Começou

Minha candidatura está oficialmente registrada no TRE. Meu número como candidato a deputado estadual pelo PT do Rio Grande do Sul é 13300.
Começa agora a campanha que vale mesmo, com o início efetivo da propaganda eleitoral. A tal pré-campanha, dos últimos três meses, era na verdade uma campanha pela metade, com as restrições da lei que pune quem não tem mandato.
Vamos com Lula, com Haddad, com Manuela, com Rossetto para o Piratini e com Paim e Abigail para o Senado.
Obrigado aos que me honram com a companhia nessa caminhada.
Estaremos juntos pela reconstrução do Rio Grande da diversidade e contra o racismo, a homofobia, a xenofofia e todos os ódios.

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O CRACHÁ

Este crachá tem 16 anos. Foi minha identificação de jornalista na cobertura da arrancada da campanha de Lula em 2002, no dia 24 de julho em Ijuí. Era o lançamento nacional da caminhada à presidência da República.
Eu estava na cidade (onde morei por 10 anos, até 1986) como repórter de Zero Hora.
Não costumo guardar fotos e lembranças de coberturas. Mas o crachá ficou comigo e o apresento agora simbolicamente, nesta quarta-feira, 15 de agosto, data do registro oficial da candidatura de Lula em Brasília.
Precisamos ir até o fim na defesa do direito de ter Lula candidato. É o que o povo quer, para definir a eleição no primeiro turno e começar logo a reconstrução do Brasil destruído pelo golpe.

MAIS UM CAFAJESTE

Mais esta agora. O agente Newton Ishii, o japonês da Federal, adorado pela direita, que em algum momento chegou a competir com Sergio Moro como ídolo dos paneleiros e golpistas, foi agente da ditadura.
É o que ele vai contar amanhã na entrevista que vai ao ar no Conversa com Bial. Quem antecipa a confissão, já gravada, é o jornalista Ancelmo Gois.
O homem, que já foi condenado por corrupção, diz com certo orgulho: “Trabalhei, na época da ditadura militar, em diretório estudantil como infiltrado entre os estudantes. Frequentava as reuniões e depois passava as informações”.
E dizem que já naquela época eles estavam preocupados com a Ursal.
Esses ídolos do tempo antigo da direita já foram perigosos, hoje são apenas simplórios e divertidos.
Os perigosos hoje são outros. Todos sabemos.

O livro

Se a ideia não tivesse sido do meu amigo Luiz Eduardo Robinson Achutti, o livro sobre Lula poderia ser a repetição de uma exclusão.
Explico. Achutti teve uma das grandes ideais do ano, ao sugerir e organizar um livro de fotos inéditas em que Lula é o personagem.
Como Achutti é professor da UFRGS, abriu-se a chance para participação do pessoal daqui. E estou sabendo por ele mesmo que tem muita gente do Sul entre os 35 fotógrafos que participam.
Se tivesse sido uma ideia de alguém do Rio ou de São Paulo, esse livro com preciosidades seria de uma panela dos mesmos de sempre.
É uma queixa recorrente. Mesmo na hora de combater o golpe, as panelas estão a postos, com gente manjada olhando para os umbigos dos amigos.
Um golaço do Achutti e de todos os que participaram. Ele avisará mais adiante onde o livro estará online para ser baixado em PDF.

KÁTIA E O HUMOR

Desde ontem, o assunto é a foto de Kátia Abreu bem jovem ao lado de Ciro Gomes. Por favor, vamos encarar o assunto com a leveza que merece. Não fiquem irritados com os que se divertem com a imagem retocada.
Ninguém está desqualificando Ciro Gomes e Kátia Abreu. Eu mesmo não participo de nenhum entrevero que levante falsas controvérsias sobre as posições do candidato do PDT.
Resumindo: não me convidem para debater falsas questões políticas sobre gente da esquerda. Eu só bato na direita.
Mas a foto é divertida. Configura mais um erro grosseiro de marqueteiros amadores. Que eles, e não os que se divertem com a barbeiragem, sejam atacados.
Os marqueteiros de mão peluda deveriam ser maquiados, fotoshopados e colocados em segundo plano por um tempo, antes que contaminem (como já estão contaminando) também alguns jornalistas com suas ideias esdrúxulas.

OS ABRAMOS PAI E FILHO E OS GOLPISTAS

Morreu Claudio Weber Abramo, referência a todos os que fazem do jornalismo a busca, às vezes desesperada e outras tantas desesperançada, da informação que possa iluminar e revelar o que possa ser a verdade.

Abramo será sempre a inspiração do jornalista engajado às grandes questões da profissão e da humanidade. Foi precursor da dedicação metódica à transparência da informação em todas as áreas como fundador da ONG Transparência Brasil.

Sua missão era saber o que estava escondido nas gavetas, nos cofres e nos biombos do setor público e que alguém ou grupos não querem mostrar.

Era filho de Claudio Abramo, jornalista de esquerda que militou na grande imprensa nos bons tempos em que as empresas não acompanhavam regimes de exceção até o fim.

Abramo pai é um dos maiores nomes do jornalismo brasileiro. No seu tempo, os donos dos jornais estabeleciam algumas condições para continuarem ao lado do poder, mas não como sabujos totalmente sem direitos e sem vontades.

No tempo dos Abramo (o pai morrera nos anos 80), a imprensa saltava fora do apoio incondicional a um golpe para poder sobreviver como negócio e preservar um mínimo de dignidade. Como fez em 68 diante do torniquete da censura.

Essa imprensa não existe mais. O que existe hoje é a mídia como condutora e protagonista do golpe e que nunca irá se arrepender do que fez, porque sobrevive da articulação com os empresários do pato amarelo, o Congresso e o Judiciário.

Abramo, que já estava fora das redações, morre num momento em que os jornalistas vão sendo substituídos por comentaristas das mais variadas áreas na imprensa.

A TV foi loteada por comentaristas da ‘ciência política’ ou da ‘ciência econômica’ ou de outra ciência qualquer.

Esse movimento de abertura a profissionais de outras áreas poderia ser interessante, se não carregasse junto uma desgraça.

A maioria dos comentaristas que ocupam o lugar dos jornalistas é de direita. E muitos deles, que se apresentam como liberais, são declaradamente golpistas.

Nunca, nem no tempo da ditadura militar, a imprensa teve tantos comentaristas golpistas.

 

DESEMBARGANDO

Jornalistas investigativos poderiam desembargar essas histórias confusas sobre as intervenções do presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, Thompson Flores, e do relator do processo do tríplex, João Pedro Gebran Neto, no caso do habeas corpus que assegurava a soltura de Lula.
Conheço muitos repórteres que entrariam nas cavernas dessa confusão, apesar dos bichos feios que os esperam lá dentro.
Assim como está, o caso é no mínimo constrangedor.
Como os desembargadores (e mais a procuradora-geral da República, Raquel Dodge) agiram para que Lula não fosse solto?
Fizeram o que era o certo, ou fizeram o que pode ser considerado pelo menos controverso, numa Lava-Jato já tão cheia de controvérsias?
Já li muitas reportagens sobre essa confusão. Fico sempre com a impressão de que tem algo errado aí. E não parece coisa pequena.
O jornalismo deveria estar louco para esclarecer o que cada um fez para que Lula continuasse preso e se o que foi feito é normal.
Apesar que hoje em dia, nesse mundo da Ursal, nada mais é normal.