Os bolsos dos Bolsonaros

É ingênua ou deliberadamente enganosa a interpretação de certos “analistas”, segundo a qual o secretário da Receita foi empurrado para a armadilha de defender a nova CPMF, quando Paulo Guedes é na verdade o pai da ideia.
O jornalismo da direita dá a entender que Marcos Cintra foi demitido por defender o que Bolsonaro não quer, quando Bolsonaro nem sabe direito o que quer.
A nova CPMF foi apenas o pretexto para que Bolsonaro conseguisse mandar Cintra embora. O homem da Receita caiu mesmo porque não tinha a confiança de Bolsonaro.
A Receita, assim como o Coaf e a Polícia Federal, precisa ser aparelhada para que o pai defenda o filho amigo dos milicianos. Cintra andava na direção contrária.
Tudo o que Bolsonaro faz se baseia nos interesses da família. Bolsonaro nem sabe direito o que é CPFM, para que serve e que impacto tem no bolso nas pessoas.
Bolsonaro só cuida dos bolsos da família.

O SUPREMO É REFÉM DO CHEFE DO QUEIROZ?

O Estadão dedicou esses dias longa reportagem às articulações de bastidores de Flávio Bolsonaro. O filho mais afeito a negócios, como gestor da fortuna da família e das relações com os milicianos, teria incorporado o papel de negociador do governo no Congresso e até no Supremo.

Flávio é apresentado como interlocutor importante inclusive de Dias Toffoli. Porque é ele o encarregado de barrar a CPI da Lava Toga.

O sujeito cercado pelo Ministério Público do Rio e beneficiado por uma decisão do mesmo Dias Toffoli trata com Toffoli de uma estratégia para impedir uma CPI que investigaria Toffoli e seus colegas de Corte.

É muito Toffoli na vida de um Bolsonaro acusado de comandar uma quadrilha.

Hoje, o Globo tem outra reportagem sobre Flávio, em que o senador é apresentado como o encarregado pelo PSL de mapear e comandar todas as possibilidades de vitória do partido nas eleições municipais.

Flávio Bolsonaro está num purgatório, beneficiado pela decisão de Toffoli que tira do MP o poder de investigá-lo a partir de informações sobre suas movimentações financeiras. Mas circula nas altas rodas togadas.

As sindicâncias contra Flávio e Queiroz podem desvendar todo o esquema mafioso das milícias cariocas. Mas estão paradas, e o homem continua agindo, enquanto o pai aparelha o que pode para protegê-lo.

Enquanto os promotores do Rio são amordaçados, o amigo dos milicianos manobra em várias frentes, incluindo o Supremo.

Numa situação normal, Flavio Bolsonaro estaria a caminho da cassação.

Mas a nossa normalidade de hoje o transforma em interlocutor do presidente do STF. O Supremo beneficia Flávio e Flávio retribui erguendo a trincheira contra a CPI que ameaça o Supremo.

Os ministros da mais alta Corte do país estariam reféns do chefe do Queiroz?

O cara da metralhadora

O famoso Bar Luiz, no centro do Rio, pode fechar no sábado porque tem dívidas e perdeu clientela. Mas ainda tentam salvá-lo.
Gente de todas as áreas se mobiliza pra chamar a atenção para a situação do bar e adiar o fechamento. E aí o governador do Rio avisa que vai aparecer lá e tomar uns chopis.
Agora, pensa bem. Tu tá lá com a tua turma e aparece Witzel, o cara da metralhadora, pra fazer marketing.
O bolsonarista chega e começa a confraternizar com todo mundo, como se fosse parte do lugar, com aquele jeitão folgado de amigo de miliciano. Não dá.
Coitados dos que tentam salvar o Bar Luiz.

O metrô e a fome

A direita argentina ofereceu aos moradores de Buenos Aires uma experiência única.
O governo da província suspendeu uma linha do metrô, para impedir que as pessoas se mobilizassem em direção ao centro, para um protesto de denúncia da miséria e da fome.
Mas o protesto aconteceu, com repressão e tudo. A foto é do Página 12.