O quartel da Fiesp

Paulo Skaf, bolsonarista juramentado, presidente da Fiesp, confirmou em artigo na Folha esta semana a acusação de ex-dirigentes da entidade, que apontam para a militarização da mais importante organização empresarial do país.
Skaf escreve, como se dissesse uma banalidade: “Temos em nosso quadro quatro oficiais de alta patente da reserva em postos de confiança”.
Que postos? Por que militares de alta patente numa entidade civil?
A Fiesp elogia tudo que Bolsonaro faz e decidiu apoiar a criação das escolas militares.
Skaf deve explicações aos líderes que o antecederam e aos empresários que contestam a adesão da entidade à extrema direita.

MORO CAIU NA PRISÃO PREVENTIVA DE BOLSONARO

Será terrível a vida de Sergio Moro como prisioneiro de Bolsonaro, talvez mais tenebrosa do que a dos suspeitos mantidos em prisão preventiva sem fim em Curitiba.

Bolsonaro recuou da ameaça de tirar a área de segurança do comando do ex-juiz, mas tem a chave da cela do ameaçado. Moro está nas mãos de Bolsonaro, como os recolhidos à masmorra da Lava-Jato estiveram em preventivas intermináveis nas mãos do próprio Sergio Moro.

Bolsonaro depende de Moro, que promoveria um grande estrago se saltasse fora do governo. Mas Moro depende ainda mais de Bolsonaro.

As manobras possíveis não são de fácil execução. O ex-juiz pode continuar no governo à espera de um milagre que o transforme de novo em candidato ao Supremo.

O milagre não deve acontecer, nem que se converta em praça pública como o mais fiel dos neopentecostais de todo o país e que essa seja a única chance de Bolsonaro se livrar do aliado que o ameaçaria em 2022.

Moro enfrentou o Congresso, o Supremo, a OAB. Afrontou todos que apontam suas fragilidades e se desqualificou como candidato à vaga de Celso de Mello, que – como disse no Roda vida – “foi um excelente ministro”. Por que foi, se ainda é? Porque Moro tem pressa.

Moro vai ficando porque não tem como sair. Se inventar de ir embora, passará a vagar nos gabinetes dos Podemos, dos Talvez Possamos, dos Poderíamos e do Agora Não Podemos Mais. Moro deixou o conforto de Curitiba, com uma turma só dele, e passa a ser manobrado pelos malandros da política que sempre depreciou.

Vai para uma arena que já tem, na mesma faixa, quase todos sempre andando na direção da extrema direita, o próprio Bolsonaro, Witzel e Doria. E Huck fazendo o papel de bacana do centro e pretendendo se adonar do eleitorado de Lula.

A direita está congestionada e são falsas as certezas de que, pelo que dizem as pesquisas, Moro venceria uma eleição hoje. Muita gente venceu eleições três anos antes, como o ex-juiz venceria agora.

Vai ser divertido ver, na hipótese de sobrevivência e de uma candidatura, o chefe da Lava-Jato desfilando com gente envolvida com caixas 2 e caixas pretas, não mais como colega, como é hoje de muitos deles, mas como líder.

Cópias de Bebiannos, delegados Valdir, Joices, Majores Olímpio e Felicianos estão à espera de Sergio Moro. Bancadas da bala, dos incendiários, do boi, dos exorcismos, dos bancos e dos milicianos o esperam.

Não há nem como escapar da prisão preventiva de Bolsonaro e tentar fugir para as montanhas, porque eles chegaram antes. A planície, a floresta, as montanhas – tudo já é deles, Sergio Moro.

OS ÍNDIOS, OS INCENDIÁRIOS E NOTRE-DAME

Estão impressionados que Bolsonaro tenha dito essa barbaridade, pouco antes de viajar para a Índia:
“Cada vez mais, o índio é um ser humano igual a nós”.
Mas o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, disse essa outra em Davos:
“Assim como não podemos acusar a Austrália de ter queimado suas florestas ou o governo francês de não ter cuidado da catedral de Notre-Dame, o governo brasileiro não deve ser acusado de estar queimando a floresta indiscriminadamente. Não é isso que está ocorrendo”.
Essa da Notre-Dame é digna de um Abraham Weintraub. Nunca seria dita por Bolsonaro, porque Bolsonaro não sabe nem onde fica a Notre-Dame.

A AMARELADA DE BOLSONARO

Sergio Moro ameaçou ir embora, e Bolsonaro recuou mais uma vez. A ameaça de retirar a área da segurança do comando do ex-juiz foi um blefe.
Bolsonaro diz que não é nada disso, que tudo fica como está. Os secretários de Segurança já denunciaram que foi o próprio Bolsonaro quem inventou a história.
Jogou a culpa pela ideia no colo dos secretários, que por maioria o acompanharam na farsa e foram agora abandonados.
E Moro continua. Mas com os milicianos no entorno. Moro passa a cumprir preventiva na masmorra de Bolsonaro.

MORO DESAFIA BOLSONARO

A ameaça já seria forte se tivesse saído apenas em notinha de colunista, como saiu à tarde nos jornais online.
Mas o recado foi transmitido depois a Bolsonaro no Jornal Nacional.
Moro mandou que o JN avisasse: se perder o comando da área da segurança, vai embora. E o JN deu o aviso.
Bolsonaro havia testado a reação do ex-juiz ao dizer, sem que ninguém perguntasse, que seu ministro não gostaria de perder a área da segurança. Foi a primeira ameaça.
E Moro respondeu com o recado sem fonte. O ex-juiz foi para o ataque, como se dissesse: tire a segurança da Justiça, se tiver coragem.
O próximo movimento é de Bolsonaro, que pode fazer o que faz desde que assumiu. Pode recuar e não mexer em nada, depois de ter armado a farsa do que seria um pedido dos secretários estaduais de Segurança para que Moro deixe a área.
Ele é quem deseja esvaziar politicamente o ex-chefe da Lava-Jato.
Sergio Moro deixou Bolsonaro dependurado na própria ameaça.

Trabuquinho

A notícia do dia é a fritura de Sergio Moro. Bolsonaro pode tirar a área da segurança do ex-juiz não só para enfraquecê-lo politicamente.
Bolsonaristas de raiz estariam cobrando políticas mais radicais para a segurança. Moro seria apenas um trabuco calibre 22, que falha muito, e a extrema direita da bancada da bala quer um fuzil AR-15.
Tudo o que se lê sobre o destino de Moro indica que teremos mais um zumbi em Brasília.

O FIASCO DO CALDEIRÃO EM DAVOS

Luciano Huck arrasou em Davos. É o que os sites estão noticiando com destaque, depois de uma palestra em que se apresentou como candidato a candidato à eleição de 2022.
Acreditem no que vocês lerão a seguir, de trecho de reportagem do Terra:
“Huck chegou a citar casos de assistência social exibidos em sua atração na Globo para ressaltar a importância do combate à desigualdade”.
Casos de altruísmo patrocinado, mostrados no Caldeirão do Huck, são apresentados em Davos como exemplos da compreensão que o moço tem das desigualdades e de como acha que ajuda a combatê-las.
Parece uma notícia fake de tão grotesca. E a cara dos magnatas de Davos diante de um sujeito que os considera otários?
O Globo dá em manchete do site o que Huck contou aos milionários e seus seguidores:
“Em Davos, Luciano Huck diz que protestos na América Latina são fruto da desigualdade”.
Um apresentador de TV do Brasil, que vive da exploração das misérias como espetáculo, vai à Suíça, no maior encontro do capitalismo mundial, para anunciar uma descoberta: as pessoas saem às ruas para denunciar desigualdades.
A direita brasileira deve tentar se controlar, ou outros, além de Bolsonaro, levarão os vexames nacionais para o mundo. Essa do Caldeirão é de envergonhar um Maluf.