Rolando Lero

Mais uma entrevista de Fernando Henrique para a Folha (ele deve ter algum convênio). Desta vez sobre um novo livro dele em que fala mal das esquerdas (e FH é a mesma pessoa que escreveu um texto choroso sobre Paul Singer).
A melhor parte da entrevista está aqui, num lampejo de brilho e sabedoria digna da Escolinha do Professor Raimundo.
“Quem vai ganhar a eleição? Não sabemos. Como estamos mudando muito rapidamente, as pessoas têm medo. Essa ideia de que você quer o novo é uma ideia. Mas o novo é o desconhecido”.
Ah, bom.

O homem e suas encruzilhadas

A decisão do Jornal Nacional de transmitir resumos dos discursos dos ministros do Supremo, todas as noites, por qualquer motivo, parece ser um truque para que a população se convença de que não entende mesmo nada do latim que eles falam e das decisões que tomam.
Hoje, o ministro Edson Fachin reforçou uma sensação que passa desde que assumiu. Parece que vai rezar uma missa e depois usa a entonação e as pausas de um sermão.
O ministro não é nada do que esperavam dele, ou esperaram demais, ou Fachin é o homem que finalmente se revela diante das grandes encruzilhadas. E que encruzilhadas.

A espera

A grande imagem inspiradora da resistência. O bravo Leonardo Boff levando chá de banco da Polícia Federal, ao tentar e não conseguir visitar Lula em Curitiba.
Boff foi barrado na portaria, por ordem de uma juíza.
Estamos com Leonardo Boff e Adolfo Esquivel com Lula até o fim.
(Esta foto sensacional, que parece um quadro de Edward Hopper, foi feita pelo Eduardo Matysiak).

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A CADUQUICE DA FOLHA

A Folha tem o melhor humor do Brasil hoje. Esta é de fazer rir a tarde toda. Um texto em que o jornal explica porque não irá chamar o novo presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, de ditador.
Como se isso tivesse alguma importância para alguém. A Folha continua achando que os jornais determinam como definir um governante.
É uma pretensão caduca, de outros tempos. Eu comento e publico a nota como curiosidade. É de matar de rir.
“Diferentemente do que ocorria com Fidel Castro, que foi ditador de Cuba de 1959 a 2008, e com seu irmão Raúl Castro, que governou a ilha de 2008 a 2018, o novo presidente Miguel Díaz-Canel não será chamado de ditador pela Folha.
Cuba é uma ditadura comunista, já que é um regime autoritário de partido único, com repressão a liberdades individuais. No entanto, mesmo com a ascensão de Díaz-Canel a presidente do Conselho de Estado e, portanto, a chefe de governo e de Estado, ele não terá o poder concentrado em sua figura. É sabido que Raúl Castro continuará à frente do Partido Comunista Cubano e das Forças Armadas, de onde de fato vêm as decisões na ilha.
Por isso, em acordo com o Manual da Redação, a Folha tratará Díaz-Canel como líder ou dirigente do regime ditatorial cubano”.

OS PREDADORES DO CAIS

Os adoradores do empreendedorismo a todo custo devem estar abalados de novo, entre os quais muitos jornalistas. A Polícia Federal bateu agora nos investidores da ‘revitalização’ (a palavra é usada por eles) do Cais Mauá.
O projeto do cais está contaminado por fraudes e lavagem de dinheiro. O capitalismo brasileiro dos predadores de espaços públicos trai até os jornalistas fofos que formam sua claque.
E muita gente acha que tudo é feito ‘pelo bem da capital’. Porto Alegre há muito tempo não é mais uma cidade, é um negócio.
As máfias escolheram Porto Alegre.

O velho

A nova sensação da direita a presidente da República chama-se Amoedo. É do Novo que não tem nada de novo. A direita produz um novo por dia.
E ninguém mais fala de Luciano Huck? E Fernando Henrique não descobriu um novo candidato?
A direita não sabe o que fazer depois que prendeu Lula. É a vez do Amoedo.