Palavra de desembargador: “Acho inadmissível palestra remunerada”

O Ministério Público saberá lidar com a controvérsia das palestras de Deltan Dallagnol. Reações corporativas exaltam a honestidade do procurador e argumentam que dar palestras é bom para todos. Inclusive as pagas, que devem ser boas para Dallagnol.
Para alguns, seria melhor ainda se o palestrante, pessoa pública, não passasse a abordar, por antecipação, resoluções que ele mesmo irá adotar como acusador de um caso contaminado pela política.
Eu fiquei em dúvida sobre a história das palestras, até ler a entrevista que o desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, novo presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, de Porto Alegre, concedeu ao Fábio Schaffner, na Zero Hora. Transcrevi ontem e transcrevo hoje de novo este trecho que me alumiou a mente:
“Houve um caso que chegou ao Conselho Nacional do Ministério Público por causa das palestras dos procuradores. Creio que essa situação deve ser repensada, inclusive com relação a magistrados. Meu avô foi ministro do Supremo durante 13 anos e nunca deu palestra remunerada. Acho inadmissível palestra remunerada. Quem tem problema de dinheiro, gosta muito de dinheiro ou está mal de dinheiro, não pode ser juiz da Suprema Corte. Não é forma de aumentar renda”.
O desembargador se refere a Dallagnol e a Gilmar Mendes. Então, para encerrar a conversa: não adiante ficarem dizendo que as palestras são legais e que “uma parte” dos cachês é doada (ninguém sabe ainda pra quem).
As palestras pagas são moralmente insustentáveis.

Jaburu-rei ganha de PSDB e PMDB

A direita deve estar babando com a pesquisa do DataFolha. O PT é hoje o partido favorito de 18% da população. É a melhor marca desde 2013.
PSDB e PMDB têm, empatados, 5% da preferência. Os dois conseguem perder para os 7% de aprovação do jaburu.
A república de Curitiba deve se apressar com as provas indiciárias para inviabilizar a candidatura de Lula.

Perguntas

Em que outro lugar do mundo um golpista com apenas SETE por cento de aprovação se manteria no poder?

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Em que outro lugar do mundo um sujeito em atividade pública, como procurador líder da força-tarefa da mais complexa operação de combate à corrupção, sairia a dar palestras acusando publicamente quem vai depois denunciar à Justiça e faturaria R$ 219 mil num ano?

 

 

A hora das provas indiciárias

No mensalão, a tese que imperou foi a do domínio do fato de Joaquim Barbosa, que acabou por condenar José Dirceu sem provas. Ninguém sabe até hoje se Dirceu é de fato inocente, mas ninguém tem certeza de que ele seja culpado.

Agora, a gambiarra da vez, só para pegar Lula, são as tais provas indiciárias. Como só existe a convicção, que venham as provas indiciárias.

A grande pergunta que se antecipa é esta: o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, vai engolir as imposições dos indícios probatórios de Deltan Dallagnol e Sergio Moro?

Estará aberta a porteira para uma grande safra de processos com provas indiciárias, ou só quando o réu for do PT e da esquerda?

O Tribunal já concordou que Moro faz o que faz e pode continuar fazendo (quando julgou o caso do grampo de Dilma e Lula) porque a Lava-Jato é uma empreitada excepcional da Justiça.

A História está cheia de exemplos de governos e circunstâncias de exceção que recorreram a este argumento.

Pense em quantos dos nossos parentes, vizinhos, colegas de trabalho e desafetos casuais, com quem nos desentendemos alguma vez, poderiam ser condenados com provas indiciárias. Poucos seriam absolvidos. Talvez só os réus da direita.

 

A controvérsia das palestras pagas

O novo presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, de Porto Alegre, Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, entrou na polêmica das palestras pagas feitas por procuradores e juízes.

Leiam o que ele disse em entrevista a Fábio Schaffner, na Zero Hora online:

“Houve um caso que chegou ao Conselho Nacional do Ministério Público por causa das palestras dos procuradores. Creio que essa situação deve ser repensada, inclusive com relação a magistrados. Meu avô foi ministro do Supremo durante 13 anos e nunca deu palestra remunerada. Acho inadmissível palestra remunerada. Quem tem problema de dinheiro, gosta muito de dinheiro ou está mal de dinheiro, não pode ser juiz da Suprema Corte. Não é forma de aumentar renda”.

O Tribunal Regional julga em segunda instância os processos da Lava-Jato. O juiz da Suprema Corte é, claro, Gilmar Mendes. E o procurador é Dallagnol.

 

 

Que privatizem a JBS

Fernando Henrique dá três entrevistas por semana. A revista Piauí, na seção Lupa, constatou que ele anda pra frente e pra trás, que se contradiz, que não diz mais coisa com coisa.

Agora, em entrevista à Veja, ele afirma que a culpa da corrupção são as empresas estatais. Se privatizarem tudo, a moralidade estará de volta ao governo (como esteve no seu tempo no Planalto…).

Pelo que entendi, FH quer a privatização da JBS, Odebrecht, Camargo Correa, OAS, Andrade Gutierrez…

As palestras do procurador

Deltan Dallaggnol pode cobrar R$ 40 mil por palestras com rosáceas de bolinhas azuis num Powerpoint imbecilizante?

Claro que pode. Quem quiser que pague. Pode até doar o dinheiro. Como ele disse que doa o cachê, sem que ninguém tenha perguntado, poderia dizer que entidade é beneficiada.

Não precisa dizer publicamente, que ninguém precisa saber, mas deve informar aos corregedores do Ministério Público que o investigam por causa das palestras.

Se ele faz doações e seus assessores andam propagando que é um filantropo, deve ter como provar, ou apresentar suas convicções.