A Folha à procura de ex-petistas

A Folha finalmente fez a reportagem sobre as pessoas que aplaudem Bolsonaro e vaiam os jornalistas no cercadinho da saída do Alvorada.
A Folha diz que aquele encontro para as falas agressivas e esdrúxulas de Bolsonaro se chama talkey show.
E o que a Folha descobriu? Eis o título:
“Talkey show de Bolsonaro reúne ex-petistas, padres e youtubers”
A Folha só fez a reportagem depois de achar duas pessoas que votaram em Lula e Dilma. E se votaram em Lula e Dilma e não votam mais, são ex-petistas. E ainda achou um padre.
A reportagem é precária e usa o truque manjado do jornalismo isentão.
Para falar de Bolsonaro, o jornal tem sempre que falar de Lula. A Folha se esforça pra ser o Roberto Alvim da imprensa.

O cara inconsistente

O Ministério da Educação não identificou erros, mas “inconsistências” nas correções das provas do Enem.
Ora, direis, inconsistências. Foram (vamos usar a definição certa) cagadas graves, que prejudicam mais de 30 mil estudantes.
Abraham Weintraub fez os técnicos do MEC tremerem quando falou a palavra.
Se fosse escrever, ele escreveria:
“Foram notadas Inconcistências nas corressões, que serão novamente corrijidas”.
Weintraub apavora o governo mais do que Roberto Alvim apavorava, porque Alvim é nazista mas não é analfabeto.

PERGUNTAS QUE NÃO SERÃO FEITAS A SERGIO MORO NO RODA VIVA

O ex-juiz será entrevistado mais uma vez pelos amigos da TV Cultura nesta segunda-feira. A bancada de jornalistas foi aprovada pelo entrevistado e não terá a participação de profissionais de veículos críticos do bolsonarismo e do lavajatismo.

Será um programa de perguntas e respostas óbvias, que passarão apenas pelas bordas de questões como essas:

1. Por que o senhor, um homem da lei e da ordem, não pede demissão de um governo que acolhe nazistas e defensores da tortura?

2. Por que não condenou o ataque ao prédio da produtora do Porta dos Fundos?

3. É verdade que o senhor chorou (como conta o livro Tormenta, de Thaís Oyama), após saber que seria demitido por Bolsonaro por causa de uma controvérsia no Supremo em torno do caso Queiroz-Flavio Bolsonaro?

4. O senhor admite que, se for candidato, disputará a mesma faixa do eleitorado de ricos e da extrema direita já ocupada por Bolsonaro?

5. Responda rápido: qual seria o seu slogan de campanha?

6. Aceitaria uma acareação com o advogado Tacla Duran sobre a denúncia da venda de acordos de delação em Curitiba?

7. Bolsonaro já disse que o próximo ministro do Supremo será evangélico. O senhor passaria a frequentar templos neopentecostais para agradar Bolsonaro e assegurar a vaga no STF?

8. Deltan Dallagnol pediu seu apoio à criação da fundação com R$ 2,5 bilhões da Petrobras? Aprovaria a criação da fundação que ninguém investiga?

9. O mandante do assassinato de Marielle pode estar no entorno do governo ou de Bolsonaro. Isso não o constrange?

10. Até o ministro Augusto Heleno disse que Bolsonaro é um despreparado. O senhor confia totalmente em Bolsonaro?

Até o Latino

Um fim de semana de grande suspense e tensão. Regina Duarte irá aceitar o cargo na Cultura deixado pelo nazista?
Regina teria como aguentar o tranco, numa área maldita do governo?
Se Regina saltar fora, já estão na fila Fernando Gabeira, Carlos Vereza, Tony Tornado, Fagner e Zezé Di Camargo.
Um candidato corre por fora, o cantor Latino.

VALENTES PELA METADE

Todos os que se revoltaram contra o vídeo nazista vão dizer alguma coisa sobre outras falas fascistas do governo? Ou só se manifestam contra pregações do nazismo?
Os liberais brasileiros, os empresários e os jornalistas fofos continuarão mudos quando Bolsonaro e os filhos defenderem torturadores e a ditadura?
O vídeo do nazista serviu para denunciar os cínicos e os oportunistas. Incluindo altas autoridades do Supremo e do Congresso e gente da área das celebridades.
Condenar um nazista subalterno é fácil. Queremos ver os indignados atacando também os chefes fascistas dessa gente.
Ninguém espera que sejam valentes, mas apenas menos covardes.

NAZISTAS E ANALFABETOS

Um dia é dos nazistas e o outro é dos analfabetos do governo. Eles vão se revezando.
Escreveram “vizualizações”, assim mesmo, com Z, na página do Inep, o órgão que cuida das provas do Enem.
É só mais uma barbeiragem grosseira da área da Educação, com E maiúsculo. O ministro Abraham Weintraub já escreveu “impreCionante”, “paraliZação” e “inSitar” e trocou Kafka por kafta.
Eles estão num ritmo forte. E ainda tem Eduardo Bolsonaro, que comete uma dúzia de erros em três linhas no Twitter.
O melhor de todos, o que não erra, é o Queiroz, mas o Queiroz anda sumido. É uma pena.
Escreve alguma coisa aí, Queiroz.