Nunca antes

Nunca vi uma cobertura de TV se esforçar tanto para esconder um presidente da República.
A imagem do homem do Jaburu passou a ser um incômodo até para a Globo.

….

Pela primeira vez, gostei da fala do homem do Jaburu. Que ele adote como modelo.

Compartilhar

Os tesoureiros

Temos mais um tesoureiro condenado, e desta vez não é do PT, que já teve três deles presos (Delúbio Soares, João Vaccari Neto e Paulo Ferreira, esses dois últimos ainda encarcerados).
O condenado agora pelo juiz Sergio Moro é João Claudio Genu, do PP, que vai pegar oito anos e oito meses de prisão por corrupção na Lava-Jato.
São quatro agora os tesoureiros com rolo na Lava-Jato. Mas nenhum é do PSBD. Os tucanos, pelo que se lê das notícias sobre a participação Deles em propinas, não terão tesoureiro na cadeia.
Porque todas as broncas são transferidas pelo partido para sujeitos que atuavam na ‘informalidade’. Os tucanos profissionalizaram a movimentação do caixa dois com os captadores avulsos, como o já famoso Paulo Preto.
E aí fica de fato difícil para o juiz Sergio Moro.

Se o homem do Jaburu não tem coragem de ir ao funeral da despedida aos mortos da tragédia que abalou o país, onde ele poderá aparecer em público a partir de agora?
Se não for ao velório, deixará de ser apenas o mais medíocre dos presidentes brasileiros. Terá ignorado a comoção e a solidariedade para ser também o mais covarde de todos.

Os três charutos cubanos

cuba

Estes três charutos cubanos estão no meu escritório há mais de 10 anos. Os anéis de papel de identificação estão esbranquiçados, já sem a marca, mas os três charutos têm nome: Fidel Castro, Che Guevara e Camilo Cienfuegos.

Os outros charutos que vieram de Havana junto com esses três foram consumidos enquanto fui fumante, antes de ganharem nomes. Os charutos foram um presente dos meus amigos Mário Marcos de Souza e Maria Helena, quando estiveram em Cuba.

Mário Marcos me entregou aquele monte de charutos, que eu pensei em socializar com o Kadão Chaves. Kadão entende até do tipo de fumaça que cada um produz. Depois, pensei bem e, por egoísmo, por ser um socialista bastante imperfeito, acabei ficando com todos.

Guardo os três charutos pela força afetiva que carregam e porque me levam a Havana. Já estive em Porto Rico, ali do lado, onde fui a trabalho, mas planejei e adiei viagens e nunca visitei Cuba, apesar de me acusarem de ser comunista.

Pois me lembrei dos presentes agora porque li na Folha que os turistas que foram a Cuba para os funerais de Fidel estranham que não há souvenirs à venda com a cara dele em Havana.

Não há chaveirinhos, canecas, camisetas. As lembrancinhas do comandante morto, que muita gente achou que encontraria em qualquer parte, não existem em Cuba.

Cuba não ganha dinheiro com a morte. A repórter Sylvia Colombo conta que as lojas podem vender apenas camisetas com a imagem do Che, porque Che é um mito. Mas nada de Fidel.

Quem sabe mais adiante? Quem sabe… Por enquanto, o comunismo trata bem da sua reputação e da imagem de seu chefe.

Penso nisso e olho para os meus três charutos e penso nas virtudes e nos defeitos de Cuba. Mas penso principalmente que a direita e suas assemelhadas, que tentam tirar proveito até de tragédias, nunca entenderão o que há de respeito e de dignidade numa atitude como essa de não ganhar dinheiro com a imagem do líder que morreu.

 

Falta algo

Há frustração entre os fãs mais ardorosos do juiz Sergio Moro, depois do debate de ontem no Senado.
O juiz ficou aquém do esperado por seus seguidores. Falta um pouco de brilho ao magistrado para que possa se impor diante de oponentes do porte de um Roberto Requião, um Lindbergh Farias e até um Gilmar Mendes.
Em público, Moro não consegue reproduzir a imagem de poderoso que criaram em torno dele. É um interlocutor apenas mediano de um debate complexo, que exigiria alguém mais talentoso.