QUEM SÃO ELES

Fraudadores de vacinas para crianças, falsificadores de azeite de oliva, envenenadores de leite, aplicadores do golpe da passagem aérea e outros pequenos e grandes delinquentes amorais se multiplicam, quase todos soltos.
Se desse para investigar o que esses pilantras privados pensam de questões fundamentais da humanidade, ficaríamos sabendo (apenas para confirmar) seus preconceitos, seus discursos moralistas anti-PT e anti-Lula e em quem votaram e em quem votariam na próxima eleição (se tiver eleição).
A direita tem vocação para o estelionato em massa, para a fraude sem escrúpulos e sem preocupações com o bem-estar e a saúde de ninguém. E tem também vocação para o golpe, qualquer tipo de golpe.
A direita é capaz de ganhar dinheiro com crueldades contra as crianças, como os vampiros dos governos tucanos de São Paulo que roubavam, por superfaturamento, a merenda das crianças.
A direita privada está de tocaia em toda parte, à espera de uma chance de ganhar dinheiro e poder. A direita individualista, egoísta, golpista e fraudadora é repulsiva.

NICO

Nico Noronha foi um grande repórter e um dos jornalistas mais divertidos que conheci. Escrevia com atrevimento e alegria. Fomos colegas na Zero Hora.
Há menos de duas semanas, agora no dia 8, no Bar do Alexandre (conhecido também como Bar do Alemão), no Menino Deus, reencontrei Nico depois de muitos anos, nem sei quantos.
Ele me mandava mensagens com um apelo: vem ao bar que eu faço um churrasco. Eu demorei meses para ir. Nico comprou a carne e fez o churrasco na calçada do Bar do Alexandre.
Estávamos lá eu, o Alexandre Kohls, o Carlos Wagner, o Elton Werb, a mulher do Nico, a Marinês, e outros parceiros do Menino Deus.
Adiei muito esse reencontro e vi Nico naquele dia 8 para o que seria nossa despedida. O que me lembro agora é que ele estava feliz e muito engraçado naquela noite. Quem passava na calçada puxava conversa com Nico.
Nico Noronha morreu hoje à tarde. Agora há pouco falei com o Alexandre e o Wagner e concluímos que ele estava sempre assim, numa boa.
Obrigado pelo churrasco e pela alegria, Nico. Obrigado pelo afeto, pelo reencontro e por ter me chamado para o último abraço.

Exceções e exceções

Seu Mércio entrou apressado hoje à tarde na ferragem da Juca Batista. Pediu dois metros de brita para fazer uma meia sola em buracos de rua aqui na Aberta dos Morros e largou no ar esta pergunta:

– O que falta para que o regime de exceção de hoje seja igual ao da ditadura iniciada em 64.

Eu e mais dois que se encostavam no balcão nos entreolhamos. Seu Mércio simulou uma pausa, fingindo que aguardava as respostas, mas logo se encarregou de esclarecer:

– O que falta é que os civis e os militares sejam mais competentes.

Disse e saiu às gargalhadas, avisando que que sua missão agora é tapar buracos.

Quando montou na bicicleta, emitiu seu último parecer:

– Quem quiser votar este ano, que se contente em votar no clube, no grêmio estudantil, no Rotary, na associação do barro ou na rainha do colégio.

O BOM SENSO DE WILLIAM WAACK

William Waack me deve uma xícara de café, que derramei agora ao ler um comentário dele em debate da Folha sobre manuais de redação e a conduta dos jornalistas. Tive um acesso de riso de três minutos.
Leiam o que ele disse: “Sou libertário. Manuais são bons para quem precisa responder a críticas e servem para apoiar o aparelho de televisão, mas são poucos usados na prática. Eu sou contra regulamentos e a favor de que cada um arque com sua responsabilidade. Sou a favor do bom senso”.
O bom senso de William Waack o levou a fazer um comentário racista na TV e a obrigar a Globo, tão zelosa com seus pupilos de direita, a mandá-lo embora.
(Deve ser interessante um debate em que um sujeito execrado por discriminação racial apresenta-se como conselheiro de bons modos para jornalistas. Pobre jornalismo, pobres libertários.)

Põe quarenta

Puxo converso com quem pode me ajudar a entender o que está acontecendo. Tem um bombeiro de posto de gasolina que me esclarece muitas coisas aqui na Aberta dos Morros.
Abasteci agora há pouco e ele me disse o seguinte: o cliente chega e diz o tradicional “põe quarenta” e vai embora cada vez com menos gasolina no tanque.
E aí então o bombeiro soltou uma frase que eu vi como uma tese, ou uma premonição.
Esse cara que põe sempre o mesmo valor só vai reagir quando descobrir que com R$ 40 ele terá direito a apenas dois ou três litros de gasolina.
Achei interessante e perguntei:
– E qual será a reação dele?
– Ele vai passar a dizer: põe sessenta.

O MANUAL E O BOATO

Esta é uma das recomendações do novo Manual de Redação da Folha de S. Paulo aos seus jornalistas sobre como se comportar nas redes sociais: não compartilhem boatos.
Parece um conselho óbvio. Só que o jornalismo sempre dependeu dos boatos, e o jornalismo brasileiro vive de boatos há muito tempo.
Comentarista de jornal, rádio ou TV, engajado ao golpe, só funciona com boatos das suas fontes ligadas a tucanos e jaburus, no governo, no Congresso, no Judiciário, no Ministério Público.
Desde o começo da Lava-Jato o que o jornalismo faz nem é compartilhar boatos. É produzir boatos. As colunas de fofocas da política existem por causa do boato.
A Lava-Jato sustentou todo o trabalho da imprensa (sem nenhuma reportagem investigativa relevante, uma que fosse) com a alcaguetagem e o boato. Desde que a vítima fosse Lula, Dilma e o PT.
Sem o boato, a Folha de S. Paulo não seria o que é. O boato, sob as mais variadas embalagens, é a matéria-prima e o produto acabado de quem cobre a Lava-Jato.
Mas para a Folha e os grandes jornais, não é boato, é informação privilegiada.

O PRÓXIMO LANCE DO GOLPE

Por que a renúncia de Luciano Huck à candidatura à Presidência mereceu tantas manchetes, mesmo sendo a segunda renúncia dele em menos de três meses?

A repercussão da decisão deu a entender que um grande candidato, com chances de vencer, estava abandonando a disputa. Pode ser? Huck tinha 8% nas pesquisas. Era um pangaré.

É muito pouco para o sujeito que a imprensa tentou apresentar como o novo, no mesmo modelo do Despacito Júnior e do Farinata Júnior.

Huck não era quase nada até agora. Seria daqui a pouco a Marina Silva desta campanha. Levaria tanta pancada que não aguentaria o tranco.

Luciano Huck foi um factoide inventado por Fernando Henrique, pela imprensa e pela direita em geral, que não têm mais em quem se agarrar. Nem a Globo levava Huck a sério.

Com o fim de Huck, eles vão tentar outro nome (Meirelles e Maia têm, cada um, 1% nas pesquisas, e Bolsonaro é o candidato dos patos, mas não do mercado e da Fiesp).

Se não conseguir outro nome, a direita vai tentar melar a eleição. Eles vão inventar algo. Já estão inventando. Uma dessas invenções será até tentar trazer Huck de volta nos braços do mercado financeiro.

 

E OS MILITARES?

Mesmo antes da tal abertura, antes mesmo da anistia de 1979, parte da imprensa produzia reportagens sobre os antagonismos nas Forças Armadas.
A revista Status, uma espécie de Playboy brasileira, muito bem feita, publicava esse tipo de análise, quase como contrabando em meio a mulheres nuas.
Era um embate que na época se resumia aos pró e aos contra a abertura, aos militares da linha-dura em geral e aos da linha-mais- ou-menos-mole, aos nacionalistas e aos abertos ao mercado internacional.
A imprensa deve há muito tempo uma boa análise sobre o que pensam os militares hoje. Se o jornalismo fazia isso em meio à ditadura e sob ameaça, por que não faz nada hoje?
O jornalismo se submeteu mesmo ao golpe, como protagonista, e não consegue produzir mais nada de relevante na política, ou teria a desculpa de que está sob intervenção federal?
Pois eu gostaria de saber quem das Forças Armadas se posicionou contra a intervenção no Rio. Mas aí também não sei se não estou pedindo demais.