DALLAGNOL PERDE R$ 2,5 BI E TENTA GANHAR R$ 59 MIL

O processo de Deltan Dallagnol por dano moral contra Gilmar Mendes não mira apenas no ministro do Supremo. O procurador vai amedrontar, indiretamente, todos os que apontaram seus atos suspeitos na Lava-Jato em conluio com Sergio Moro.

Mendes foi o que pegou mais pesado, por se considerar devassado pelo Ministério Público, mas não foi o único.
Se conseguir calar o ministro, Dallagnol estará amordaçando muita gente e flanando num ambiente que, apesar de tenso, ainda o protege.

O procurador quer pegar uma indenização de R$ 59 mil da União, porque Mendes falou como ministro do Supremo. É muito pouco para quem pretendia ficar com R$ 2,5 bilhões da Petrobras para uma fundação anticorrupção e teve o empreendedorismo bloqueado pela própria chefe no MP e pelo Supremo.

Lula tentou o mesmo recurso do pedido de indenização por dano moral contra o mesmo Dallagnol, por causa do famoso e infantil powerpoint das bolinhas.

Lula reclamou que Dallagnol o difamou ao apontá-lo como chefe de uma quadrilha, sem apresentar nenhuma prova. O ex-presidente perdeu, e a convicção de Dallagnol venceu.

Agora, em outubro, o juiz Marcus Vinicius Reis Bastos, da 12ª Vara Federal de Brasília, absolveu Lula da acusação de que fazia parte de uma quadrilha, uma denúncia semelhante à de Dallagnol, exposta no powerpoint.

Difamação não é brincadeira. Um dia, quem sabe, peguem os difamadores lavajatistas, que tudo podiam em nome de um moralismo raso e justiceiro, que Gilmar Mendes denunciou com fervor.

Sempre lembrando que Mendes ganhou R$ 30 mil da atriz Monica Iozzi também por difamação. O ministro diz que doou o dinheiro a uma instituição de caridade de Brasília.

Se vencer Mendes, Deltan Dallagnol poderá fazer o mesmo, doando os R$ 59 mil para a fundação que iria criar com o dinheiro da Petrobras.

É pouco, mas pode ser o começo da fundação bilionária idealizada pelo procurador que adora histórias edificantes.

A MORAL DE SERGIO MORO

Sergio Moro pode ter cometido um erro estratégico, com mais uma barbeiragem política. Ao recorrer ao Ministério Público para que o presidente da OAB seja processado por ter dito que ele agia como “chefe de quadrilha”, o ex-juiz provoca uma reação imediata.

A reação é que mais vozes, em várias áreas, repetem que ele se comportava mesmo como chefe de quadrilha, quando passou a telefonar para autoridades e dizer que sabia das mensagens apreendidas com os hackers de Araraquara e que iria tratar de eliminá-las. Sumariamente.

Se processar Felipe Santa Cruz, Moro terá de abrir processos contra dezenas, talvez centenas ou milhares de pessoas. Quanto mais insistir no processo contra o líder dos advogados (o que é um direito do ex-juiz), mais irá provocar o jogral.

Lembremos que Moro era chefe de Dallagnol (pelo menos agia como chefe na Lava-Jato), quando Dallagnol acusou Lula de ser chefe de quadrilha, no famoso powerpoint infantil com as bolinhas azuis. Lula tentou processar o procurador por danos morais.

Um juiz de primeira instância decidiu que não houve dano, que Dallagnol podia chamar Lula de chefe de quadrilha. Era uma convicção, sem provas, tanto que a acusação não constou do processo do tríplex do Guarujá.

Mas o procurador que pretendia ficar rico com palestras podia dizer o que bem entendesse. E pronto.

É possível que aconteça o mesmo agora e o processo de Moro não resulte em nada? Ou o dano moral sofrido pelo pessoal da Lava-Jato é mais danoso do que a afronta contra um ex-presidente?

A moral da direita sempre tem a pretensão de ser mais moral do que a das esquerdas.

Pois muita gente acha que, fora a controvérsia jurídica, as mensagens trocadas entre Moro e Dallagnol são imorais. É o que eu também acho. Mas a moral deles tem privilégios e a imoralidade tem imunidade.

Quem pode ajudar Gilmar Mendes?

Por dizem coisas tão graves a respeito de Gilmar Mendes? Por que o ministro tanto se esforça para preservar sua integridade moral? Ou, dito de outra forma, por que a idoneidade de Gilmar Mendes seria assim tão vulnerável? E quem pode ajudar Gilmar Mendes a entender o que se passa com ele?

Estes perguntas estão no meu texto no Extra Classe online:

www.extraclasse.org.br/exclusivoweb/2016/10/quem-pode-ajudar-gilmar-mendes/