Criadores e criatura

Mirian Leitão, Reinaldo Azevedo, Elio Gaspari, Fernando Gabeira, Willian Waack, Alexandre Garcia, Diogo Mainardi (o homem-mosca), Merval Pereira, Eliane Catanhede. O que esses jornalistas têm em comum?
Todos eles são pais e mães de Bolsonaro. Todos. Mesmo os já arrependidos, que tentam salvar a alma, foram criadores de Bolsonaro.
A criatura é deles. Acrescentem outros a gosto.

O que Mainardi queria?

Globo e Folha declararam guerra a Bolsonaro desde o começo do governo.
O Estadão aderiu depois e ontem publicou um editorial devastador.
Até a Isto É, uma revista moribunda, está sendo ressuscitada para tentar destruir Bolsonaro.
Veja entrou agora na guerra atacando os manos.
Os Bolsonaros perderam aliados como Diogo Mainardi. O que Mainardi queria e não levou da família?
Por que de repente Mainardi, que tanto defendeu Bolsonaro, virou inimigo?

DESAFIO

Tem um jeito de acabar com a conversa sobre a imparcialidade da imprensa.
Se as empresas têm certeza de que atuam com imparcialidade e defendem os interesses da maioria (e não só em vídeos de 15 segundos), que enviem a Curitiba, para a cobertura do 1º de Maio, seus grandes nomes.
Que enviem sem medo a Curitiba Merval Pereira, Alexandre Garcia, Diogo Mainardi, Ricardo Boechat, Ali Kamel, Augusto Nunes, Ricardo Noblat, Cristiana Lobo, Ruy Castro, Eliane Catanhede e outros.
O desafio está lançado. Se qualquer um desses nomes, um só, for capaz de cobrir hoje um evento que reúna povo, estará provada a imparcialidade da imprensa.

O homem-mosca

Olhei por 15 minutos, por curiosidade mórbida, o Manhattan Connection, na GloboNews. São quatro sujeitos de direita falando coisas fora de pauta no Brasil, como se estivessem numa nave com assuntos que só eles dominam, como tratar de Edmund Burke.
E aí desfiam sabedorias sobre um dos pais do pensamento conservador, como se todos eles dominassem Burke.
É o grande besteirol da direita na TV. É circo e enrolação para incautos que não conseguem se desligar do domingo e começar a pensar na segunda-feira. A sensação é de que todos eles estão perdendo vitalidade como apoiadores do golpe.
E me convenci hoje de que este ano finalmente Diogo Mainardi se transforma no homem-mosca (com todo respeito às moscas). O processo de transformação está adiantado.

Diogo Mainardi tem pressa

De onde Diogo Mainardi tira todas as informações sobre Joesley Batista e sua relação florida com o jaburu, para depois abastecer a Globo? Não é da rádio de rua da Aberta dos Morros. É óbvio que Joesley abastece Mainardi.
Mainardi assumiu a tarefa de ser o assessor de imprensa do mafioso. Cada um com sua missão no mundo.
A dúvida é esta: o que mais Joesley tem para passar a Mainardi que possa comprometer ainda mais o jaburu? O que Joesley pode ter contra Lula ou Dilma, além daquela conta secreta que só ele operava?
Algumas teses. A primeira: Joesley pode ter a bala de prata. A segunda: se tivesse, já teria usado. Outra: Joesley já pode ter passado a bala à Mainardi, que estaria apenas esperando para dispará-la.
Mas Diogo Mainardi é afoito demais para guardar até balas de borracha. E, segundo um amigo, ele precisa usar logo tudo o que tem, antes de se transformar no homem-mosca de Veneza.

O guri de recados do mafioso da JBS

Mafiosos sabem a quem recorrer para divulgar ameaças aos inimigos. Joesley Batista, o mafioso da JBS, escolheu o site O Antagonista, de Diogo Mainardi, para divulgar os grampos de conversas com o ex-deputado Rocha Loures e assim atacar o jaburu-rei.

Loures é a já famosa mula do jaburu, flagrado quando carregava uma mala com R$ 500 mil de propina. O Jornal Nacional divulgou hoje conversas em que Joesley tenta marcar, através de Loures, encontros com o jaburu.

A fonte das gravações, citada todo tempo pelo JN, é O Antagonista. O grampo de Joesley comprova que Loures é homem do jaburu-rei.

O JN e O Antagonista estão fazendo dobradinha, há muito tempo, para tentar derrubar de qualquer jeito o antigo aliado, hoje no governo provisório.

É óbvio que gente da turma de Joesley abastece Diogo Mainardi, que se presta ao serviço de mensageiro do sujeito que grampeou o jaburu em março e tentava marcar mais uma reunião com a ajuda de Loures, talvez para completar o grampo.

O trabalho do Antagonista pode ser considerado parte do ‘jornalismo’ da direita golpista?

Não. É mais do que isso. Mais parece prestação de serviços de comunicação a mafiosos, para que eles mandem mensagens públicas com ameaças a antigos cúmplices, agora transformados em suas vítimas.

A mutação

Meu amigo que entende de mutações (tenho amigos em várias especialidades) diz que a transformação do Diogo Mainardi pode se acelerar com a queda da turma dele no Jaburu.

A mutação de Mainardi se encaminha para ser algo entre Bento Carneiro, o vampiro brasileiro, e o Cerveró. É só esperar. Será ao vivo.

Aqui, um ensaio do que poderá ser visto no próximo Manhattan Connection.

Viva o jornalismo

Voltei ontem de Pelotas com vontade de ser repórter de novo. Conversei com alunos e professores da UFPEL, na Semana Acadêmica de Jornalismo, e reforcei duas convicções (das quais tenho também as provas).

Primeiro, estas gerações que estão chegando farão jornalismo melhor do que o feito pela minha geração. E cresce entre os estudantes, pela minha experiência nessas conversas, a postura crítica. Vejo que eles estão cada vez mais espertos.

O que eu disse (e nem precisava dizer) é que não há perenidade no jornalismo conservador ou de direita. O jornalismo é, por vocação, progressista e transgressor.
Jornalistas de direita são apenas propagandistas. Poderiam vender remédio, mas vendem posições retrógradas.

Claro que estudantes e professores sabem disso. Tanto que o Centro Acadêmico que promove a Semana, como eu já observei ontem, se chama Patrícia Galvão, em homenagem à jornalista, poeta, pintora, romancista, feminista e agitadora Pagu.

É improvável que venha a existir um Centro Acadêmico Diogo Mainardi.

Mutações

Ainda sobre o Diogo Mainardi. Tenho um amigo que vê o Manhattan Connection todos os domingos. Ele está certo de que vai testemunhar algo nunca visto na TV.

É este amigo que tenta me convencer de que a qualquer momento Diogo Mainardi pode virar um homem-mosca ao vivo ou alguma coisa gosmenta.

Eu explico a ele que a GloboNews grava o programa. Mas ele insiste que, quando perceberem que o Mainardi está pronto para a mutação, a TV fará  tudo ao vivo.

Ele cita os indícios e as convicções. O tormento da voz desafinada, as expressões do rosto cada vez mais estranhas, as vacilações na construção das frases, tudo isso mostra que Mainardi não está bem.

Eu digo ao meu amigo que isso talvez seja apenas um truque em busca de audiência. E o meu amigo começa a contar então que Reinaldo Azevedo também anda estranho.

E que outros, além do Mainardi e do Reinaldo, também podem estar em estágio de mutação. Vai saber o que o depoimento de Lula em Curitiba fez com essa gente.

Jantar inexplicado

Perdi meu tempo vendo Manhattan Connection ontem à noite, por acreditar numa informação falsa. Me avisaram que Diogo Mainardi iria finalmente explicar o tal jantar em que foi flagrado no restaurante Gero, no Rio, com Aécio Neves e o empresário Alexandre Accioly.

Accioly é apontado nas delações como o laranja do tucano para receber as propinas das empreiteiras.

Mainardi foi visto como participante de um jantar da confraria pelo delator e ex-vice-presidente da Odebrecht Henrique Valladares. O dedo-duro o flagrou alegremente no restaurante com os tucanos.

Fui ver o Manhattan porque gosto das explicações da direita. Mas Diogo Mainardi falou de Lula, de Dilma, do PT, do Vaccari, de Palocci e não falou nada do jantar com os amigos denunciados como propineiros.

Mas deu pra perceber que a cara, os olhos e as sobrancelhas arqueadas de Diogo Mainardi são de uma pessoa atormentada por algum jantar não explicado.

Mainardi parece um sujeito em mutação, prestes a se transformar em outra coisa, um homem-mosca, ou algo assim.