O simplório

Sergio Moro, o simplório, aposta na imbecilidade bolsonarista para dizer que Bolsonaro ama o Nordeste.
Quando o Brasil se revolta com os comentários do racista, o ex-juiz e chefe do Dallagnol vem com essa:
“Um testemunho: Em janeiro, na crise de segurança do Ceará, o PR @jairbolsonaro , primeira semana de governo, não hesitou em autorizar o envio da Força nacional e da Força de intervenção penitenciária e em disponibilizar vagas em presídios federais para as lideranças criminosas.
Resultado, em conjunto com o Governo Estadual, mesmo sendo o Governador do PT, a crise foi controlada em semanas. Nada mais do que a obrigação. Mas ilustra que o Nordeste tem sido tratado sem preconceito pelo Governo Federal. Afirmações diferentes não resistem aos fatos”.
Afirmações diferentes talvez sejam as saídas da boca do chefe que odeia paraíbas.
Moro acredita que a repressão a bandidos expressa respeito pelo Nordeste.
O ex-juiz deveria falar dos milicianos cariocas.

O Brasil vai continuar miseravelmente acovardado diante dos racistas que odeiam negros, índios, gays, nordestinos, mulheres, pessoas com deficiência, artistas, estudantes, professores, ambientalistas, humanistas, feministas, pobres e crianças?

SÓ OS PARAÍBAS PODEM NOS SALVAR

Foi amplificada desde ontem a pergunta que voa em torno de Bolsonaro como uma mosca que o golpe engordou: qual é o limite do apoio da direita a ele e ao governo, se o próprio Bolsonaro prova todos os dias que suas falas e atitudes não têm limites?

Qual é a racionalidade do apoio de uma direita dita liberal a um presidente que nega a existência de famintos e miseráveis (ainda mais miseráveis desde a eleição) e que ataca nordestinos como paraíbas governados por políticos inimigos, que não devem ter apoio nenhum do governo?

A direita, à espera do FGTS e dos efeitos da reforma da Previdência (que efeitos difusos seriam esses?) não vai brigar com Bolsonaro agora. A direita tentou e recuou da ideia de que Mourão poderia ser uma alternativa. Entraram na arapuca que elegeram e não conseguem sair.

Mas não há alternativa em manobras. A única saída contra a destruição da educação, da saúde, do ambiente, a única forma de salvar o que sobrou de alguma coesão social, das expectativas e, claro, dos restos de sonhos é a reação crítica das pessoas, uma mobilização mínima contra o que está claramente caracterizado como autoritarismo e revanchismo.

E aí há quem debata se Bolsonaro tem método. Não há método na cabeça do ministro do Meio Ambiente que destrói o ambiente? Da ministra da Agricultura que libera venenos? Do cara da Educação que vai acabar com a educação pública? Do Batman da Justiça, que reafirma no governo as táticas da Lava-Jato?

O método básico, bem representado pelos filhos, é o movido pelo ressentimento, pelo ódio, pela perseguição e pela discriminação. Bolsonaro quer destruir tudo que for de esquerda ou que acha que seja de esquerda e governar para os 18% da sua base dita ideológica, formada pelos brancos ricos, a classe média decadente e os pobres que se acham ricos.

Mas e o resto? O resto ainda pensa no que fazer, se é que pensa depois de cada gesto de reafirmação de que a coisa se movimenta mesmo com os militares, com o Supremo e com tudo, incluindo os milicianos.

O resto pode ser dividido entre os tomados pela ignorância profunda, os resignados, os omissos, os cansados, os acovardados e suas subdivisões.

O resto é maior do que Bolsonaro e sua base de apoio, muito maior, mas só uma parte pequena desse resto tem manifestado alguma força para pensar, se articular e reagir. O resto é um imenso resto.

Hoje, só os paraíbas poderiam nos salvar.

E as respostas?

Li agora a entrevista que o Gabriel Jacobsen, da Zero, fez com o novo presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, Victor Laus.
É um caso exemplar de entrevista que vale muito pelas perguntas e não valem quase nada pelas respostas, ou dito de outra forma: as perguntas são as respostas.

https://gauchazh.clicrbs.com.br/politica/noticia/2019/07/se-stf-mantiver-decisao-de-toffoli-vai-enfraquecer-o-brasil-diz-presidente-do-trf4-cjyavrnm7012h01pbmhwjedww.html?fbclid=IwAR1YUFi1cN8Z5T8XOzdKTNWp3E3xcfOjadvzqJPxhSYMLVqnesz1IM-IKMI

A velha tática da Globo

Para defender Miriam Leitão dos ataques de Bolsonaro, a Globo faz no Jornal Nacional o que sempre fez. Atacou Lula e o PT porque no século 20 também teriam atacado a jornalista.
Ninguém manda Miriam Leitão ser isentona, fofa e golpista.
Ela e a Globo merecem os Bolsonaros, o pai e os filhos, que ajudaram a criar. A criatura é deles. Que se entendam.
A Globo defendeu Glenn Greenwald dos ataques das hienas bolsonaristas em Paraty? Não disse nada. Acovardou-se.
Bolsonaro é uma invenção dos que inventaram o golpe e se submeteram ao comando da extrema direita e dos fascistas.
A Globo e Bolsonaro pertencem, na origem, à mesma turma e agora estão apenas em facções inimigas.

GREENWALD É CRUEL COM AS TARAS BOLSONARISTAS

O jornalista Glenn Greenwald cometeu a maior crueldade com os militantes da extrema direita nas redes sociais. Ao dizer que o Intercept não irá divulgar mensagens que contenham intimidades do pessoal da Lava-Jato, Greenwald cortou o barato do bolsonarismo.

O jornalista deixou claro que não fará com Moro, Dallagnol e suas turmas o que Moro fez com Lula, ao grampear e enviar para a Globo diálogos sem nenhuma conotação política. Essa decisão do Intercept foi anunciada desde o começo, mas a extrema direita ainda tinha esperança.

Os bolsonaristas querem mensagens que acionem suas taras. Os textos falsos que estariam circulando pela internet, com informações sobre intimidades de lava-jatistas, mexeram com as fantasias dos adoradores de Bolsonaro.

Muitas das analogias primárias que eles tentam fazer, para refletir sobre qualquer assunto, passam pela ideia da sacanagem. O próprio Bolsonaro é o autor da frase que melhor expressa essa fantasia doentia. “O Brasil é uma virgem que todo tarado quer”.

Machismo, estupro, homofobia, violência são componentes presentes publicamente nas taras da extrema direita. Por isso Greenwald frustra muita gente excitada ao sonegar a possibilidade de divulgação de mensagens íntimas.

O bolsonarista quer mensagens íntimas, as mais devassas possíveis, mesmo que sejam contra os gurus deles. Eles só conseguirão entender o que se passava na Lava-Jato se tiverem acesso a sacanagens.

O bizarro é o combustível do fascista. Como o Intercept não irá divulgar nada do que eles pedem, é provável que eles mesmos passem a criar mensagens com suas obsessões. O fascista é um depravado exibicionista e insaciável.