A PROPINA DA GLOBO

Está protocolada no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) uma representação em que PT, PDT e PSOL acusam a rede Globo de ter ferido a concorrência no caso de propinas da Fifa.
Os partidos também acionaram a Procuradoria-Geral da República para que investigue o crime denunciado por um delator. E ainda pediram ao Ministério da Ciência e Tecnologia que casse a concessão da TV, porque a Globo, ao pagar por fora para obter licença de transmissão de jogos, feriu a Lei Geral de Telecomunicações.
O que vai dar disso tudo? Nada. Nem no Cade, nem no MP e muito menos no Ministério do jaburu. Talvez dê alguma coisa na Suíça ou nos Estados Unidos.
Só teria alguma consequência aqui se tivesse uma reforma em uma cozinha ou se achassem pedalinhos e barcos de alumínio. Não vai dar nada. Nunca dará nada. Nada, nada, nada. A não ser que um filho do Lula apareça na história como homem forte da Fifa.

O homem sem bateria

Não se vê mais ninguém sentado. Apresentadores de TV falam andando. Políticos passam mensagens caminhando. Reuniões de empresas são realizadas sem cadeiras. O mundo não senta, porque a moda é ter pressa.

Os políticos que andam tiveram um clássico na última eleição em Porto Alegre. O candidato a gestor, que depois iria virar o prefeito Despacito, não parava de andar na propaganda de TV.

O eleitor ficou impressionado. Este homem não senta porque é dinâmico, é ágil, é realizador.

As pessoas sentadas passam uma ideia antiga, associado aos líderes reflexivos do século 20. Estes estão fora de moda. Nada mais fora de moda do que aquela imagem do pensador.

Os homens do século 21, os gênios do mercado financeiro, do Estado mínimo, do Quadrilhão, do Trump, do Macron, do Macri não param.

Mas aí descobre-se que quase tudo é marketing e enrolação. Porto Alegre nunca teve um prefeito tão alheio às demandas mais elementares da cidade. Nunca Porto Alegre esteve tão imunda, tão esburacada, tão mal cuidada. Porto Alegre é uma cidade peluda, escabelada.

O sujeito que andava sem parar na propaganda eleitoral é hoje um homem estacionado que agride a população, por não corresponder a nada do que prometeu, agride adversários e ataca até aliados políticos.

Porto Alegre não sabia que o gestor era, na verdade, um velho deputado medíocre apenas com aparência de jovem. Tão medíocre que muitos não sabiam que ele era político.

Nada é mais antigo do que o gestor de Porto Alegre. A cidade nunca teve um prefeito tão lento, tão devagar e tão refratário a conversar e a ceder.

Porto Alegre foi engambelada pelo sujeito que andava sem parar porque, se parasse, teria que se submeter ao sofrimento de pensar em alguma coisa.

E, quando para e pensa, em Paris, ele tem a ideia de instalar carregadores de celular nas paradas de ônibus. Porto Alegre elegeu um prefeito sem bateria e sem carregador.

Falta pegar os tucanos

O que está sendo desvendado no Rio, com um dos galhos do Quadrilhão do PMDB, já poderia ter sido desvendado em Minas e São Paulo, se Polícia, Ministério Público e Justiça fossem tão efetivos com os tucanos como foram até agora com Lula e o PT.

A diferença entre os corruptos do PMDB e do PSDB é que os últimos continuam escapando. Escaparão sempre?

Mas tem um detalhe em relação ao PMDB. O ex-procurador-geral Rodrigo Janot nos indicou quem eram a chefia do Quadrilhão e seus assessores mais diretos. Esses continuam tão livres quanto os tucanos.

(O juiz Sergio Moro voltou a falar de “corrupção sistêmica” para dizer que o melhor exemplo é o do caso do PMDB do Rio. Nunca vi o juiz falar da corrupção sistêmica dos trens e das merendas do PSDB de São Paulo, ou perdi esta parte.)

O nosso Tiririca

O atual gestor Despacito de Porto Alegre pode se revelar, mais adiante, alguém capaz de ter ideias que superem essa do carregador de celular em paradas de ônibus.
Ele terá muito tempo para pensar ideias mais úteis para as paradas e para os ônibus.
Mas moço é, desde já, uma das figuras mais folclóricas da política gaúcha em todos os tempos. Este gestor ainda vai render muito piada.
E um gestor atrapalhado tem lá o seu valor. Esse gestor pode até ter a pretensão de ser o nosso Jânio Quadros, mas é na verdade o nosso Tiririca engomadinho.