E aqui?

Essa ideia das toucas cor de rosa foi fantástica. As mulheres americanas mandaram dizer às mulheres brasileiras que é, sim, possível sair às ruas em festa contra a direita.

E isso que o Trump foi eleito. Aqui, o governo que odeia mulheres chegou ao poder depois de um golpe.

Como seria bom ver as brasileiras fazendo algo parecido, porque os homens andam meio encaramujados.

 

Perdidos

Li agora as declarações acacianas do juiz Sergio Moro, feitas no velório de Teori Zavascki, e fiquei imaginando o improvável, diante desta torcida da direita e dos ingênuos para que ele seja indicado para o Supremo.
Fiquei imaginando esse juiz de retórica limitada e frases colegiais numa sabatina do Senado.
Não porque os senadores possam fazer grandes perguntas. Mas porque o juiz certamente ofereceria pequenas respostas. Não imagino Sergio Moro dissertando sobre as grandezas e as fraquezas da Justiça.
Só imagino Sergio Moro dando entrevistas para jornalistas amigos e ditando frases como esta que disse no velório e que é manchete da Folha: “Nem tudo está perdido”.
Perdidos mesmo estamos nós.

Eles são muito chatos

O que impressiona nas aparições públicas de Donald Trump nem é o reacionarismo, é a precariedade do discurso (como se viu de novo ontem).

Os reacionários do mundo perderam a capacidade de produzir e expressar ideias complexas, mesmo que tortas, discriminadoras e amorais.

A retórica dos reacionários é rasteira, e nem sempre foi assim. Trump sustenta sua fala no primeiro estágio do senso comum, a praga do século 21.

O senso comum internacional, este que contagia a todos via internet, é o mesmo de um Temer, um Reinaldo Azevedo, um Sergio Moro, um Bolsonaro ou um Trump.

Todos falam em nome do povo, da moral, dos bons modos, da justiça, da família e do país. Alguns conseguem ser gongóricos e parnasianos. Mas, no que tem de mais básica, a conversa de um e de outros é a mesma. É precária, empobrecedora, emburrecedora e enganosa.

A direita moralista está mais medíocre e talvez por isso mesmo continue avançando. A direita é chata demais.

 

O homem dos sorteios

Em março do ano passado, o Supremo fez sorteio para saber quem seria o relator de um mandado de segurança para que a posse de Lula como ministro de Dilma Rousseff fosse impedida. Gilmar Mendes ganhou o sorteio, concedeu a liminar e impediu a posse de Lula.
Em maio, o Supremo fez outro sorteio para saber quem seria o relator de um processo contra Aécio Neves. Gilmar Mendes ganhou também este sorteio. Aécio é investigado na famosa lista das propinas de Furnas. Quem sabe alguma coisa ou leu algo na imprensa sobre esse processo?
Agora, se o Supremo decidir que a escolha do sucessor de Teori Zavascki como relator da Lava-Jato será entre os atuais ministros, Gilmar Mendes pode ganhar mais um sorteio eletrônico, que o STF realiza num computador.
Uma tragédia fez com que a escolha do substituto de Teori na relatoria da Lava-Jato se transformasse na mega sena acumulada no Supremo. Teremos outro sorteio. E lá vai Gilmar Mendes de novo.

 

O candidato

Já estão jogando ao vento os nomes dos prováveis sucessores de Teori Zavascki, pra ver quem cola.

O primeiro ‘candidato’ da Folha de S. Paulo chega como deboche: o ministro da Justiça do Jaburu, que reprimia estudantes em São Paulo, chegou a antecipar a prisão de Palocci na Lava-Jato e agora não consegue conter as chacinas nas cadeias.

Imaginem a sabatina do ministro do Jaburu (fiel subalterno de um suspeito) por senadores também suspeitos que podem virar réus. O golpe virou um filme do Monty Python.

Por que citar Lula?

O Jornal Nacional insinuou agora, no texto torto de um correspondente em Nova York, que o ministro Teori Zavascki também cuidava do processo de Lula na Lava-Jato.
Lula vem sofrendo o cerco implacável de um juiz de primeira instância. O Supremo trata de quem tem foro privilegiado, de Aécio, de Serra, da turma do homem do Jaburu e outros ainda impunes.
A insinuação, com a citação de Lula, tenta desviar o foco da principal suspeita em torno da tragédia.
É a direita ainda intocada, ameaçada pelas delações devastadoras que estavam por vir, a maior beneficiada pela morte de Teori Zavascki e pelo embaralhamento da Lava-Jato. Mas isso não será noticiado no JN.

O Chumbo Grosso e o Chumbo Fino

Foi demitido da Record o apresentador de TV Marcão Chumbo Grosso, que chamou a cantora Ludmilla de macaca.
Eu sei de apresentador de rádio que foi promovido depois de pedir que bandidos matassem um colega de outra emissora e os seus filhos.
Não é a mesma coisa? Claro que não é. Até porque dizem que o tal Chumbo Grosso depois pediu desculpas à cantora.
E o nosso Chumbo Fino continua serelepe por aí (com o código de ética da firma debaixo do braço), para vergonha dos próprios colegas.