A MENTIRA DE BOLSONARO E A AJUDA DO HOMEM-MOSCA

A disseminação da notícia falsa de Bolsonaro sobre as três empresas que fugiriam da Argentina para o Brasil só foi possível com a ajuda de propagandistas do bolsonarismo, como o homem-mosca.
O site de Diogo Mainardi, o homem-mosca (está aí a reprodução), acordou cedo para noticiar a mentira, às 7h57min.
Só que Bolsonaro postou o texto no Twitter com a bobagem à 1h05min e o eliminou uma hora depois. Alguém estava acordado àquela hora para escrever a mentira.
Quem postou, Bolsonaro ou Carluxo? Talvez tenha sido mais uma obra de Carluxo, com a tática de espalhar uma fake news e depois apagá-la ou desmenti-la, quando o estrago está feito. Ou o presidente do Brasil fica acordado até à 1h para postar mentiras que uma hora depois serão apagadas?
O interessante é que o homem-mosca deve ter sido alertado por alguém do governo para a “notícia”. Por que, se o tuíte foi à 1h05min e logo depois foi apagado, o site do homem mosca vai compartilhá-lo quase sete horas depois?
O homem-mosca apresenta a mentira como “a revanche de Bolsonaro contra a Argentina”. Revanche contra a Argentina? O que a Argentina fez contra Bolsonaro?
O homem-mosca está a serviço do bolsonarismo, mesmo que às vezes bata no pai e nos filhos para fazer uma onda. O homem mosca é o polinizador da direita.

A festa do jornalismo perseguido pelo macrismo

Uma cena emocionante da equipe do canal C5N, de Buenos Aires, comemorando (sim, comemorando) o fim da Era Macri, de destruição da economia, de perseguição à imprensa progressista e de disseminação do ódio, num país que nunca teve tanto desemprego e tanta miséria. Quem quiser, que fique com a imprensa “neutra” e fofa do Brasil. Um dia, meu amigo Alceu Van Der San, teremos um canal de esquerda com a potência da C5N.

Publicado por Moisés Mendes em Domingo, 27 de outubro de 2019

Uma cena emocionante da equipe do canal C5N, de Buenos Aires, comemorando (sim, comemorando) o fim da Era Macri, de destruição da economia, de perseguição à imprensa progressista e de disseminação do ódio, num país que nunca teve tanto desemprego e tanta miséria. Quem quiser, que fique com a imprensa “neutra” e fofa do Brasil. Um dia, meu amigo Alceu Van Der San, teremos um canal de esquerda com a potência da C5N.

OS CONSOLOS DA DIREITA

A direita sempre busca consolos nas derrotas (quando não busca golpes). A direita argentina, por exemplo, esperava perder de 7 a 1.
Não foi bem assim. Alberto Fernández fez 48,08% dos votos e Maurício Macri teve 40,5% (com 95% dos votos apurados).
Nas prévias, em agosto, Fernández obteve 49,49% e Macri, 32,93%.
De lá até o dia da eleição, o governo investiu no terror. Provocou alta do dólar, assustou os argentinos com a ameaça de que o país perderia a confiança internacional (que foi o que aconteceu com Macri) e conseguiu melhorar a performance de Macri em mais de sete pontos.
Perdeu de qualquer forma, em quase todo o país, como mostra o mapa em que as áreas em branco são as ainda indefinidas na apuração. Mas não foi o desastre esperado pelo macrismo a partir do que indicavam as pesquisas.
Até dezembro, quando Fernández e Cristina tomam posse, a direita fará tudo para desestabilizar o país, como fizeram no Brasil até a concretização do golpe.
Mas, para dizer o óbvio, a direita argentina não terá lá as facilidades que a extrema direita aliada aos tucanos teve aqui.

O que eles nos ensinam

Lições da Argentina e do Uruguai, que vão às urnas hoje, e do Chile, onde o povo se levanta contra o que seria o modelo de liberalismo para todos.
Em todos, a direita não conseguiu sequestrar a bandeira e suas cores e tampouco se apropriou da camiseta da seleção de futebol.
Na Argentina, eles tentaram encarcerar Cristina antes da eleição, para imitar o que fizeram com Lula aqui. Também não conseguiram.
O único país em que a direita se adonou de símbolos e fez e faz o que bem entende é o Brasil. Nem o Paraguai chega a tanto.
O Brasil só irá se livrar do fascismo no dia em que resgatar a bandeira. Eles podem ficar com a camiseta da seleção, o Neymar e o véio da Havan.

A MÁFIA E A IMPRENSA

A bomba nos pés do jornalismo da Argentina hoje é a denúncia de Pérez Esquivel sobre o esquema de espionagem montado pela direita macrista.
O caso não é novo e já está na Justiça. A novidade é a descoberta de envolvimento de jornalistas da grande imprensa.
O esquema mafioso, para perseguir as esquerdas, especialmente Cristina Kirchner, era comandado pelo falso advogado Marcelo D’Alessio, que agia em conluio com promotores e gente do Judiciário.
A gangue produzia dossiês, extorquia, forçava delações e tentava envolver kirchneristas em falsas denúncias.
O relatório divulgado por Esquivel, que agora envolve a imprensa, foi produzido pela Comissão Provincial da Memória e encaminhado à Justiça.
Tudo muito parecido com o que aconteceu com a Lava-Jato. Falta chegar aqui aos cúmplices que agiam dentro das redações.
O Intercept já deu a entender que sabe quem são. Está na hora de divulgar.

A resposta de Sorín ao amigo de Bolsonaro

Não há hoje no Brasil ninguém parecido com Juan Pablo Sorín, ex-lateral da seleção argentina, que jogou no Barcelona e no Cruzeiro. Sorín foi um craque. É politizado, engajado a questões sociais e tem uma mente brilhante.
Desde ontem, ele está na capa do jornal Página 12, porque Maurício Macri disse mais uma de suas bobagens.
O amigo de Bolsonaro afirmou no Twitter que “o sonho de qualquer menino, que alguma vez chutou uma bola contra uma parede, é jogar na Champions League”.
Sorín respondeu de um jeito que ninguém do meio dito futebolístico do Brasil responderia:
“Presidente, desculpe, mas cada vez que jogava a bola contra a parede eu sonhava com o futebol de várzea, com as crianças, os mais pobres. Meu sonho verdadeiro era ser profissional em meu país e no clube pelo qual eu torço e, claro, o sonho de vestir a camiseta argentina um dia, como Diego (Maradona), Bocha (Bochini), Beto (Alonso), Bichi (Borghi) e tantos gênios para admirar”.
Por isso eles têm Sorín e nós temos Neymar.