O PODER DAS MULHERES ARGENTINAS

A moça da foto é a jornalista, música e militante feminista Mikki Lusardi, que vai dirigir a Rádio Nacional Rock, da rede pública de comunicação cultural da Argentina.
Li ontem no Página 12 (que baita jornal) que Alberto Fernández e Cristina Kirchner indicaram cinco mulheres e apenas um homem para dirigir os veículos sob controle do Estado.
Mavi Díaz Mavi Díaz será a diretora da Rádio Nacional Folklórica; Andrea Merenzón, da Rádio Nacional Clássica; María Marta García Scarano, do canal Encuentro; Cielo Salviolo, do canal Pakapaka, dirigido às crianças; e mais Mikki Lusardi na Rádio Nacional Rock.
No Brasil, as estruturas de comunicação e de suporte à cultura foram entregues à extrema direita machista, que se encarrega de destruí-las, como os bolsonaristas já fizeram no Rio Grande do Sul.
Leio todos os dias que Fernández e Cristina estabeleceram que o governo deve socorrer com urgência as crianças e as mulheres. É a prioridade: dar comida às famílias que Macri levou para a miséria.
Socorrendo as mulheres, o governo cria a rede de proteção para as crianças. A Argentina elegeu um governo assumidamente feminino e feminista.
É para sentir inveja, sim. E para saber que, depois de um período de desmandos da direita, é possível voltar ao poder. Eles têm Cristina, nós temos o Mourão.

OS POBRES ARGENTINOS E OS NOSSOS POBRES

A direita argentina reage com fúria ao esforço de Alberto Fernández para tributar altos rendimentos, fazendeiros e patrimônios e assim poder socorrer aposentados e famílias em situação de miséria.
É a reportagem de capa do jornal Página 12. Lá tudo é feito no sentido inverso do que Bolsonaro faz no Brasil ao favorecer os ricos e tirar o Bolsa Família de mais de 1 milhão de mães, além de deixar mais de 2 milhões de pessoas na fila à espera de benefícios do INSS.
Só que na Argentina os ricos atacam o governo de esquerda, principalmente os latifundiários, que prosperavam enquanto Macri quebrava o país. E os pobres e os miseráveis aplaudem o governo de Fernández-Cristina.
No Brasil, Bolsonaro favorece os ricos e os latifundiários e ainda tem o apoio de boa parcela da classe média e dos pobres que se acham da turma dos fazendeiros, dos grileiros e do pessoal da pato da Fiesp.
Aqui, se um governo decidisse tributar os ricos, como o peronismo kirchnerista faz na Argentina, a classe média e os pobres bolsonaristas iriam para as ruas.
Alguém pode dizer que a maioria dos pobres não apoia Bolsonaro. Mas eles ainda são muitos, mais do que deveriam ser. E o pobre bolsonarista é mais ativo e militante do que o pobre não-bolsonarista.
O pobre bolsonarista é religiosamente bolsonarista. É um pobre de fé, que paga dízimo para ser bolsonarista.

QUANTA DIFERENÇA

Alberto Fernández deixou a Casa Rosada hoje para acompanhar as provas de fim de ano de seus alunos do curso de Direito na Universidade de Buenos Aires.
“A educação pública gratuita é um dos valores mais importantes que temos. Vamos defendê-lo com o exemplo e com os recursos que ele merece”, disse Fernández.
Os estudantes viram a presença com naturalidade, porque esse havia sido o compromisso assumido por Fernández. Ele avisou que voltaria para aplicar a prova.
Aqui, Bolsonaro quer destruir as universidades federais e toda a estrutura do ensino público, enquanto persegue professores, estudantes e servidores.

BAFO NA NUCA

Os jornais dos golpistas bolivianos estão ouriçados. Evo Morales irá se asilar em San Ramón de la Nueva Orán, no norte da Argentina, a apenas 50 quilômetros da fronteira com a Bolívia.
O asilo é para Morales, seu vice, Álvaro García Linera, e mais 12 pessoas. O golpe na Bolívia não sairá tão barato como saiu aqui.

A MENTIRA DE BOLSONARO E A AJUDA DO HOMEM-MOSCA

A disseminação da notícia falsa de Bolsonaro sobre as três empresas que fugiriam da Argentina para o Brasil só foi possível com a ajuda de propagandistas do bolsonarismo, como o homem-mosca.
O site de Diogo Mainardi, o homem-mosca (está aí a reprodução), acordou cedo para noticiar a mentira, às 7h57min.
Só que Bolsonaro postou o texto no Twitter com a bobagem à 1h05min e o eliminou uma hora depois. Alguém estava acordado àquela hora para escrever a mentira.
Quem postou, Bolsonaro ou Carluxo? Talvez tenha sido mais uma obra de Carluxo, com a tática de espalhar uma fake news e depois apagá-la ou desmenti-la, quando o estrago está feito. Ou o presidente do Brasil fica acordado até à 1h para postar mentiras que uma hora depois serão apagadas?
O interessante é que o homem-mosca deve ter sido alertado por alguém do governo para a “notícia”. Por que, se o tuíte foi à 1h05min e logo depois foi apagado, o site do homem mosca vai compartilhá-lo quase sete horas depois?
O homem-mosca apresenta a mentira como “a revanche de Bolsonaro contra a Argentina”. Revanche contra a Argentina? O que a Argentina fez contra Bolsonaro?
O homem-mosca está a serviço do bolsonarismo, mesmo que às vezes bata no pai e nos filhos para fazer uma onda. O homem mosca é o polinizador da direita.

A festa do jornalismo perseguido pelo macrismo

Uma cena emocionante da equipe do canal C5N, de Buenos Aires, comemorando (sim, comemorando) o fim da Era Macri, de destruição da economia, de perseguição à imprensa progressista e de disseminação do ódio, num país que nunca teve tanto desemprego e tanta miséria. Quem quiser, que fique com a imprensa “neutra” e fofa do Brasil. Um dia, meu amigo Alceu Van Der San, teremos um canal de esquerda com a potência da C5N.

Publicado por Moisés Mendes em Domingo, 27 de outubro de 2019

Uma cena emocionante da equipe do canal C5N, de Buenos Aires, comemorando (sim, comemorando) o fim da Era Macri, de destruição da economia, de perseguição à imprensa progressista e de disseminação do ódio, num país que nunca teve tanto desemprego e tanta miséria. Quem quiser, que fique com a imprensa “neutra” e fofa do Brasil. Um dia, meu amigo Alceu Van Der San, teremos um canal de esquerda com a potência da C5N.