunca imaginaram que o Supremo chamaria o ídolo para prestar contas de uma postura desrespeitosa, violenta e criminosa.

Bolsonaro sempre achou que com ele nada aconteceria. Mas desde ontem  será cada vez menos Bolsonaro. Duvido que os filhos – também políticos e imitadores do pai – mantenham a mesma desenvoltura.

Os fãs ardorosos, os órfãos do Parcão, o pessoal da camiseta da Seleção – todos devem procurar outro mito, porque esse, mesmo que não venha a ser condenado, está irremediavelmente avariado.