O inverno de 2013

Foi há exatos cinco anos, na grande passeata de 20 de junho de 2013, que os jovens perderam o controle dos protestos de rua e a Globo passou a se apropriar da ingenuidade, da desinformação e dos medos da classe média para preparar o golpe. Este é o meu texto publicado hoje no jornal Extra Classe online.

E os jovens dos 20 centavos?

OS JOVENS ENVELHECIDOS

Vi e revi as cenas de estudantes gritando palavras de ordem da direita, ontem, no saguão da PUC. Eram seguidores do juiz Sergio Moro, que participava do Fórum da Liberdade, e de outros ‘gurus’ que muitos desses jovens preferem não dizer o nome.
O mundo sempre teve jovens reacionários e jovens progressistas, além dos indiferentes e ausentes e dos pretensamente neutros. Quem muda o mundo são, claro, os progressistas.
Um jovem até pode ser conservador na Noruega, onde conservar significa manter o que está bom e funciona, em quase todas as áreas. Mas ser mais do que conservador, ser reacionário no Brasil é brabo.
E o que um jovem ganha sendo reacionário, na idade em que deveria ser um instigador e transgressor do que está dado? Ganha mais de 20 anos nas costas e envelhece na adolescência.
Nunca antes o Brasil teve tantos jovens já idosos como agora. O golpe fez muito mal a muitos jovens.

Os jovens

Encontro seu Mércio numa esquina da Avenida Cavalhada. Ele desce da bicicleta e puxa conversa.
Digo que os eleitores de Bolsonaro terão de prestar contas não aos amigos e colegas, mas aos próprios filhos.
Um dia eles terão de dizer aos filhos, hoje adolescentes ou iniciando a faculdade, o que os levou a votar no Bolsonaro.
E aí seu Mércio me interrompe:
– Quanta ingenuidade. A realidade é dura, meu cumpadi. Tem muito filho dizendo aos pais que devem votar no Bolsonaro.
E monta na bicicleta se vai.

ONDE FOI PARAR A REBELDIA?


Uma grande pauta para o grande repórter da TV brasileira. Me perguntam muitas vezes porque ainda vejo o Fantástico. Eu não vejo o Fantástico. Eu fico de tocaia à espera das reportagens do Marcelo Canellas. Como essa que veremos domingo.
Esta é a chamada de Canellas para a reportagem:
“Onde foi parar a rebeldia da juventude? Onde estaria a inquietude benigna que tantas vezes esteve na vanguarda das mudanças na história da humanidade? Domingo, no @showdavida, os efeitos – sobre a juventude brasileira – da grave crise econômica e política em que estamos metidos.O que a chamada “geração Z” pensa da vida? Ao fazer esta reportagem especial, não pude deixar de me angustiar com o país que estou deixando para os meus filhos”.