O VAZADOR

Agora temos a prova do que todo mundo sabia e está no UOL. Este é o começo da notícia:
“Diálogos obtidos pelo site The Intercept Brasil e publicados hoje apontam que o coordenador da Operação Lava-Jato, Deltan Dallagnol, mentiu ao público ao negar que agentes públicos passavam informações de investigações à imprensa. Em chats no Telegram, procuradores admitem “vazamentos”, e Dallagnol aparece antecipando um passo de uma das operações a jornais”.
Numa das conversas, um procurador usa a expressão “vazamento seletivo”. Confirma-se o que Gilmar Mendes dizia.
A Lava-Jato era movida a delações e vazamentos e poderá ser finalmente desmontada pelo Supremo que concordava com tudo.
Dallagnol e sua turma viciaram os amigos da imprensa em vazamentos. Um dia alguém terá de contar como funcionava esse conluio.
Mas o procurador sem escrúpulos sabe que será abandonado pelos antigos cúmplices.
Dallagnol só tem hoje a proteção corporativa da sua chefe indecisa no Ministério Público. O resto saltou fora.

FALE, RAQUEL DODGE

Deltan Dallagnol, o procurador sem escrúpulos, oferece mais argumentos para que sua chefia saia do silêncio. As mensagens que o site do El País divulgou hoje, com ataques e comentários depreciativos de Dallagnol à procuradora, tirariam qualquer liderança do sério e do imobilismo.

Saberemos logo se irão abalar o silêncio obsequioso de Raquel Dodge, a procuradora que até hoje nada comenta sobre nada, que aguarda um sinal de que Bolsonaro pode passar a cortejá-la para a recondução à Procuradoria-Geral da República e que se mostra incapaz de arbitrar, por prerrogativa, por liderança, por imposição hierárquica, as ações da sua turma em Curitiba.

Dallagnol diz nas mensagens que não confia na chefe, porque ela atrasa acordos de delação. Sente saudade de Rodrigo Janot. Planeja (talvez tenha feito) usar a tática de plantar notícias na imprensa contra a procuradora. E estimula os colegas a debocharem da autoridade que deveria chefiá-los.

Dallagnol sempre teve pressa para agir contra Lula, e Raquel parecia não acompanhar o ritmo da força-tarefa. A procuradora não irá gostar de ler o que El País publica.

Raquel Dodge teve um encontro recente com Dallagnol e mandou recados à imprensa, dizendo que ainda confia no subalterno. Com as mensagens divulgadas agora, pode continuar afirmando a mesma coisa, o que não causaria nenhuma surpresa.

Curitiba era e talvez ainda seja um ninho de cobras. Está claro nas mensagens anteriores, também divulgadas, pelo El País, que Dallagnol não tinha a confiança de muitos procuradores.

Alguns deles demonstravam constrangimento com as atitudes de quem deveria ser o chefe da força-tarefa (sabemos agora que o chefe de fato era Sergio Moro), principalmente pela avidez com que Dallagnol tratava as conversas sobre palestras pagas.

Os procuradores desconfiavam de Dallagnol, que desconfiava de Raquel, envolvida, segundo ele, numa aproximação demasiada com Gilmar Mendes, para quem sabe virar ministra do Supremo.

Lembremos que Dallagnol não teve o apoio de Raquel para abocanhar os R$ 2,5 bilhões da Petrobras que seriam destinados à fundação que, dizia ele, iria ajudar no combate à corrupção. Até hoje essa história não foi bem contada.

Com as novas mensagens, Raquel Dodge terá de falar, ou prolongará um silêncio que retumba em Brasília e poderá consumir o que resta da sua autoridade.

ABRAM TODAS AS CAIXAS DA LAVA-JATO

A pergunta que retumba desde ontem é esta: a Polícia Federal irá se livrar dos constrangimentos criados por Sergio Moro e finalmente investigar, com destemor e autonomia, os conteúdos das mensagens da Lava-Jato?
A PF tem agora farto material a ser analisado. Qualquer aprendiz de jurista diz e todo o Brasil já sabe que investigações não devem se limitar ao delito cometido por invasores ou ladrões, nos casos de celulares, computadores, carros, casas ou empresas.
O Código de Processo Penal determina que tudo seja investigado, o ladrão, a vítima, as circunstâncias, as motivações e o conteúdo do roubo.
Se não fosse assim, poderíamos dar esse exemplo bem infantil, para crianças e adolescentes. Ladrões assaltam a casa de uma alta autoridade e furtam o que há lá dentro. A polícia encontra o objeto do furto. São caixas com um pó branco.
Se fosse fazer o que a PF está fazendo desde o início dos vazamentos de mensagens, os ladrões seriam presos e o pó branco poderia até ser devolvido, sem análise, aos donos.
A alegação seria que a polícia estava investigando o furto, não o conteúdo do furto. E que a vítima era uma alta autoridade.
É desculpa para bolsonaristas. A PF pode agir de ofício, por conta própria, e investigar o que há nas caixas da Lava-Jato. Mas a PF é chefiada por Sergio Moro, o dono do que foi furtado.
Está todo mundo quieto, com raras exceções, diante do silêncio em relação às investigações que já deveriam estar sendo feitas. A PF não vai analisar o que foi apreendido? O Ministério Público também ficará em silêncio e acovardado?
O Brasil quer saber bem mais do que já sabe sobre os hackers de Araraquara que reuniam até filiado do PFL. Os juristas ditos liberais devem cobrar que a ação da polícia vá mais adiante. Vamos abrir as caixas putrefatas da Lava-Jato.

OS HACKERS DE MOSCOU E DE TAUBATÉ

A informação que mais circula sobre os hackers presos é esta: são espiões de baixa qualidade, que fizeram uma intromissão tosca nos celulares ou nos arquivos de Sergio Moro e Deltan Dallagnol.

Estamos diante de invasores de terceira categoria (um deles seria ligado ao PFL), que usaram baixa tecnologia para hackear informações das duas maiores autoridades da Lava-Jato, o juiz e seu subordinado imediato no Ministério Público.

Diante disso, parece desfeita a suspeita, repetida em declarações categóricas do ex-juiz, de que os hackers seriam parte de um esquema poderoso e milionário de tentativa de destruição da Lava-Jato.

Seriam, mas ainda não temos os hackers de Moscou. Os presos ontem seriam artesãos do hackeamento de fundo de quintal em Araraquara.

E aí então podemos chegar às outras conclusões. Se qualquer hacker de várzea hackeou as informações de duas altas autoridades, envolvidas na maior caçada a corruptos da História, é porque o sistema de segurança deles também era tosco.

Se Moro tudo sabia de todo mundo, determinando grampos inclusive de advogados de Lula, como ficou tão exposto a invasões de estelionatários?

Ao depreciarem os hackers, os hackeados estão desqualificando a estrutura que estava montada em torno deles e levando a outra conclusão: Moro e Dallagnol tinham (e talvez ainda tenham) a soberba dos intocáveis e indevassáveis.

Mas Moro e Dallagnol devem saber que conviveram com um vazador de informações bem mais próximo do que os chinelões que brincavam de hackear os lava-jatistas.

Moro e Dallagnol sabem que essa história dos hackers não tem relação alguma com as conversas escabrosas vazadas para o Intercept. Eles sabem que os diálogos reveladores do conluio juiz-procurador estão sendo conhecidos agora por outro vazamento.

Esse é o drama de Moro e Dallagnol. Mesmo que tenham sido presos os hackers de Taubaté, o pesadelo continua. Os dois devem continuar as investigações (ou não), porque o grande vazador pode estar longe dos hackers trapalhões. O medo dos vazados não se desfez.

Os arquivos das conversas do conluio podem ter saído de gente que talvez tenha convivido com os conversadores, ou que ainda esteja convivendo. Saiam de Taubaté.

O ATORMENTADO

Se a Vaza-Jato já fosse uma investigação criminal (em algum momento será), o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima poderia ser um candidato a delator.
Santos Lima é o servidor atormentado pelas arbitrariedades de Sergio Moro, como revelam as conversas divulgadas hoje pela Folha.
O procurador da Lava-Jato sabia que Moro era um autoritário que passava por cima das leis e do bom senso quando impunha como deveriam ser os acordos de delação.
Mas ele era apenas um servidor desconfortável entre procuradores submissos, que cumpriam as ordens do juiz porque Dallagnol achava que assim deveria ser.
Dallagnol foi dominado por Moro e acabou constrangendo os colegas que deveria liderar.
As falas de Santos Lima nas conversas vazadas mostram que os métodos de Moro deixaram sequelas profundas na força-tarefa do Ministério Público.
O procurador aposentado Santos Lima deveria falar, em respeito ao Ministério Público.

A hora de investigar o instituto do procurador endinheirado

Chegou a hora de investigar a fundo os negócios de Deltan Dallagnol, mas sem vacilações. Em março, a Procuradoria-Geral da República travou a criação das Organizações Tabajara do procurador da Lava-Jato. Mas isso não basta.
Com as novas mensagens divulgadas pela Folha, é preciso ir adiante para desvendar por completo a ideia do procurador de criação da fundação com os R$ 2,5 bilhões da multa imposta à Petrobras.
Ninguém mais fala do instituto de Dallagnol, cuja criação teve o aval da vara especial comandada por Sergio Moro, ou não teria sido nem mesmo projeto. A imprensa e o Ministério Público abandonaram o assunto, ressuscitado pelas mensagens agora publicadas.
Dallagnol queria ganhar dinheiro desde 2015, como mostram as mensagens. Mas é preciso ordenar o conjunto de informações que ele passa aos colegas para entender quando a ideia da fundação ainda está viva e quando ele parece optar por outra saída.
Essa mensagem abaixo é recente, de 3 de março deste ano:
“Se fizéssemos algo sem fins lucrativos e pagássemos valores altos de palestras pra nós, escaparíamos das críticas, mas teria que ver o quanto perderíamos em termos monetários”.
Duas semanas depois, a procuradora-geral, Raquel Dodge, determinou formalmente que Dallagnol desistisse da ideia da fundação.
A dúvida é esta: o procurador insistia com o projeto, com outro formato, mesmo sabendo que sua chefe estava tratando do seu plano esdrúxulo e que iria, logo depois, determinar que ele abandonasse tudo?
É a investigação a ser feita. O que as mensagens sugerem é que, ao perceber que a fundação não iria prosperar, Dallagnol agarra-se ao novo projeto da entidade sem fins lucrativos, mas já sabendo que não pode contar com o dinheiro da Petrobras.
O que ele quer, ao criar o grupo de mensagens que trata do assunto com colegas, em dezembro 2018, é ganhar dinheiro. O procurador envolve até a esposa em suas expectativas de ficar rico. Fernanda, a mulher dele, seria dona-laranja numa empresa promotora de palestras.
Esse texto é da Folha: “Cerca de três meses antes de iniciar o grupo para discutir a abertura da empresa, Deltan informou a esposa sobre a lucratividade das palestras apurada até setembro de 2018.
Essa é a mensagem: “As palestras e aulas já tabeladas neste ano estão dando líquido 232k [R$ 232 mil]. Ótimo… 23 aulas/palestras. Dá uma média de 10k [R$ 10 mil] limpo.”
No mês seguinte, como mostra a Folha, o procurador manifestou suas previsões de renda extra para o fechamento de 2018.
“Se tudo der certo nas palestras, vai entrar ainda uns 100k [R$ 100 mil] limpos até o fim do ano. Total líquido das palestras e livros daria uns 400k [R$ 400 mil]. Total de 40 aulas/palestras. Média de 10k limpo”, disse o procurador.
Dallagnol era um homem que fazia contas. O jornalismo ainda deve a grande reportagem sobre a evolução do plano do instituto com dinheiro da Petrobras e de outros projetos para faturar alto.
O Ministério Público não pode continuar calado. Se ficar, estará daqui a pouco diante de algo maior.

OS ARAPONGAS INTERNACIONAIS DA LAVA-JATO

Essa do Moro e do Dallagnol tramando para derrubar Maduro e assim interferir nas eleições no Brasil é a prova do esquema internacional da Lava-Jato.
É nojento demais ler os diálogos publicados hoje pela Folha. O ex-juiz e seus subalternos da procuradoria tramavam para romper um acordo de delação que mexia com questões de outro país, enquanto viviam de delações.
Moro e Dallagnol são duas das figuras mais repulsivas de toda a história brasileira. Porque desqualificaram as instituições que deveriam proteger e imbecilizaram um país ao trabalharem como serviçais dos americanos.
Os dois devem agora ser investigados como agentes internacionais. Os democratas americanos precisam ajudar a desvendar esse escândalo. A Lava-Jato foi uma trama golpista a serviço de estrangeiros, e certamente não só dos Estados Unidos.
Numa democracia de verdade, Moro e Dallagnol estariam presos antes de clarear o dia.
O Supremo vai continuar se acovardando?

MORO PODE SE PREPARAR PARA UMA NOVA TRAIÇÃO

Tentem imaginar, depois do que aconteceu ontem na Câmara, uma reunião de Sergio Moro com sua equipe. O ex-juiz fazendo pregações sobre condutas moralmente inabaláveis, sobre o combate ao crime organizado, as imparcialidades da Justiça, o respeito às leis e, claro, o grande plano de defesa do cigarro nacional.

Tentem imaginar Sergio Moro pregando moralidades numa reunião no Ministério da Justiça com seus assessores, que, segundo o site Antagonista, o porta-voz do fascismo, agora são mobilizados para caçar jornalistas.

Tentem imaginar Sergio Moro dizendo que a lei é para todos, numa reunião com seus assessores do primeiro time, que vão investigar a vida de quem o governo considera inimigo, segundo o site que noticia tudo o que Sergio Moro deseja, mesmo que sejam apenas ameaças.

Tudo o que for imaginado, por mais absurdo que pareça, nunca será improvável no momento em que o bolsonarismo definha e Sergio Moro é massacrado por deputados que finalmente dizem o que ele de fato é.

Tentem imaginar uma reunião no Ministério da Justiça em que, segundo o site manobrado pelo ex-juiz e pelos filhos de Bolsonaro, os assessores de Moro recebem tarefas que só na ditadura eram executadas.

Mas tentem também imaginar que, entre os assessores de Sergio Moro, existem servidores republicanos que poderão fazer o que um deles fez na Lava-Jato, vazando para jornalistas as conversas dos conluios do juiz com o procurador que ele chefiava.

Se investir mesmo no aparelhamento do Estado, como informa o site que fala pelo fascismo, o ex-juiz estará cometendo o mesmo erro que cometeu na Lava-Jato.

Moro estará afundando de novo no pântano da prepotência e das arbitrariedades de quem se acha mas nunca será uma unanimidade.

Alguém do Ministério da Justiça, que pode ser um servidor, um só, irá denunciar seus desmandos, como fizeram com suas conversas com o procurador subalterno.

Alguém que respeita a instituição em que trabalha sempre trai os que aparelham o Estado.

MANDARAM A CONTA PARA SERGIO MORO

O fracasso das manifestações de domingo é a primeira fatura entregue ao ex-juiz que virou político e vê sumir a chance de virar ministro do Supremo, depois da força destruidora dos vazamentos de conversas pelo Intercept.

Agora, Moro é considerado pelos aliados e pelos inimigos políticos apenas um deles. É nesse pantanal que tanto desdenhou que o ex-chefe da Lava-Jato terá de aprender a se movimentar, ou fracassará também em relação às suas pretensões às eleições de 2022.

Moro já está até procurando acertar o tom, como fez na mensagem que despachou pelo Twitter no domingo: “Eu vejo, eu ouço. Lava-Jato, projeto anticrime, previdência, reforma, mudança, futuro”.

É algo na linha da política de autoajuda, mais religiosa, rasa, que tenta se aproximar do povo com o que tem de pior.
Então Moro vê e ouve. E interpreta assim que o povo quer mais Lava-Jato, combate ao crime, nova previdência. E algo mais vago sobre mudança e futuro.

É o ministro da Justiça fazendo média com o chefe e erguendo a bandeira da reforma da previdência, o mais impopular dos projetos políticos das últimas décadas. Mas é o preço a ser pago.

Há um dado a favor desse Moro religioso. Nas manifestações, foi ele, e não Bolsonaro, o mais lembrado em faixas, cartazes e gritos de guerra. A classe média reage à ameaça de enfraquecimento da sua figura diante dos vazamentos e da possibilidade de libertação de Lula.

Mas há mais coisas contra do que a favor dele. Os políticos, inclusive aliados, começam agora a tramar para fragilizá-lo. Desaparece o ex-juiz que caçava o crime organizado e pretendia ser colega de Luiz Fux. Entra no baile o sujeito que não sabe direito o que poderá ser na semana que vem.

Pelas atitudes, pelo discurso ainda enviesado e pela necessidade de sobrevivência, Moro vai se afastando do homem de preto de gravata borboleta, que frequentava as festas tucanas, e tenta construir a figura do juiz do povo que fará política. Por isso ele vê e ouve, como um mestre que aprende com seus discípulos.

Moro tem ingredientes para ser uma das figuras mais esdrúxulas da política brasileira, porque talvez não se livre completamente dos cacoetes dos togados e possivelmente não consiga alcançar o tom dos que pretende imitar.

O chefe da Lava-Jato desaparece aos poucos como caçador de corruptos e é provável que nada surja em seu lugar. O ex-juiz talvez venha a ser enquadrado pela definição que ele mesmo usou para os mais recentes vazamentos do Intercept. Um balão vazio cheio de nada.

O DELATOR QUE DELATOU A LAVA-JATO

A situação dos procuradores da força-tarefa da Lava-Jato é, a partir de agora, mais dramática do que a de Sergio Moro. Os procuradores sabem que qualquer movimento em falso pode acionar o que eles mais temem: a comprovação de que as mensagens saíram de dentro do comando da masmorra de Curitiba.

Esse é o dilema dos procuradores, reforçado pelos vazamentos mais recentes de mensagens em que eles atacam as arbitrariedades de Moro e articulam a delação de Leo Pinheiro, para que Lula fosse incriminado. Eles sabem que o vazamento de suas conversas não foi obra de um hacker.

O hacker não existe. Os procuradores sabem (e sabem bem, porque estão ali todos os diálogos sobre a operação) que alguém de dentro do esquema vazou as conversas.

Eles podem dizer que não reconhecem a autenticidade dos diálogos. Podem insinuar que as mensagens foram manipuladas, que os vazamentos contêm inverdades.

Mas nunca, em momento algum, nenhum dos procuradores disse: eu nunca falei o que foi vazado pelo Intercetp e pela Folha. Nunca disseram de forma categórica.

Eles não podem dizer. Porque sabem que o anônimo que passou os arquivos ao Intercept é ou foi parte do esquema da tropa de choque da Lava-Jato montada a partir de 2014 pelo Ministério Público.

Foram mais de 30 procuradores, com apoio de técnicos e aspones das mais variadas áreas, todos mobilizados pelo esforço de conseguir delações. As investigações, se é que existem, são na verdade a sequência dos rastros deixados pelos delatores em confissões feitas depois de meses de prisão ‘preventiva’.

Os vazamentos são de conversas dos procuradores. Sergio Moro só aparece porque fala com eles.

Os procuradores sabem bem que dificilmente alguém iria hackear mais de quatro anos de conversas. O Telegram também sabe. O Intercept já disse que não existe hacker.

O Intercept não diz e talvez nunca vá dizer, mas é fácil concluir que os arquivos foram sendo guardados por alguém de dentro da baleia. Esse é o tormento dos vazados. É gente deles.

O Brasil ficou sabendo, por obra desse anônimo, que a operação era conduzida pelo juiz, e não pelo promotor, e que métodos no mínimo questionáveis foram usados para que, em nome da lei, da ordem, da moral e da família, delatores incriminassem Lula e o PT.

Pode aparecer a qualquer momento o hacker que entrou no celular de Sergio Moro. Até pode. A Polícia Federal poderá encontrar alguém ou alguns que seriam os acusados do hackeamento.

Mas isso não terá nenhuma relação com o vazamento das mensagens dos procuradores, mesmo que o governo tente criar essa confusão. E temos certeza de que policiais republicanos não deixarão que se crie essa confusão.

E a divulgação dos vazamentos vai continuar. E os procuradores vão continuar dizendo, a cada vazamento, que não reconhecem isso e aquilo. E vão apontar detalhes irrelevantes sobre incorreções na transcrição dos diálogos pelo Intercept, comuns em qualquer tarefa jornalística, por mais simples que seja.

O que eles não dirão nunca é que nunca disseram aquilo que agora ficamos sabendo.

Os procuradores terão de lidar com o mesmo dilema que criaram para os delatores forçados a incriminar Lula. A Lava-Jato gerou um delator, talvez o mais poderoso de todos eles.

A mais assustadora das criaturas é o delator criado pela própria Lava-Jato.