O EX-BOLSONARISTA É INSUPORTÁVEL

A nova praga nacional é a celebridade ex-bolsonarista. Há enxames de ex-bolsonaristas famosos por toda parte. Lobão, Janaína, delegado Valdir, Reinaldo Azevedo, Fagner, Frota, Joice Hasselmann.
Mas o ex-bolsonarista comum não se revela, porque é um tímido. Ele sabe que entrou numa fria, mas não pode dizer que se arrependeu, porque vai virar assunto na família, no trabalho, entre os amigos.
Mas talvez seja bom que ele fique assim por mais um tempo. Porque já é difícil aguentar os ex-bolsonaristas famosos e espalhafatosos dizendo e provando todos os dias que são ex-bolsonaristas.
Se o ex-bolsonarista comum decidir fazer o mesmo, o debate político será monopolizado por eles. É insuportável ver a briga de bolsonoristas X ex-bolsonaristas.
Eles se ameaçam, mas ninguém cumpre o que promete. Bolsonaristas arrependidos blefam muito.
O ex-bolsonarista é muitas vezes um ex-tucano que, por falta de convicção, não deu certo como bolsonarista. E se o sujeito não deu certo como tucano e como bolsonarista, ele vai dar certo como o quê?

O ANTIPETISTA É PERIGOSO 

Como o antipetista lida com a culpa por votar no sujeito que representa o fascismo? Colocando a culpa no lulismo, no petismo, nas esquerdas, em quem estiver por perto.

O antipetista histórico não é apenas o sujeito mais chato do momento, porque repete sempre a mesma desculpa de que o petismo deve fazer autocrítica.

Ele é o mais perigoso. Porque o antipetista mais ativo, que é o antipetista do MDB, legitima o discurso do bolsonarista.

Nesses tempos de não admissão de grandes culpas, o antipetista genérico (inclusive de parte da esquerda) e o antipetista emedebista são os campeões.

Eles nunca bateram panelas, não foram vistos em passeatas andando de cabeça baixa e nunca votaram em Collor ou Aécio. E estão ao lado do gringo de Caxias ou do tucano de Pelotas, que estão alinhados com o sujeito aquele, porque o alinhamento é ‘condicional’.

O antipetista não quer saber que o jaburu e sua turma acabam de ser indiciados pela Polícia Federal pela ladroagem nos portos. Ele precisa justificar seu voto em Bolsonaro.

Foi-se o tempo em que, como aconteceu depois da ditadura, muita gente, incluindo líderes políticos de expressão, demonstraram arrependimento pelo que fizeram (Guazzelli, Teotônio, Magalhães Pinto, Severo Gomes etc). Agora, não.

Todos nós já lemos e ouvimos líderes da grandeza de Olívio Dutra, Raul Pont, Tarso, Koutzii, Suplicy e tantos outros reavaliando as condutas e os erros do petismo e do lulismo.
Alguns fazem todo ano o mea culpa. Falam de corrupção e imoralidades.

Mas não espere nada nesse sentido de um antipetista. Eles apoiaram o golpe contra Dilma, apoiam o jaburu, apoiam tudo o que Sergio Moro faz e agora apoiam até o candidato do fascismo.

Mas o antipetista, principalmente o do MDB, nunca conviveu com corruptos. Ele é um puro a caminho da volta ao poder com Bolsonaro.

A política não ficou apenas regressiva, mais populista, mais demagoga e mais reacionária nesses tempos de adoração ao extremismo que odeia negros, mulheres e gays. Ficou mais cínica e imbecilizante.

Essa é a eleição que pode consagrar a vitória dos imbecis. E o antipetista, como protagonista da imbecilização, sempre orientado pelos jornalistas fofos, é tão ou mais perigoso que o bolsonarista.