Vem mais

Estamos todos nos divertindo com a Ursal do cabo Daciolo, porque precisamos rir da capacidade da direita de acreditar em qualquer bobagem.
Mas Daciolo é da turma do folclore do golpismo. Não se enganem. O que a direita profissional está preparando para a eleição é outra coisa.
É bem mais do que Ursal. É Fascistal mesmo.

MOCINHAS E MOCINHOS

A imagem pode conter: 2 pessoas, pessoas sorrindo

A imagem pode conter: Moisés Mendes, sentado e área interna

Quando eu fazia perfis de gente conhecida, rejeitava todas as fotos antigas (aquelas de álbum de família) que seriam aprovadas por publicitários. Meu olho de jornalista queria fotos do lado B, sem retoques, sem frescuras, as da caixa de sapato.
Quem gosta de fotinhos limpas e com boa iluminação e enquadramento perfeito é o pessoal da publicidade, que é pago pra isso, só pra ver coisas bem retocadinhas (foram eles que colocaram gravata, calça de friso e colete de lã em Lula).
Pois agora a campanha eleitoral nos oferece não só fotos produzidas, mas fotos de ficção, como essa em que um Ciro Gomes do século 20 aparece ao lado de uma moça do século 19, que seria a sua vice.
A moça seria Katia Abreu saída de um baile de debutantes. A política tem coisas que nem o pessoal da Ursal imagina.
Eu estou mandando para a equipe que cuida da minha imagem essa foto dos anos 80, de um personagem que eu faria em um filme noir. O filme não saiu, mas eu usei o bigode por um ano.
Se não conseguimos rir de nós mesmos, como diz meu amigo psicanalista Abrão Slavutzky, é porque não conseguimos encarar a vida com seriedade e leveza.
Esta frase é de Abrão: “O humor nos faz duvidar das certezas. É por esse motivo que o fanatismo ou qualquer sistema autoritário não gostam disso”.
Ciro Gomes e Katia Abreu estão de gozação.

 

 

Com Bagre Fagundes

Estive em boa companhia hoje à tarde, no Arrastão Cultural Lula Livre, na orla do Guaíba. Caminhei ao lado do meu amigo Bagre Fagundes.
Encontramos amigos e amigas. Bagre é reconhecido na rua pelo que representa. Ele é a expressão do gaúcho e do Rio Grande.
E tudo isso, é claro, porque – entre tantas virtudes – é o autor, com Nico Fagundes, da nossa música mais bonita e mais tocada.
Só não me perguntem qual é a música, nem onde fica o Alegrete.

 

PADRÕES DE DESENVOLVIMENTO 

(ou POR QUE LULA É O MEU CANDIDATO A PRESIDENTE?)

Carlos Paiva, economista

(Este texto foi originalmente publicado no FaceBook)

Os processos de desenvolvimento nacionais são muito distintos. Mas pode-se identificar três padrões elementares. O padrão inglês-japonês, o alemão-russo, e o ibérico-itálico. A França é uma mistura dos três. A China ainda é uma incógnita.

No padrão anglo-nipônico, o Estado e a Sociedade se abriram pra as reivindicações das classes e estratos subalternos mas emergentes. A estabilidade política destas duas monarquias, bem com a estabilidade constitucional dos EUA tem por base esta plasticidade. Houve revoluções (Puritana, Gloriosa, Independência, Meiji, Guerra Civil Americana, etc.). Mas todas foram marcadas por arranjos de continuidade baseado em concessões dos de cima.

O padrão alemão-russo é muito distinto. O Estado é sólido e resistente às pressões das massas e classes subalternas emergentes. Nestes casos, as pressões e os conflitos se acentuam e, ou são canalizados para fora, via conflito externo, ou impõe um Estado de exceção semi-permanente permeado por processos revolucionários violentos e radicais.

O caso ibérico-itálico distingue-se dos dois primeiros. As sociedades civis e política das penínsulas apresentam grande plasticidade formal e grande resiliência real. Na aparência, são sociedades que transitam da ordem autárquica (produção para o próprio consumo) para a ordem mercantil sem maiores transtornos políticos. Mas isto só é assim porque o Mercado só se impõe até um certo ponto. Ou, para ser mais exato: o Mercado não é apenas REGULADO pelo Estado; TODO O PROCESSO DE DISTRIBUIÇÃO DA RENDA E DA PROPRIEDADE É POLITICAMENTE ORIENTADO. Há Mercado. Mas ele é só de alguns.

Como isto é possível? São inúmeros os mecanismos. Mas três são os principais:

1) As leis são múltiplas, draconianas e contraditórias. Mas elas só valem para alguns. Para os do “topo da cadeia alimentar”, tudo é motivo para pedir vistas, postergar, arquivar e absolver. Para os pobres e para os inimigos políticos, vale a lei mais dura.

2) A regulação econômica é estrita. Tudo passa por alvarás, permissões, licitações, licenças, taxas e etc. E as permissões saem antes para alguns; as licitações sempre são vencidas pelos mesmos (e, se não são, acha-se um problema e ela é feita novamente). Particularmente rígida e detalhada é a regulação financeira. O (peculiar) “Mercado” brasileiro agradece. Penhoradamente.

3) o processo de divulgação das informações é altamente seletivo. O Brasil ocupa a centésima segunda (102) posição no ranking de liberdade e confiabilidade da imprensa dos Jornalistas Sem Fronteira. Esta ONG internacional com sede na França tem representação na maior parte dos 180 países avaliados. O Brasil está atrás de países como Jamaica, Namíbia, Botsuana, Libéria, Panamá, Líbano e Ucrania. De sorte que as informações são tão seletivas quanto o Judiciário. Todo o brasileiro conhece o “déficit da Previdência”. Mas pouquíssimos sabem que nossas taxas de juros são SISTEMATICAMENTE umas das mais elevadas do mundo, enriquecendo os credores e empobrecendo os devedores. Inclusive o Estado.

Por duas vezes, após a Segunda Guerra Mundial, o Brasil tentou modernizar-se e acelerar o seu desenvolvimento pela inclusão dos “de baixo”. Em ambas as vezes, a gestão da política econômica foi bem sucedida e o país cresceu acima da média. A primeira vez foi no interregno Vargas-JK-Jango. A segunda vez foi no período Lula-Dilma.

Nas duas vezes a Mídia e o Judiciário encontraram o que não conseguem ver nos demais governos: corrução! E derrubaram os presidentes eleitos democraticamente. Na primeira vez, contaram com o apoio dos EUA e das Forças Armadas Brasileiras. Da segunda, os EUA traçaram o caminho. E as Forças Armadas (FAs) foram dispensadas.

O golpe busca manter o Estado como ele é: uma instituição “moderno-seletiva”: só os incluídos têm efetivo acesso à Justiça e aos direitos constitucionais. E só os mais incluídos têm direito a vencer licitações e acesso às inside informations que circulam em torno dos órgãos “reguladores”.

Este padrão de reprodução do “atraso” tem que acabar para o bem do país. Em todos os níveis. Sem inclusão da população de baixa renda, não teremos um mercado consumidor expressivo, não teremos paz social, não teremos educação, saúde ou segurança. Sem enfrentar a seletividade do Judiciário, da mídia e dos órgãos reguladores, a CORRUPÇÃO SE PERPETUARÁ NO BRASIL.

As eleições deste ano são as eleições em que o povo vai julgar o Judiciário, a Mídia e o Sistema de Regulação Econômica do país. Estas instituições jogaram de forma pesada para desqualificar um projeto democrático, derrubar uma Presidenta eleita, manchar o nome de inúmeros empresários e políticos, destruir parte expressiva da indústria nacional – da Engenharia Civil e Naval à Proteína Animal -, privatizar o Pré-Sal em leilões de carta marcada, assaltar o país e arrochar os gastos com educação e saúde.

SÓ HÁ UMA FORMA DE DIZER UM BASTA CLARO. SÓ HÁ UMA FORMA DE EXPRESSAR – PACIFICAMENTE – A RECUSA À MANUTENÇÃO DESTE ESTADO DE EXCEÇÃO: ELEGENDO LULA IOU SEU “POSTE”) PRESIDENTE DA REPÚBLICA.

TEMOS QUE APRENDER COM A TRADIÇÃO ANGLO-SAXÃ E NIPÔNICA. A ÚNICA FORMA DE EVITAR O SUB-DESENVOLVIMENTO E AS REVOLUÇÕES É PELA INCLUSÃO DEMOCRÁTICA. URGE FAZÊ-LO.

 

PAIS

Quando militantes das esquerdas e em especial do PT entraram em aflição, em meio às alianças de Brasília que denunciavam as concessões à direita, nos primeiros anos do séculos 21, eu decidi ouvir algumas pessoas para uma reportagem.

Para onde iria a esquerda que enfrentara a ditadura e agora fazia acordos com o que o país tinha de pior?

Uma professora de Novo Hamburgo, militante da resistência numa organização clandestina abrigada no MDB, nos piores anos pós-64, me disse o seguinte: o pessoal da esquerda tem que reaprender a cuidar mais da casa, da mulher e dos filhos, para que a partir daí se habilite a cuidar do país e a querer mudar o mundo.

Era a crítica de uma mulher ainda machucada por um desenlace afetivo (ela pediu para não aparecer na reportagem que fiz para Zero Hora, mas seu depoimento orientou parte das entrevistas que fiz a partir dali). O que ela dizia certamente não era expressão de uma regra ou da maioria. Ela tratava de uma exceção.

Mas essa exceção existiu, à direita e à esquerda. E foi devastadora para as esquerdas. Nesse Dia dos Pais, penso no que ela me disse há quase duas décadas.

O que mudou no atavismo machista das esquerdas que as habilitem a cuidar da casa, da mulher e dos filhos, enquanto pretendem cuidar de projetos, demandas e sonhos coletivos? Que fundamento há na avaliação dessas posturas individuais para que se tenha a compreensão dos tropeços coletivos?

A professora lá daquela entrevista tinha uma tese. A política havia caminhado em direção à desqualificação porque a maioria dos eleitos era formada por sujeitos que pouco ligavam para os cuidados elementares dos que estavam ao seu redor.

O Congresso dos 300 picaretas e dos que derrubaram Dilma prova alguma coisa? A esquerda não soube se defender nem dos pilantras e dos picaretas?

A política dita progressista no Brasil estaria sendo exercida por históricos omissos com a própria casa, submetidos às armadilhas de corruptos miúdos e graúdos, oportunistas e sádicos, a mando de empresários, da imprensa e do Judiciário?

É uma armadilha reducionista? Não entro nessa da depreciação da política. Mas a coisa ficou feia depois do golpe.

A esquerda refeita de equívocos, sustos e artimanhas da direita deve saber avaliar o que se passou nas últimas duas décadas. Para não repetir os mesmos erros e para saber reagir aos avanços do reacionarismo e do fascismo.

Feliz Dia dos Pais a todos os que se redimem e tentam reparar seus erros, depois de acharem que salvariam o mundo antes de salvarem os que estavam por perto.

LITERATURA DE RESISTÊNCIA

Teve choro bom no lançamento do livro Dilma Rousseff – A senhora da democracia (Editora Compactos), ontem à noite. Dois dos autores de crônicas, artigos e poemas do livro, a paraense Iêda Maria Louzada Guedes e o catarinense Fabio Shok, falavam um pouco e choravam. E eram aplaudidos.
A sede do PT municipal de Porto Alegre estava lotada. Foi uma festa com uma boa pegada política e emotiva.
O livro reúne textos de gente de todo o Brasil, entre os quais meus amigos de Porto Alegre, o Ívano Jorge de Castro Correa (que fez uma fala forte sobre a necessidade de maior articulação das esquerdas também nas redes sociais) e a Claudine Rota.
Uma bela ideia de reunir a literatura da resistência, organizada pela Cleusa Slaviero. E, como disse Claudine, uma homenagem não só à Dilma, tema de todos os textos, mas a todas as mulheres que também foram golpeadas em agosto de 2016.
O livro é a prova de que resistiremos com arte e alegria. E, se for preciso, com algum choro.
(As fotos são do Emílio Pedroso)

Amorais

Depois dos ministros do Supremo, agora os procuradores da República terão que viver com apenas R$ 39 mil por mês.
O Ministério Público Federal de Raquel Dodge decidiu seguir o STF de Romero Jucá e aumentar os salários da turma nos mesmos 16,38%.
MP e Judiciário fazem campanhas moralistas seletivas (e não só ‘moralizantes’, como pretendem), sempre atacando os políticos.
Mas se igualam em imoralidade aos desmandos e abusos daqueles que pretendem combater.
Mais do que imorais, esses poderes talvez sejam mesmo amorais.