PEGARAM O BIVAR

Os Bolsonaros provam que ainda estão no comando. A Polícia Federal está pedalando as portas da casa e de escritórios do deputado Luciano Bivar, presidente do PSL.
O desafeto dos Bolsonaros vai para o sacrifício com as buscas e apreensões da PF. Vão empurrar para Bivar todas as culpas pelos laranjas da campanha de Bolsonaro.
A guerra das facções do PSL não pode parar, porque é reveladora do caráter do partido e do bolsonarismo e suas divisões internas.
O mais conservador jornal brasileiro, o ultragolpista Estadão, diz hoje em editorial que os Bolsonaros e o PSL não são conservadores, mas “reacionários, autoritários e obscurantistas”.
Os Bolsonaros e o PSL são carimbados como fundamentalistas por antigos parceiros. O Estadão ajudou a inventar a família e a estrutura que a sustenta.
Estadão, Folha e Globo são apenas dissidentes da turma dos Bolsonaros. O PSL também é deles.

O professor

Esse talvez seja o mais tomentoso Dia do Professor. Na ditadura, o professor propagava e acolhia inquietações, sempre apontando para a redenção de todos os males pela retomada da democracia.
Professores e estudantes misturavam militância, sonhos e atrevimentos. Foram cassados e caçados. Perderam o direito de lecionar, ficaram sem renda e sem voz. Muitos perderam o direito de estudar.
Mas a democracia viria logo ali. Hoje, a democracia é um bem de significado vago, sem força substantiva e adjetiva, sequestrada pelos déspotas aqui e em toda parte.
O projeto bolsonarista avança, para se apossar do comando das universidades públicas, antes de destruí-las.
Meu abraço aos professores do ensino fundamental, do ensino médio e das universidades, que enfrentam as ameaças dos milicianos do Ministério da Educação e dos governos da direita e ainda resistem. Sem esquecer dos professores de escolas particulares, acossados por pressões às vezes mais insuportáveis do que as das escolas públicas.
Quem imagina que existe saída sem professores e sem estudantes faz o jogo do fascismo.

A conversinha de Tabata

Tabata Amaral no Roda Viva reafirma o que é logo nas primeiras falas. Essa moça é a figura mais egocêntrica da política, talvez mais do que Ciro Gomes.
Ela é quem pratica a nova política. Ela representa a pureza na política. É atacada por ser jovem. Ela é criticada por ser mulher.
Ela é o máximo por ter uma missão aparentemente divina por ser perfeita. É o que ela acha que é.
E Tabata é apenas uma jovem reacionária com a velha conversa da direita.
(E disse na maior cara de pau, no último bloco, que se considera de esquerda.)
Que perigo essa Tabata.

Coringa

Nos anos 70 e 80, num debate depois da sessão, esse Coringa seria explicado de cabo a rabo. Sob os pontos de vista sociológico, antropológico, político, psiquiátrico. E com todas as abordagens possíveis dos clichês freudianos (é o que mais tem no filme).
Tudo se explicava naqueles debates no cinema, que às vezes eram melhores do que o filme.
Todo mundo ia dormir com as explicações oferecidas por pessoas sábias. Aquilo nos confortava.
Quantas vezes, num daqueles debates, uma voz iluminava tudo e aquela cena aparentemente incompreensível ficava cristalina, e as pessoas diziam: é mesmo, é isso, ele pegou a ideia.
Hoje, a coisa tá mais complicada. Coitado do Coringa com o que anda ouvindo a seu respeito.

A EXTREMA DIREITA E O NOBEL

O ministro fundamentalista da Educação quer punir os estudantes com baixo desempenho no Enem. O Nobel premiou três economistas que estudaram o contrário: como se dedicar ao reforço escolar de estudantes com dificuldades de aprendizagem, pelos mais variados motivos.
Os três – Abhijit Banerjee, Elinor Ostrom e Michael Kremer – são economistas, não são educadores. Eles mostram como essa dedicação combate a pobreza e melhora não só a vida das próprias crianças e suas famílias, porque oferece resultados econômicos e sociais para as comunidades.
Parece tão óbvio, mas não no Brasil do bolsonarismo. Talvez os três ajudem a abrir a mente dos que chegaram a concordar com a avaliação do ministro terraplanista.
E não estou falando só de gente da direita. Sabemos que há gente de todo tipo (muitos que se consideram ‘progressistas’) defendendo punição para estudantes que definem como relapsos.
Quando não defendem punição severa para o próprio professor, para a escola, para Paulo Freire…

A resposta do médico

Um caso exemplar de resposta aos racistas, com a letra do médico, o nome e o carimbo. Compartilho do perfil do historiador e professor Tau Golin.

“DOENÇA DE ÍNDIO”
Diretora da escola mandou aluna ao posto de saúde porque, segundo ela, a menina tinha “doença de índio”.
O médico respondeu maravilhosamente, comunicando à diretora:
“Venho através deste, informar que a doença que minha paciente […] apresenta não possui etiologia relacionada à sua etnia/raça.
“Sua aluna não apresenta nenhuma condição infecto contagiosa.
“A CONDIÇÃO DA PSICOPATIA FASCISTA, ESSA SIM, POSSUI ETIOLOGIA DE ORIGEM BRANCA EUROPEIA.
Atenciosamente.
Henrique S. Passo, médico…”
Vocabulário:
Etiologia – estudo das causas das doenças.
Psicopatia – 1 distúrbio mental grave em que o enfermo apresenta comportamentos antissociais e amorais sem demonstração de arrependimento ou remorso, incapacidade para amar e se relacionar com outras pessoas com laços afetivos profundos, egocentrismo extremo e incapacidade de aprender com a experiência.
2 qualquer doença mental.
(Dicionário Houaiss)