Sergio Moro perdeu agora na Câmara o Coaf para o ministério de Paulo Guedes. Quem souber que informe o que Moro ganhou desde que está no governo.
Sem as preocupações do Coaf, o ex-juiz poderá se dedicar com mais empenho ao projeto de proteção do cigarro nacional.

HARVARD E A DIREITA CHINELONA

O governador do Rio mentiu ao publicar em seu currículo que fez doutorado em Harvard. O Globo descobriu que Wilson Witzel está se exibindo. Ele nunca chegou perto de Harvard.
Witzel é juiz federal. O que ele faz (ou fazia) só tem sentido se tiver como base a verdade. O juramento da verdade antecede a decisão de um magistrado. É mais do que liturgia, é da essência da Justiça.
E Witzel mentiu para tentar ser o que não é. Se fosse réu, poderia estar ralado, mesmo que muitas verdades no Brasil, dependendo do juiz, estejam mais próximas da mentira.
O fetiche de Harvard faz com que essa direita metida a culta e grã-fina fique ainda mais chinelona.
Só falta o Queiroz reaparecer dizendo que multiplica a dinheirama dos assessores de Flavio Bolsonaro porque fez doutorado sanduíche em finanças em Harvard.

O DEUS DELES

O Supremo vai decidir que homofobia é crime equiparado ao de racismo. Demorou, mas vai. O que o Senado de um Congresso omisso fez, para oferecer uma resposta e dizer que o STF não pode continuar legislando?
Correu e aprovou hoje na Comissão de Constituição e Justiça um texto que criminaliza a discriminação de LGBTs, mas com uma ressalva.
Em qualquer lugar, público ou privado, uma atitude considerada homofóbica será enquadrada e punida. Menos em templos religiosos.
Em templos e igrejas, LGBTs poderão ser agredidos à vontade pelos seguidores do ‘deus’ de certos adoradores de um certo sujeito.
Diz o texto que não se pode restringir “manifestação razoável de afetividade de qualquer pessoa”. Mas, em nome de uma religião, isso será permitido.
Manifestação razoável? Um casal hétero poderá trocar afetos num templo? Um casal gay não poderá? Não poderá nem se casar?
É mais do que uma besteira, é a reafirmação do preconceito com um disfarce que piora tudo. Um crime que se iguala ao que pretende combater.
É o avanço do reacionarismo religioso misturado ao bolsonarismo. É de envergonhar o diabo.

O AUTOGOLPE

É óbvia demais a estratégia de Bolsonaro em relação às manifestações de rua de domingo. Ele atiçou a turma que aciona a tentativa de mobilização (os filhos, Olavo, milícias virtuais) e ficou à espera das reações.

Os empresários, a direita moderada, boa parte dos ricos que ainda apoiam seus desvarios e até o seu partido decidiram saltar fora. Bolsonaro diz então que também não participará do que planejou e faz o que sempre fez.

Recua, terceiriza as ações (agora até o filho caçula, o Jair Júnior, está no mutirão) e se não der certo, como não vai dar, ele não tem nada com isso. Foi uma invenção dos garotos com o sujeito da Havan.

Se as manifestações atacarem os parceiros do centrão, o Supremo, os generais e até diretamente o vice Mourão, o problema é de quem foi pra rua. Ele, Sergio Moro e Onyx ficarão quietos em Brasília.

Bolsonaro é o Guaidó-jabuticaba. Guaidó não conseguiu derrubar Maduro e Bolsonaro não consegue aplicar um golpe no próprio governo para tentar sair fortalecido, não se sabe como.

Temos uma caricatura grotesca de Jânio, que já era uma caricatura. Mas Jânio não brincava com arminha de dedos e com fuzis.

A devastação

O gestor de Porto Alegre, que promove encontros internacionais de pokemons na ‘orla’, decidiu acabar com o ensino médio nas escolas municipais.
A irracionalidade da direita não abandona apenas os adolescentes, mas comunidades inteiras. É o poder público rompendo vínculos que considera irrelevantes.
O bolsonarismo se alastra na área que mais o incomoda.

Bolsonaro não combinou com ele mesmo e não sabe se apoia o autogolpe que começou a articular com o Carlucho.
É a linha geral das análises (sérias) do cenário de Brasília.
Repetindo: análises sérias.

Muito estranho

Histórias que um dia deverão ser bem contadas. Uma é essa do fuzil da Taurus que será ou seria liberado para qualquer um. E a outra história envolve o estranho esforço de Sergio Moro para proteger a indústria fumageira.
Claro que há outras, mas essas duas histórias são muito estranhas. Uma lei feita para facilitar a venda de um fuzil e um estudo feito para beneficiar os cigarros de uma fumageira.
Um dia saberemos.

O AMOR

Andei lendo que alguns amigos e conhecidos estariam tentando submeter o amor de Lula às conveniências da política. Argumentam que essa não seria a hora de falar de amor.
Mas o amor não tem hora, nem pode ser obediente à pretensa racionalidade dos políticos. O certo seria o contrário.
A política é que deveria seguir os rastros do amor. Quando segue, geralmente dá certo. Quando não dá, é porque não era amor.
Algumas esquerdas, mais do que as direitas, terão de aprender que amar é transgredir quase sempre e é até desagradar amigos que gostam de palpitar sobre os amores dos outros.
Não tentem aprisionar também o amor de Lula. Que esse amor se liberte, se propague e nos contagie, até porque ficamos sabendo que é isso que Lula quer. Que todos fiquem sabendo do seu novo amor.
O amor de Lula por Rosângela faz bem a todos nós. Só faz mal ao bolsonarismo. Amar também é um jeito bom de incomodar os que odeiam.

O MANIFESTO

O documento assinado por 13 governadores contra o armamento. O gestor gaúcho ficou de fora.

Carta dos Governadores sobre o Decreto Presidencial n. 9.785 (07 de maio de 2019) e a Regulação Responsável de Armas e Munições no País
Como governadores de diferentes estados do país, manifestamos nossa preocupação com a flexibilização da atual legislação de controle de armas e munições em razão do decreto presidencial n. 9.785 (07 de maio de 2019) e solicitamos aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário da União que atuem tanto para sua imediata revogação como para o avanço de uma efetiva política responsável de armas e munição no país.
Sabemos que a violência e a insegurança afetam grande parte da população de nossos estados e que representam um dos maiores obstáculos ao desenvolvimento humano e econômico do Brasil. Nesse contexto, a grande disponibilidade de armas de fogo e munições que são usadas de maneira ilícita representa um enorme desafio para a segurança pública do país e é preciso enfrentá-lo.
Por essa razão, é urgente a implementação de ações que melhorem a rastreabilidade das armas de fogo e munições durante toda a sua existência, desde sua produção. Também é fundamental aumentar os meios de controle e fiscalização para coibir os desvios, enfrentar o tráfico ilícito e evitar que as armas que nascem na legalidade caiam na ilegalidade e sejam utilizadas no crime. Reconhecemos que essas não são soluções mágicas, mas são condições necessárias para a melhoria de nossa segurança pública.
Diante deste cenário, e a partir das evidências disponíveis, julgamos que as medidas previstas pelo decreto não contribuirão para tornar nossos estados mais seguros. Ao contrário, tais medidas terão um impacto negativo na violência – aumentando por exemplo, a quantidade de armas e munições que poderão abastecer criminosos – e aumentarão os riscos de que discussões e brigas entre nossos cidadãos acabem em tragédias.
As soluções para reverter o cenário de violência e insegurança no país serão fortalecidas com a coordenação de esforços da União, Estados e Municípios para fortalecer políticas públicas baseadas em evidências e para implementar o Plano Nacional de Segurança Pública e Defesa Social, fortalecendo a prevenção focalizada nas populações e territórios mais afetados pela violência e a repressão qualificada da criminalidade.
Reforçamos nosso compromisso com o diálogo e com a melhoria da segurança pública do país. Juntos, podemos construir um Brasil seguro para as atuais e futuras gerações.
IBANEIS ROCHA
Governador do Distrito Federal
FLÁVIO DINO
Governador do Estado do Maranhão
WELLINGTON DIAS
Governador do Estado do Piauí
PAULO CÂMARA
Governador do Estado de Pernambuco
CAMILO SANTANA
Governador do Estado do Ceará
JOÃO AZEVEDO
Governador do Estado da Paraíba
RENATO CASAGRANDE
Governador do Estado do Espírito Santo
RUI COSTA
Governador do Estado da Bahia
FÁTIMA BEZERRA
Governadora do Estado do Rio Grande do Norte
RENAN FILHO
Governador do Estado de Alagoas
BELIVALDO CHAGAS
Governador do Estado de Sergipe
WALDEZ GÓES
Governador do Estado do Amapá
MAURO CARLESSE
Governador do Estado do Tocantins
HELDER BARBALHO
Governador do Estado do Pará