AS BOCAS DA DIREITA

Seu Mércio me manda pelo WhatsApp isso que viu num site especializado em pessoas feias em todos os sentidos.
O site diz que a direita faz bocas que ninguém vai encontrar na esquerda. No mundo todo.
As bocas da direita são às vezes assustadoras, quase sempre com as extremidades viradas para baixo. É algo impositivo, que passa arrogância, soberba e insegurança.
São bocas de coronéis, de patos, de tucanos, de golpistas dissimulados e juramentados. Outros são apenas bocas-moles mesmo. Seu Mércio acha que é alguma coisa Lombrosiana.
Ele me informou que há estudos também sobre os narizes grandes da direita.

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MORENINHOS

Descobri ontem, em comentário de Eliane Catanheda na GloboNews, que a reforma da Previdência é inevitável. Foi o que ela disse:  “Dinheiro não nasce em árvore. O governo não pode subir na árvore e sair catando dinheiro”.

Para concluir o comentário, ela disse algo que vai acontecer e arrematou: “Isso são favas contadas”.

Depois falou de como a polícia olha para suspeitos, quando esses são “moreninhos”.

O jornalismo brasileiro regrediu a um palavreado, ditados e metáforas do século 19.

ATÉ QUANDO, BASTINHOS?

Carlos Bastos é um dos sábios do jornalismo gaúcho. Foi mais do que um repórter, foi militante da resistência da Legalidade em 61, sempre ao lado de Brizola.

Encontrei Bastos hoje no velório do nosso amigo Nico Noronha. Bastinhos me puxou pelo braço e me disse no ouvido: “Nunca vi nada igual ao que está acontecendo hoje”.

E ele viu e viveu coisas grandiosas e trágicas desde a Legalidade. Conversamos rapidamente sobre as particularidades do golpe e do Quadrilhão que se apoderou do governo e concluímos o seguinte.

O governo, loteado por medíocres sem votos, tem um poder que nunca governante nenhum teve, nunca, em época alguma. E este governo não tem nenhum apoio popular.

E nunca, nem mesmo na ditadura, um governo esnobou tanto o povo, fazendo o que bem entende contra os interesses da população.

O golpe produziu um fenômeno inédito no Brasil. Os sujeitos que usurparam o poder descobriram que não precisam temer ninguém. E, como observou Bastos, mesmo as mais cruéis ditaduras sempre temeram e temem o povo. O atual regime de exceção não teme nada.

O Brasil inventou uma situação em que elementos denunciados por formação de quadrilha controlam um país anestesiado, sem correr riscos, sem reações, sem incômodos.

Até quando? Bastinhos ouviu minha pergunta, balançou a cabeça e foi embora largando pontos de interrogação de tamanhos variados pelo chão.

 

QUEM SÃO ELES

Fraudadores de vacinas para crianças, falsificadores de azeite de oliva, envenenadores de leite, aplicadores do golpe da passagem aérea e outros pequenos e grandes delinquentes amorais se multiplicam, quase todos soltos.
Se desse para investigar o que esses pilantras privados pensam de questões fundamentais da humanidade, ficaríamos sabendo (apenas para confirmar) seus preconceitos, seus discursos moralistas anti-PT e anti-Lula e em quem votaram e em quem votariam na próxima eleição (se tiver eleição).
A direita tem vocação para o estelionato em massa, para a fraude sem escrúpulos e sem preocupações com o bem-estar e a saúde de ninguém. E tem também vocação para o golpe, qualquer tipo de golpe.
A direita é capaz de ganhar dinheiro com crueldades contra as crianças, como os vampiros dos governos tucanos de São Paulo que roubavam, por superfaturamento, a merenda das crianças.
A direita privada está de tocaia em toda parte, à espera de uma chance de ganhar dinheiro e poder. A direita individualista, egoísta, golpista e fraudadora é repulsiva.

NICO

Nico Noronha foi um grande repórter e um dos jornalistas mais divertidos que conheci. Escrevia com atrevimento e alegria. Fomos colegas na Zero Hora.
Há menos de duas semanas, agora no dia 8, no Bar do Alexandre (conhecido também como Bar do Alemão), no Menino Deus, reencontrei Nico depois de muitos anos, nem sei quantos.
Ele me mandava mensagens com um apelo: vem ao bar que eu faço um churrasco. Eu demorei meses para me submeter à sua sedução. Pois Nico comprou a carne e pediu para que o amigo Paulista pilotasse a churrasqueira de latão na calçada do Bar do Alexandre.
Estávamos lá eu, o Alexandre Kohls, o Carlos Wagner, o Elton Werb, a mulher do Nico, a Marinês, e outros parceiros do Menino Deus.
Adiei muito esse reencontro e vi Nico naquele dia 8 para o que seria nossa despedida. O que me lembro agora é que ele estava feliz e muito engraçado naquela noite. Quem passava na calçada puxava conversa com Nico.
Nico Noronha morreu hoje à tarde. Agora há pouco falei com o Alexandre e o Wagner e concluímos que ele estava sempre assim, numa boa.
Obrigado pelo churrasco e pela alegria, Nico. Obrigado por teus textos, pelo afeto, pelo reencontro e por ter me chamado para o último abraço.