O GOLPE E OS GENERAIS TAREFEIROS

O economista espanhol Alfredo Serrano Mancilla, diretor do Centro Estratégico Latino-Americano de Geopolítica, repete em artigo no jornal Página 12 uma pergunta sem resposta desde o início do golpe: qual foi e qual será o real protagonismo dos militares na deposição de Evo Morales?

Mancilla observa que os generais não assumiram nenhuma liderança ou iniciativa golpista pública e explícita, quando os chamados cívicos (fascistas), liderados por Camacho El Macho, passam a demonstrar que são capazes de derrubar o presidente.

Mantêm-se indecisos e divididos, até a última hora, e emitem finalmente uma nota, em nome das Forças Armadas, que determina a renúncia de Morales, quando o golpe está então consumado. Haveria golpe sem aquela nota dos militares? Certamente não.

Outras perguntas se relacionam com o fato de que a autoproclamada presidente, Jeanine Áñez, trocou todo o alto comando logo que assumiu.

Por que não houve reação? Estava tudo combinado? Mas combinado com uma figura sem expressão?

Quais serão os próximos movimentos dos militares? É provável que assumam posição subalterna e obediente. E que apenas reafirmem a vocação das casernas nessas circunstâncias, com submissão à direita civil.

Talvez se confirme a suspeita de alguns historiadores. Não há mais na América Latina uma elite militar capaz de golpear e levar adiante um golpe.

Não falta vontade, mas falta preparo e sofisticação aos generais da atual geração. O serviço é encomendado pelos civis, com a ajuda dos americanos, e assumido e completado depois por esses mesmos civis, por mais medíocres que sejam.

Os militares teriam se conformado com a condição de serem apenas tarefeiros dos golpistas e dos déspotas que chegam ao poder pelo voto.

Carluxo em férias

Parte da esquerda está confusa com a ausência de Carluxo das redes sociais esta semana. Porque essa esquerda acha que a guerra da comunicação é contra o Carluxo no Twitter e no Whatsapp.
Se vencerem Carluxo e seus robôs, estará tudo dominado.
Mas Carluxo saiu de férias e nesse momento deve estar brincando de boto na praia da Galheta, em Floripa.
Tem gente que, sem o Carluxo, não tem com quem brigar. Mas Carluxo precisa descansar.

O gauchismo do véio da Havan

Ao se fantasiar de gaúcho, o empresário bolsonarista tenta se apresentar como novo ícone do tradicionalismo de extrema direita.
É o tema do meu texto quinzenal no jornal Extra Classe, nesse link:

https://www.extraclasse.org.br/opiniao/2019/11/o-gauchismo-do-veio-da-havan/?fbclid=IwAR0kdgnfTaXYDLsnZMty92NRh8daEutrsjgIJxCQHiHsNenGTrKAexRTx20

Esconderam a juíza que copia

Tente achar em algum cantinho dos grandes jornais a notícia da decisão do TRF4 de anular uma sentença da juíza Gabriela Hardt. A sentença não vale nada, porque é um plágio, segundo os desembargadores.
Não é do caso do sítio de Lula, mas de um processo de desvio de verbas no Paraná, mas a situação é a mesma.
Gabriela copia e cola sentenças, como fez com o caso do sítio, copiando a sentença de Sergio Moro para a condenação de Lula no caso do tríplex.
Os jornais esconderam a notícia em cantos de páginas. Se copiassem e colassem dos sites e blogs ditos alternativos, teriam a notícia com destaque em suas capas.
Eu publiquei a notícia ontem aqui no blog. Aviso aos jornais acovardados com o bolsonarismo: copiem e colem à vontade.

O VEXAME DA JUÍZA QUE COPIA

A decisão do TRF4 de anular uma sentença da juíza federal Gabriela Hardt, acusada de plágio pelos desembargadores, denuncia a precariedade do Judiciário e expõe uma magistrada que se “inspira” nos argumentos das condenações do ex-juiz Sergio Moro contra Lula.
Gabriela é pupila de Moro. O caso anulado não é de processo da Lava-Jato. Mas demonstra que a juíza tem o costume de colar textos alheios para tomar suas decisões, como fez no caso do sítio de Atibaia.
A magistratura deve se envergonhar da juíza que plagia o Ministério Público (nesse caso da sentença anulada) e que copia seu guru Sergio Moro, no caso da condenação de Lula no processo de Atibaia.
É evidente que, pelos dois exemplos, falta argumentação e saber jurídico elementar à juíza. É grotesco. É mais do que constrangedor, é um fiasco para o Judiciário.
Se fosse uma estudante, a juíza poderia sofrer punições da escola e ganhar fama de plagiadora entre os colegas. Se fosse professora ou escritora, poderia ser processada pelo autor do texto que plagiou. Mas é juíza e herdeira das sabedorias de Sergio Moro.
Espalharam, quando ela ouviu Lula (e disse a famosa frase: “Ex-presidente, se começar nesse tom comigo, a gente vai ter problema”), que a juíza era fera, era durona e implacável. A juíza é fraca.
Está claro que a sentença sobre a farsa de Atibaia, que a juíza plagiou do processo de Moro no caso do tríplex (quando esqueceu de trocar a palavra apartamento por sítio), também será anulada.

A ‘EMBAIXADORA’ DE GUAIDÓ E O BRIOCHE


A Folha me deve um brioche com goiabada. Li essa chamada de capa do jornal na internet, hoje à tarde, e quase me engasguei com um brioche, que tive de cuspir fora. Tive um acesso de riso incontrolável.

Embaixadora de Guaidó? Que história é essa? Uma pessoa é proprietária de uma embaixadora em Brasília? É uma coisa maluca, não pelo fato de ser golpista, mas pelo simples fato de que alguém não pode ter uma embaixada.

Nem Eduardo Bolsonaro pode ter uma embaixada só dele no Texas, uma embaixada de pessoa física, mesmo com todo o poder que tem.

Um sujeito não pode ter uma representação diplomática, nem aqui nem na China que Bolsonaro quer namorar.

Pois joguei fora o brioche e fui ler a matéria, que começa assim:

“A embaixadora Maria Teresa Belandria, que representa o autoproclamado presidente da Venezuela, Juan Guaidó, disse à Folha que que o ingresso de oposicionistas do ditador Nicolás Maduro na embaixada do país vizinho…”

Quer dizer que Maduro é ditador, e a mulher que liderou a invasão com uma turma de milicianos é embaixadora do sujeito que se autoproclamou presidente, mas não governa nada, não tem poder nenhum e fracassou até como golpista? É isso?

Essa notícia não é coisa de estagiário. É besteira de editor de idade. O jornalismo está brincando com a gente e desrespeitando nosso direito de comer um brioche em paz.

A PASSAGEM MISTERIOSA

A informação sobre a passagem de avião que Bolsonaro teria comprado (e aparentemente usado) no dia 14 de março do ano passado, de Brasília para o Rio, precisa ser esclarecida logo pelo jornalismo ou pelo próprio Bolsonaro. Antes da meia-noite.
Vi de novo com calma o famoso vídeo em que, na Arábia Saudita, Bolsonaro ataca a Globo por causa da história do porteiro.
Bolsonaro informa que estava em Brasília naquele dia 14 e fala do registro de presença às 17h41min no painel eletrônico da Câmara. Outro registro de presença é das 19h36min.
Não há nenhuma informação categórica sobre sua presença em Brasília, sobre testemunhas e sobre fatos de que lembra daquele dia.
Não foi um dia comum. À noite, Marielle seria assassinada a tiros. Bolsonaro fala no vídeo dos registros de presença e passa logo a comentar que a Globo estava vazando informações de um processo sigiloso.
Ele está preocupado com o sigilo do processo, e não em reafirmar, com outras provas, que estava de fato em Brasília. Por que não pediu que fossem mostrados os registros de imagem da Câmara? Por que a prioridade naquele vídeo feito de madrugada é atacar a Globo?
Essa história da passagem é a grande pauta do momento, mesmo que somente tenha aparecido agora. Por que só agora?

Destemidos

A deputada Maria do Rosário e o deputado Paulo Pimenta enfrentaram os invasores da Embaixada da Venezuela hoje pela manhã. Foi o que fiquei sabendo porque vi.
Num país amortecido e sob controle quase absoluto da extrema direita, a valentia desses dois merece ser exaltada. Me emocionei com o que vi hoje.
O Rio Grande do Sul, tão ultrajado pelo crescimento da extrema direita de bombacha (incluindo a direita fofa e rococó), tem a mais destemida bancada de esquerda da Câmara.

POR QUE BOLSONARO OFENDEU “ESSE MOURÃO AÍ”?

O que os militares acharam do comentário desrespeitoso feito ontem por Bolsonaro para atingir o seu vice?
O que os generais acham da declaração de Bolsonaro de que escolheu errado o general Hamilton Mourão, quando deveria ter escolhido o deputado-príncipe Luiz Philippe de Orleans e Bragança.
“Você deveria ter sido meu vice, e não esse Mourão aí. Eu casei, casei errado. E agora não tem mais como voltar atrás”, disse Bolsonaro diante de deputados do PSL.
Por que Bolsonaro fez a afirmação diante de deputados que imagina estarem na totalidade com ele? Tanto não estão que, numa reunião fechada, pelo menos um deles vazou para a imprensa a afirmação depreciativa contra “esse Mourão aí”.
Bolsonaro, traído por pretensos aliados, mandou de novo um recado a Mourão, para que não tente derrubá-lo, como insinuaram muitas vezes os filhos do tenente?
Os olavistas já mandaram embora seis generais. Esse é um governo de militares, mas não necessariamente sob o controle de militares. São 2.500 generais e oficiais em altos escalões, segundo levantamento da Folha.
Mas o chefe maior fala mal dos generais e nunca fala mal de milicianos.