Ninguém segura o Jaburu

Um ministro (Geddel Vieira) defendeu o caixa dois com a maior naturalidade. O outro (Mendonça Filho) anunciou uma reforma da educação que nem ele sabe explicar. E um terceiro (Alexandre de Moraes) antecipou a um grupo de amigos as operações da Polícia Federal na Lava-Jato.
Quem conhece o Jaburu sabe o que está acontecendo. Falta comando em Brasília com o afastamento temporário do super primeiro-ministro Eliseu Padilha, para tratamento de saúde até esta segunda-feira.
Padilha é quem governa, todo mundo sabe, enquanto o chefe do Jaburu compra sapatos chineses e faz discursos brilhantes na ONU.
Essa do ministro da Justiça antecipar uma operação sigilosa, para mostrar a amigos tucanos que é poderoso, derrubaria qualquer um, numa situação de normalidade.
Mas como estamos sob governo que tomou o poder por golpe, tudo pode acontecer.
Que turma. Geddel, Padilha, Serra, Moreira Franco e esse Alexandre de Moraes, que tem todas as condições para se equiparar aos outros.
O Palácio do Jaburu é a escolinha do professor Raimundo de Brasília.

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A direita empoderada

aragao

Marco Weissheimer firma-se no Sul21 como o autor das grandes entrevistas em veículos do Estado.
Esta com o ex-ministro Eugênio Aragão eu gostaria de ter feito. Aragão mostra, com grande poder de síntese, como a direita aparelhou as instituições para produzir o golpe do século 21. É uma entrevista que mostra a face constrangedora do Ministério Público e do Judiciário.

Está aqui:

http://www.sul21.com.br/jornal/mp-e-judiciario-terao-que-ser-passados-a-limpo-nao-podemos-mais-fazer-o-que-a-gente-fez/

 

Faustão, o crítico

Ainda há muita gente impressionada com a repercussão da fala do Faustão, que criticou o governo Temer no domingo.
A interpretação corrente é esta: os Marinho mandaram o apresentador atacar o homem do Jaburu, porque o tempo dele já teria se esgotado.
Faustão falou o que mandaram dizer, é o que se especula, porque não teria condições técnicas de falar de nada mais complexo do que a dança dos famosos. Ele teria sido mandado a dar pau no homem.
Dizem que o chefe do Jaburu é tão medíocre que não vem conseguindo atender nem mesmo as demandas mais urgentes dos parceiros. E, como os parceiros querem mesmo um tucano, ele pode bailar logo adiante.
Agora, vamos combinar: eu me sinto bem ridículo ao participar do esforço para interpretar recados do grande pensador Faustão Silva.

 

Cacalo

Meu dia, até agora, foi de telefonemas que me deixaram 10 anos mais novo, o que nem seria preciso. Luiz Carlos Silveira Martins está bem demais. Conversamos agora sobre a primavera.

Cacalo está fazendo fisioterapia para se recuperar totalmente do AVC que sofreu no dia 22 de julho.

Lembramos do caso do técnico Ricardo Gomes, que teve um acidente bem mais grave e está à beira do campo comandando o São Paulo, o que significa que Cacalo também estará de volta ao Sala de Redação, mas sem pressa.

Ele ainda tem alguma dificuldade de movimentos em uma perna, mas não teve nenhuma sequela na fala. É a melhor notícia.

Não tratamos do assunto, mas Cacalo está tão otimista com a recuperação que me pareceu ser capaz até de torcer para que o Inter não caia para a Segundona.

Viva Luis Fernando

Falei com Luis Fernando Verissimo por telefone agora há pouco. Para mandar um abraço pelos 80 anos.

Luis Fernando é muito mais do que o nosso maior cronista, é a mais frondosa de todas as figuras humanistas que este Estado já teve.

Luis Fernando é a nossa garantia de proteção e lucidez contra todos os desatinos.

E, no fim, eu ganhei um presente dele, o texto de apresentação do meu livro de crônicas Todos Querem ser Mujica, que a Editora Diadorim já mandou para a gráfica e sai em outubro.

É bom demais, nesse mundo dominado pelo pessoal do Jaburu, sentir que o Luis Fernando está por perto.

Viva Luis Fernando Verissimo.

 

As hienas temem Ciro Gomes

É sobre a perseguição que o senador Lindbergh Farias sofreu no sábado à noite, ao sair com a mulher de um restaurante.

Um sujeito cercou o senador, pedindo briga, e logo se formou o grupo de hienas na volta. O homem tira a camisa e parte pra cima de Lindbergh, que recua em direção ao carro.

A Folha fez a manchete baseada em um dos vídeos, que mostra o valentão no chão e Lindbergh dando um chute que parece não acertar o sujeito.

É provável que o chefe da alcateia tenha sido derrubado pelo político. E a Folha, claro, destaca que ele foi chutado pelo senador.

O homem e a mulher cercados por fascistas deveriam oferecer flores aos agressores…

Mas eles estão atacando as pessoas erradas. Devem tentar duelas com Ciro Gomes, que já chamou essas turmas pra briga. Por que as hienas das ruas não atacam Ciro Gomes?

 

 

O passado ameaça Porto Alegre

O candidato da direita dissimulada, que promete distribuir carinho à população de Porto Alegre, é famoso pela postura nada cordial com seu entorno, incluindo assessores e colaboradores.

Quem é do meio político sabe disso. É um temperamento público. É notório. E foi abordado em recentes reportagens a respeito do candidato, quase como uma virtude.

Como então ele vai distribuir carinho, se tem uma relação de hierarquia patronal, monárquica, com quem considera subalterno? Pavio curto é um eufemismo quase carinhoso para sujeitos que se comportam, na atividade pública, em desacordo com a mais elementar noção de participação, interação e democracia.

O candidato que anda sem parar precisa dizer então quem de fato é, principalmente como deputado do partido que participou do golpe e dá suporte às maldades que o Palácio do Jaburu vem tramando contra o trabalhador.

Porto Alegre deve refutar e denunciar a armadilha da oferta de carinho do sujeito que anda sem parar e sem rumo.

A direita sabe ser oportunista em uma campanha eleitoral, mas a cidade não pode ser imbecilizada por esse tipo de apelo.

Porto Alegre também não deve querer ser governada por herdeiros do espólio eleitoral de cúmplices da ditadura, cujos amigos desfrutavam do poder, sem voto, como gestores da capital por indicação dos generais.

O candidato diz estar preocupado com os passados da Capital. Pois este sim foi o pior momento do passado de Porto Alegre, quando a cidade esteve entregue às alegres confrarias dos capachos da ditadura.

Andar pra frente sem parar e sem rumo, como mostra a propaganda do candidato na TV, pode também ser uma tentativa desesperada de fugir do que ele representa politicamente como figura de “renovação” da direita.

É difícil. Talvez seja impossível. 

A vingança de Eike

A tese de que Eike Batista denunciou Mantega apenas para ganhar privilégios da Lava-Jato talvez não diga tudo.
O que importa mesmo é uma pergunta que o bom jornalismo das grandes redações de São Paulo e do Rio tentaria responder até anos atrás: o que Eike pode ter pedido e não levado de Guido Mantega?
A resposta poderia explicar por que Eike ataca Mantega sem piedade. Mas aí é pedir demais de redações atordoadas pelo golpismo.

Cada um com seus bens

 

A tese de que Eike Batista denunciou Mantega apenas para ganhar privilégios da Lava-Jato talvez não diga tudo.
O que importa mesmo é uma pergunta que o bom jornalismo das grandes redações de São Paulo e do Rio tentaria responder até anos atrás: o que Eike pode ter pedido e não levado de Guido Mantega?
A resposta poderia explicar por que Eike ataca Mantega sem piedade. Mas aí é pedir demais de redações atordoadas pelo golpismo.