A Folha tenta acertar o prego

Trechos do editorial da Folha sobre a pregação da ‘intervenção militar’ pelo general Antonio Hamilton Mourão. Publico como curiosidade.

Parece texto escrito pelo jaburu-da-mala ou pelo saudoso Rolando Lero, com frases feitas, ditados, todavias, contudos e entretantos. Copiem porque pode cair no Enem.

“Como se diz, para quem só sabe usar um martelo, todos os problemas se parecem com um prego.”

“A democracia brasileira, contudo, ainda engatinha.”

“As instituições, cuja estabilidade não deixa de ser apreciável, amargam todavia desgaste crescente.”

“Executivo, Legislativo e Judiciário afogam-se em escândalos de corrupção e refregas incompatíveis com Poderes de Estado.”

“A polêmica ao menos serviu para mostrar que a sociedade se mantém vigilante.”

Agilidade

A Folha publica hoje um editorial condenando a pregação da ‘intervenção militar’ pelo general Antonio Hamilton Mourão. O título do editorial: desatino militar.
Só que o general fez a pregação em palestra no dia 15. A Folha publicou a notícia no dia 17. E o editorial sai agora, no dia 23, quando o debate está quase esgotado.
Até o seu Mércio já se manifestou contra o discurso do novo golpe. E a Folha demorou seis dias, desde a publicação da reportagem, até se decidir pelo editorial. Seis dias!!! Em seis dias, Deus criou o mundo. A Folha ficou todo esse tempo pensando o que dizer sobre a fala do general.
No golpe de 64 contra Jango e no golpe de agosto do ano passado contra Dilma, a Folha e outros jornais foram mais ágeis…

Pobre Riquinho

Está empobrecendo a imagem reluzente do prefeito Riquinho de São Paulo. A Folha publica há dias uma série de denúncias sobre a confusão que ele faz ao misturar as atividades na prefeitura e seus negócios privados.
Hoje, a reportagem mostra como Riquinho viaja pelo Brasil num avião da empresa de eventos dele (que agora está em nome dos filhos) ou no avião de um advogado que representa empresas com ações contra a própria prefeitura e é associado de Doria na mesma empresa de eventos (e o advogado, em revezamento, dá voltinhas no avião do Riquinho).
Além disso, funcionários da prefeitura recebem diárias nas viagens que o Riquinho faz para promover sua imagem de empresário estadista.
O Riquinho disse em Porto Alegre que é um sujeito muito rico, que não precisa de dinheiro e não precisa roubar e que por isso quer ser presidente.
(Em Porto Alegre, como se sabe, Riquinho focou seu interesse no fantástico sistema de parcelamento de salários da prefeitura de seu colega tucano.)

 

 

E o Serra?

Uma perguntinha antes de dormir. Por que José Serra não aparece como candidato nas pesquisas em que Lula ganha de todos?
Serra poderia ser o candidato vitalício dos tucanos, pelo menos nas simulações. Nas pesquisas, Serra sempre vencia as eleições.
Ele deveria aparecer de novo, porque os tucanos já não vencem mais o Lula nem em pesquisa.

O Brasil é uma porteira aberta

Se pegar a moda lançada pela Valéria Monteiro (quem lembra dela no Fantástico?), muita gente sem partido, sem lenço e sem documento vai aparecer de repente como candidata a presidente ou a alguma outra coisa importante.
Eu mesmo quero ser jogador de alguma seleção. Não de futebol, mas de basquete. Só falta achar o país e a seleção que estejam dispostos a me aceitar. Eu aprendi com o Oscar e sou bom em cesta de três pontos. Vem comigo?

O fantástico mundo das coincidências

1 – Num dia, Gilmar Mendes leva uma goleada de 10 a 1 em votação no Supremo e no outro é sorteado para cuidar do pedido de libertação de Joesley Batista.
O homem tem sorte para o jogo mesmo. Dizem que Gilmar era o terror das quermesses no Mato Grosso. A J&F, controladora do grupo JBS de Joesley, deu R$ 2,1 milhões em patrocínios para o instituto de direito público de Gilmar Mendes.
Mas não há por que achar que o julgamento não será justo e imparcial. Casualidades acontecem.
2 – De repente, num lampejo, o advogado Antonio Claudio Mariz de Oliveira descobriu, não se sabe como (e só agora), que havia sido advogado do doleiro Lúcio Funaro antes de ser advogado do jaburu.
E assim acabou descobrindo que Funaro acusa o jaburu de ser chefe de quadrilha. E assim também, entre o jaburu e Funaro, decidiu não ficar com nenhum dos dois.
Como diria Sergio Chapelin no Globo Repórter, são estranhos e fantásticos os mundos das coincidências de Gilmar Mendes e do jaburu.

O riquinho do PFL

O prefeito riquinho jogou-se nos braços do PFL. Finalmente o partido encontra um candidato à presidência com a sua cara, ou seja, com caras adequadas às circunstâncias.
O riquinho disse hoje à Folha, para se defender da denúncia de que mistura negócios privados com a prefeitura, o que havia dito em Porto Alegre, que é um homem de sucesso. É o seu mantra.
A Folha levantou a suspeita de relações escusas (se fosse do PT, seria roubalheira mesmo) entre o riquinho como prefeito e seus parceiros na empresa de eventos. Mas homem de sucesso não se mete em falcatruas.
O riquinho será um candidato de sucesso no PFL. É uma aposta no mesmo eleitorado que o elegeu em São Paulo e que elegeu o pior prefeito de Porto Alegre de todos os tempos. Os riquinhos estão na moda.