Governo minerva

Foi bom o governo de Cármen Lúcia. Nesses dois dias em que substituiu o jaburu-da-mala, não houve aumento do gás e da gasolina e o desemprego e os juros se mantiveram estáveis.
Também não tivemos nenhuma nova denúncia do Ministério Público contra o Quadrilhão. Não se sabe também de nenhuma visita estranha ou fora da agenda ao Palácio dos Morcegos.
O melhor do governo é que Cármen Lúcia não precisou em nenhum momento gastar seu verbo defendendo um voto de minerva.

O PAÍS EM SURTO

Não são apenas os procuradores em jejum que parecem ter entrado em surto. Parte das esquerdas também está em delírio. O delírio do momento é o que recomenda cautela com o jaburu, porque o jaburu seria o fiador da democracia.
O delírio adverte que o cerco ao jaburu, que todo mundo pedia, é um plano diabólico para colocar Cármen Lúcia no poder. Textos com esta tese se espalham pelo FaceBook com um alerta: se isso acontecer, adiós tia Chica. Nada mais terá salvação.
Essa esquerda prega, com ares de ciência, a manutenção do jaburu, em nome da ameaça da perpetuação de Cármen Lúcia (e do Judiciário) no poder. Como se tudo isso tivesse sido combinado com os russos.
Essa é uma alternativa posta a circular há quase dois anos. Cármen Lúcia é um dos sonhos de uma certa direita. Mas quem imagina que possa governar, se não consegue expressar nem mesmo um voto (aquele em favor de Aécio), sem a ajuda da tradução de Celso de Mello. Como se Cármen Lúcia tivesse pulso e condições de assumir, sem nenhum lastro político, um poder esfacelado pelo golpe.
Menos, menos. Não fiquem atirando a esmo para dizer depois que acertaram. Quem atira a esmo são os inimigos fascistas de Lula e da democracia.

O SUPREMO QUE O BRASIL MERECE

Um habeas corpus em favor de um ex-presidente está sendo julgado. Os ministros alegam que um ex-presidente é como um cidadão qualquer.

É retórico. Claro que o julgamento de um habeas para Lula tem suas particularidades (ou somente o julgamento de concessões a Aécio seria diferente?). Fora a carga política e simbólica que Lula carrega.

Há nervosismo, mesmo que Lula seja, pelo que dizem, um cidadão qualquer. Pois então um ministro (Marco Aurélio) decide dizer que precisa pegar o avião…

E começa então um debate se devem ou não suspender a sessão que decide um habeas para o personagem do mais importante julgamento da história do país.

Mas Lula pode ser preso a partir de segunda-feira, quando o TRF4 julga os últimos recursos do caso do tríplex. E o Supremo somente voltará a se reunir dia 4 de abril. Tudo por causa do voo inadiável de Marco Aurélio.

E agora? Que se dê então uma liminar em favor de Lula, para que não seja preso antes da decisão do habeas no Supremo.

Pode, não pode, pode, não deve. E acontece então um dos debates mais constrangedores que a TV já mostrou ao vivo para todo o país. A procuradora-geral Raquel Dodge defende com vigor de acusadora que não se conceda a proteção a Lula.

Os ministros da mais alta Corte não conseguem dizer direito o que pensam e não são compreendidos, não por quem assiste de longe, mas pelos próprios colegas. Alexandre de Moraes gagueja e, acreditem, precisa ser traduzido por Cármen Lúcia..

Mas Lula ganha, enfim, a liminar por 6 a 5, em meio a um debate em que Gilmar Mendes volta a dizer que não gosta de petistas.

Mais duas semanas de espera. Tem a decisão do TRF4 na segunda-feira. Tem Sergio Moro na mesma segunda no programa Roda Viva (essas coincidências…) e só depois, no dia 4, vão julgar o habeas.

E no dia 4 Gilmar Mendes, que defende a concessão do habeas, estará em Lisboa. A votação não seria alterada, porque Lula dependeria de qualquer forma do voto de Rosa Weber. Com a voto de Rosa, daria empate de 5 a 5. E empate favorece o requerente do habeas.

Mas (suprema ironia) um defensor do habeas não estará ali para contribuir com a tese dos advogados de Lula.

O que o Supremo ofereceu hoje foi um grande espetáculo não com pitadas, mas com overdoses de indecisões, manobras, retórica vazia, inseguranças e psicopatias variadas.

Insanidades

Os ‘analistas’ políticos da grande imprensa só enxergam o óbvio. Na sessão do Senado que consumou o golpe, em agosto de 2016, os analistas olhavam a paisagem e nenhum deles, nenhum mesmo, previu a mais espetacular manobra articulada por Renan Calheiros e Ricardo Lewandowski, a tática do fatiamento que evitou a cassação dos direitos políticos de Dilma Rousseff.

Os analistas se baseiam no que a Globo faz ou insinua, como fez nesta quarta-feira de novo com a repetição da entrevista de Cármen Lúcia contra o reexame da prisão de condenados em segunda instância.

Cármen Lúcia continuaria com o controle total da situação que levaria Lula à masmorra, depois de empurrar a decisão do habeas corpus preventivo para o colo dos colegas.

Tudo é possível nesta quinta-feria no Supremo que julga o recurso a favor de Lula. Mas, sendo favorável ou não, a Justiça brasileira nunca mais será a mesma depois desse julgamento.

Se, depois de impedir que Lula recorra em liberdade, o Supremo livrar a cara de tucanos e outros mafiosos da direita, a desqualificação do Judiciário terá chegado a outro patamar.

O julgamento do habeas de Lula não é o julgamento do processo que livrou a cara de Aécio. Os ministros sabem disso. É outra história, com repercussão política de consequências imprevisíveis.

A direita aguarda por uma manobra formalista do STF que provoque a rejeição da demanda de Lula, ou seja, não haveria nem a apreciação do pedido de habeas, o que seria mais um truque para se livrar do abacaxi sem tentar descascá-lo.

Hoje saberemos qual é o limite da insanidade da Justiça na sua Corte alta.

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A Globo manda

A Globo diz todos os dias, descaradamente, que pauta o Supremo. O Jornal Nacional envia esse recado diário aos ministros do STF: vocês não devem reexaminar a prisão de condenados em segunda instância.
A Globo tem certeza de que pauta Cármen Lúcia, com suas aparições diárias no Jornal Nacional, e com isso determina o que o Supremo deve fazer. Não evitem a prisão de Lula.
É uma tática que pode sair pela culatra. Se não sair, a Globo terá espalhado para todo o Brasil que manda no Supremo.

Conselheira Acácia

A Globo fez hoje a grande escada para Cármen Lúcia dizer no Jornal Nacional que, se depender dela, condenado em segunda instância vai pra cadeia. O resto da conversa foi enrolação.
É a nossa conselheira Acácia. Amanhã ela vai aparecer de novo, em algum lugar, dizendo a mesma coisa.
A Globo, que se adonou de Marielle Franco pra tentar enrolar as esquerdas, quer desesperadamente Lula na cadeia.
A Globo não suporta líderes de esquerda vivos.

A REPRISE DO SORRISO DE CÁRMEN LÚCIA

O Jornal Nacional reprisa, dia sim e dia não, trechos de uma entrevista que a ministra Cármen Lúcia deu em janeiro ao repórter Marcos Losekan. É sobre a possibilidade de análise pelo Supremo da prisão de réu a partir de condenação em segunda instância.
É uma campanha descarada da Globo contra a possibilidade de avaliação do tema pelo STF. Para que Lula seja preso.
Hoje, eles podem passar o trecho de novo, principalmente aquele em que Carmen Lúcia diz que “não há pauta” sobre o assunto no momento. A ministra não contém um estranho sorriso, perdido em meio à abordagem de assunto tão sério.
O sorriso foi visto ontem de novo no Jornal Nacional. E a entrevista foi feita há mais de mês. Abaixo, o link.

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2018/01/prisao-apos-segunda-instancia-nao-esta-na-pauta-do-stf-diz-ministra.html

 

SUAVE COM AÉCIO, IMPLACÁVEL COM LULA

Cármen Lúcia, a ministra do voto de minerva que livrou Aécio do julgamento do Judiciário que ela diz defender, é uma das figuras mais patéticas da República.
A presidente do Supremo, que não ergueu a voz para desempatar o caso de Aécio em favor da Justiça, agora é valente para falar alto e atacar Lula e o PT.
Seu voto em favor de Aécio foi tão confuso (empurrando o caso para o Senado) que precisou de constrangedora tradução do colega Celso de Mello, durante a sessão, ao vivo, ou não seria entendido por ninguém.
Para atacar Lula, que tenta reagir à caçada da Justiça, Cármen Lúcia não precisa de tradutor.

COM AÉCIO E COM TUDO

A ministra Cármen Lucia afirma que rediscutir a prisão de condenado em segunda instância, por causa do processo de Lula, seria “apequenar o Supremo”.
O Supremo se engrandeceu mesmo foi com o julgamento do caso de Aécio-da-mala, que a mais alta Corte do país devolveu ao Senado, para que o tucano fosse poupado.
Tudo com o voto de minerva de Cármen Lúcia, que teve de ser traduzido, de tão confuso e constrangedor, pelo ministro Celso de Mello.
Cármen Lúcia preside o Supremo.

Os monges do Supremo

Notícias de jornais informam que os ministros do Supremo estão escandalizados com a briga entre Gilmar Mendes e Luis Roberto Barroso. Mendes acusa Barroso de soltar corruptos e Barroso chama Mendes de mentiroso e de mudar a jurisprudência de acordo com o réu. E seus pares se surpreendem.

Deve mesmo ser um escândalo. O Supremo é o reduto dos monges. É só relembrar alguns exemplos da boa conduta dos colegas dos brigões.
Em 2007, quando Joaquim Barbosa se preparava para assumir a relatoria do mensalão, dois ministros trocaram mensagens pelo computador, flagradas pelo fotógrafo Roberto Stuckert Filho, do Globo.

Os dois ministros fofoqueavam sobre os grupos formados no STF, sobre a apresentação da denúncia e sobre as posições dos colegas, quando Barbosa virou tema da conversa. Um deles escreveu: “Esse vai dar um salto social”.

“Esse” era Joaquim Barbosa, o único negro do STF. A frase foi escrita pela atual presidente do Supremo, Carmén Lúcia. O interlocutor dela nas fofocas era Ricardo Lewandowski, revisor do mensalão, que passaria todo o julgamento brigando com Barbosa.

O próprio Lewandowski daria mais diante seu salto social, quase um duplo twist carpado, como presidente do Supremo, ao comandar a famosa sessão do Senado de 31 agosto do ano passado que aplicou o golpe em Dilma Rousseff.

Os ministros do Supremo estão surpresos com a briga Gilmar-Barroso porque esqueceram outra escaramuça, entre tantas outras, envolvendo o mesmo Gilmar e Joaquim Barbosa.

Foi em abril de 2009. Em determinado momento de um bate-boca, Mendes diz a Barbosa que ele não tem condições de dar lições em ninguém. E Barbosa responde: “Vossa excelência, quando se dirige a mim, não está falando com os seus capangas do Mato Grosso”.

Como aconteceu esta semana na briga com Barroso, o duelo foi encerrado com Gilmar Mendes nocauteado, com um sorriso de canto de boca. Nunca se ficou sabendo detalhes da história dos capangas.

Por isso, porque não se lembram de outros barracos e atitudes esdrúxulas (para usar uma palavra leve), os ministros disseram aos jornais que estão constrangidos com a última briga.

Tão constrangidos como ficaram na sessão que livrou Aécio e empurrou seu caso para a Câmara, quando a ministra Cármen Lúcia não conseguiu tornar compreensível o que afinal havia decidido, no voto de minerva em favor do tucano.

Por tudo isso, se quiserem bons exemplos para tentar reordenar suas vidas, pequenos e grandes bandidos sabem que qualquer exemplo, por mais básico que seja, não será encontrado neste Supremo.