CINCO PERGUNTAS

Ninguém perguntou ontem a Sergio Moro no Roda Viva: onde foi parar o Plano de Defesa do Cigarro Nacional, que ele defendia com ferocidade de lobista logo que assumiu o Ministério da Justiça?

*********

Quem vai abrir a caixa preta criada por Bolsonaro para pagar R$ 48 milhões (QUARENTA E OITO MILHÕES!!!) a uma auditoria que não achou a caixa preta do BNDES?

*********

Regina Duarte vai manter outros simpatizantes do nazismo que, sob o comando de Roberto Alvim, iriam levar adiante o plano de renascimento da cultura nacional?

**********

O que Gretchen sabe sobre a obsessão de Carluxo em atacar a comunidade LGBT, que todos nós temos o direito de saber?

**********

Quanto tempo Regina Duarte ficará no cargo de namoradinha cultural do bolsonarismo?

ACABOU O REPERTÓRIO DE SERGIO MORO

Sergio Moro expôs no Roda Viva o truque que pretende usar para sobreviver. Se continuar na mesma batida, fazendo o papel de ex-juiz, pelo menos não será comido tão cedo.

Não precisa tentar ser menos pior do que já é, porque pode estragar tudo. É a opção pelo mingau requentado da Lava-Jato.
E assim deve se conduzir até a campanha à eleição de 2022, se conseguir se firmar como uma opção da direita ou, o que é mais provável, da extrema direita.
Mas a vida do ex-juiz não está fácil. Moro confirmou na entrevista que é limitado. Tenta, mas não consegue ter um discurso que o apresente como alternativa política ao que está aí e se mostra cansado com o próprio discurso de caçador de corruptos.

Moro já fez seu número e dá sinais de que não tem repertório. Canta a mesma música, cada vez mais desafinado, mas é o que tem a oferecer. Talvez porque, se tentar algo diferente, menos simplório, possa ser desmascarado.

O professor Renato Janine Ribeiro escreveu no Facebook, depois do Roda Viva, que, se a esquerda não reagir, “Moro ganha as eleições hoje e nos tempos próximos”.

É provável que o ex-juiz se mantenha, ainda por um bom tempo, como a melhor opção da direita, segundo as pesquisas. Mas o que o Roda Viva expôs é que, se for para uma campanha, o chefe da Lava-Jato talvez não aguente o bombardeio de questões que não consegue responder, como a convivência mansa e pacífica com corruptos do governo denunciados formalmente, com adoradores do nazismo e com investigados por ligações com milicianos.

Uma coisa é ser entrevistado, com um certo excesso de cordialidade (foram raras as réplicas às bobagens que o ex-juiz dizia), outra é ser jogado na arena de uma campanha com cachorros grandes.

Moro é o Tony Tornado da direita. Só canta uma música, sempre com a mesma dancinha. Mas Tony Tornado sempre teve imposição vocal.

Mais um vexame

Todos os jornalistas (menos os fascistas, os bolsonaristas e os fofos golpistas) são agredidos e ofendidos pela decisão do procurador da República Wellington Divino de Oliveira, que denunciou Glenn Greenwald por “invasão de celulares”.
O Brasil 247 informa que o sujeito é um aliado de Sergio Moro, foi sargento do Exército por 13 anos, persegue Lula desde antes da Lava-Jato e agora caça também o presidente a OAB, Felipe Santa Cruz.
O que ele vai conseguir? Expor o Brasil a mais um vexame mundial.

Guedes é o Roberto Alvim que deu certo

Paulo Guedes diz na maior caradura no Fórum de Davos: “As pessoas destroem o meio ambiente porque precisam comer”.
Quis sugerir, como se falasse para a direita imbecil do Brasil, que os destruidores da Amazônia são os pobres, e não os traficantes de madeira, os grileiros, os latifundiários e os assassinos de índios.
E ainda defendeu a liberação sem limites de agrotóxicos, num evento em que a pauta é a proteção do ambiente.
Paulo Guedes é o Roberto Alvim que deu certo.

SERGIO MORO E AS CRIANCINHAS

Sergio Moro sentiu que o final do Roda Viva se aproximava e fez seu show populista, para mostrar que está cada vez mais longe do Supremo e mais perto de qualquer coisa que a política possa lhe oferecer.

Sem que ninguém perguntasse, disse que fez palestras e que doou os cachês a uma entidade de Curitiba que cuida de crianças com graves deficiências mentais. Disse duas vezes e com certa empáfia.

Um filantropo autêntico, um altruísta genuíno, não diz ao vivo, durante uma entrevista, que faz doações a entidades assistenciais dedicadas a crianças com deficiências.

Ao se exibir como benemerente, Moro igualou-se aos piores demagogos da mesma política que ele vem tentando desqualificar.

Mas não é a propaganda do gesto magnânimo com as criancinhas o que mais conspira contra o ex-juiz. Nem sua famosa trajetória suspeita como chefe seletivo da Lava-Jato.

Nem seu reacionarismo ou seu adesismo ao bolsonarismo sem limites. E tampouco a sua convivência descontraída com gente que enfrenta o cerco do Ministério Público por envolvimento com milicianos.

O problema de Sergio Moro é que ele é fraco, é um cara óbvio, previsível. Moro é o simplório e medíocre que foi empoderado como dono de uma vara especial para correr atrás de Lula.

O Brasil já teve grandes conservadores, mas hoje eles são apenas reacionários medianos ou sofríveis.

As respostas de Sergio Moro são sempre de uma nota só, ele não enfatiza nada, não oferece nenhuma frase que possa tirá-lo da monotonia. Moro é uma ladainha.

O ex-juiz é incapaz de reagir com vigor às denúncias que há contra ele. É um Chevette sempre na mesma marcha. E com aquela voz que não ajuda muito.

Numa campanha, seria pulverizado. É complicada a situação do ministro que Bolsonaro só não manda embora porque os dois estão se afogando. Abraçados.

O ex-juiz no Roda Viva

Algumas notas sobre a participação de Moro no programa da TV Cultura.

Sergio Moro diz no Roda Viva, com um certo orgulho, que pertence ao núcleo duro do governo Bolsonaro. Uau.
Foi surpreendente. Há muito tempo o ex-juiz está mais próximo do que seria o núcleo mole de Bolsonaro.
(Está bom o ímpeto dos entrevistadores. E Moro vem afinando a voz e revirando os olhos acima do normal. E está vermelho. Moro não aguenta uma campanha. Desde o começo da entrevista, em 20 minutos, o ex-juiz já bajulou Bolsonaro quatro vezes.)

…………..

O ex-juiz se encolhe, baixa a voz e diz que não condenou a fala do colega nazista porque não é “comentarista político”.
A impressão, nesse segundo bloco, é a de que o ex-juiz está murchando.
Felipe Moura Brasil, da Jovem Pan, está se esforçando para salvar Moro com perguntinhas de amigo.
Mas no geral ainda falta na entrevista (na anterior também foi assim) aquela vitalidade que tiveram quando entrevistaram Manuela.
A conversa está no moto-contínuo esquemático de pergunta-responde. Poucos interrompem o ex-juiz.

…………..

Moro tenta fazer média com Celso de Mello (que vai definir o caso da suspeição e pode acabar com a reputação do lavajatista), comete uma gafe monumental e diz que Mello “foi um grande ministro”.
O ex-juiz produz uma grosseria e antecipa a aposentaria do ministro que ele pretende substituir.

O QUE O HOMEM-MOSCA TEM QUE MAURO NAVES NÃO TINHA

Diogo Mainardi foi flagrado trocando mensagens como subalterno de Deltan Dallagnol na Lava-Jato. Mainardi, como mostram as mensagens vazadas hoje pelo intercept, comportava-se como empregado da turma de Curitiba.

Pois o sujeito respondeu hoje mesmo às revelações do jornal, com essa frase à la Bolsonaro no Twitter:

“Só agora a bandidagem descobriu que eu apoio a Lava Jato?”

Apoiar a Lava-Jato é o que toda a bandidagem da direita e da extrema direita faz. Isso não quer dizer nada. O que o Intercept mostrou não é apoio. É subserviência, é servilismo.

Mainardi tentou dar uma volta e insinuar que denunciaram apenas um apoio (quando ele vive dizendo que é imparcial) e que isso não é notícia.

Não tem nada de apoio. Tem é comportamento de homem-mosca mesmo, de total atração pelos maus odores da Lava-Jato, como mostram as mensagens.

Mainardi é o cara que ficou ainda mais famoso ao pedir em vídeos que qualquer bandido enviasse a ele coisas comprometedoras contra Lula, o PT e as esquerdas.

Agora, está todo moralista com a divulgação do seu conluio com o lavajatismo, porque foi flagrado por um hacker.

Mainardi é um sujeito bem assustado. Pode ter passado dos limites, se a Globo, dona da GloboNews, levar a sério seus códigos de ética.

Por muito menos, o repórter Mauro Naves foi mandado embora, ao tentar fazer uma conexão do pai de Neymar com um advogado, no caso de Najila Trindade, a moça que havia ido ao encontro do jogador em Paris.

Naves teve, segundo a Globo, conduta inadequada, ao tentar interferir no caso e, pelo que supõem, camuflar ou mediar uma solução para o escândalo, ao invés de divulgá-lo.

É muito semelhante com o que aparece nas conversas do homem-mosca com Dallagnol, que orienta o sujeito a divulgar ou não as informações que o chefe do Antagonista recebe dos procuradores amigos.

Naves foi degolado em um mês, no Jornal Nacional, porque – dizia a nota da Globo – havia “evidências de que suas atitudes neste caso contrariaram a expectativa da empresa sobre a conduta de seus jornalistas”.

Valerá para o homem-mosca o código que, por avaliar condutas impróprias, também determinou a demissão do apresentador Dony De Nuccio?

Naves e Dony não tinham na Globo a proteção da Lava-Jato e de Sergio Moro, como está claro que o homem-mosca tem.

BOLSONARO GANHOU A NAMORADINHA

Agora, é só aguardar o discurso de posse de Regina Duarte com um aparelho de ponto no ouvido.
Regina encantou-se com Bolsonaro no encontro de hoje e topou na hora. Ela tem toda pinta de que poderá ser a Vélez Rodriguez da Cultura.
As bolsa subiram, o dólar caiu e um pelincho saltou de um jacarandá, com seu canto desesperado, e seguiu cantando em gritaria em direção ao Guaíba.
A reação do pelincho é o que mais me preocupa.

PEGARAM O HOMEM-MOSCA

O Intercept pegou Diogo Mainardi, o homem-mosca, que prestava serviços (agora comprovados) para a Lava-Jato.
O homem-mosca não só orientava e era orientado por Deltan Dallagnol, como suspendia a publicação de informações contra amigos da Lava-Jato e poderosos.
A troca de mensagens vazadas hoje só reafirma o que todo mundo sabia, que o homem-mosca trabalhava para a turma de Curitiba. Era um mandalete da força-tarefa para plantar notícias.
Mainardi foi usado até mesmo na briga política (e o que mais?) para escolha do presidente do Banco do Brasil.
A Globo, que mantém Mainardi em Veneza como laranja, para atacar Lula e o PT, dirá alguma coisa sobre o serviçal de Dallagnol e Sergio Moro?
Lucas Mendes, que já foi um dia um grande repórter da Globo, continuará convivendo com o sujeito que participou e talvez ainda participe do esquema lavajatista?
O link para a reportagem do Intercept está na área de comentários.