A TRAIÇÃO DE REINALDO AZEVEDO

A direita sempre divertiu a esquerda com suas ideias. A direita tinha caras espertos, com um humor de dar inveja à esquerda, um Francis, um Roberto Campos, um José Guilherme Merquior, um gênio como Nelson Rodrigues.
O problema hoje é que não há mais ninguém. O único cara de direita que nos divertia virou de esquerda. Reinaldo Azevedo traiu a confiança da esquerda como inimigo a ser invejado.
Eu ainda li por algum tempo o Percival Puggina, que escreve bem e tem um mau humor divertido. Mas um dia ele defendeu a Damares. E também defendeu o Vélez-Rodriguez. E ainda defendeu o Ernesto Araújo. Achei que fosse gozação, mas não era. Desisti do Puggina.
A direita vive hoje de gente como Augusto Nunes, Merval e Olavo de Carvalho. Mas Augusto Nunes é muito raso, e Olavo de Carvalho e Merval são muito chatos. O Carlucho Bolsonaro é melhor do que eles.
Mas o Carlucho é muito tímido e escreve sempre no máximo duas linhas e só no Twitter. O fôlego da direita bolsonarista é para um parágrafo.
Reinaldo de Azevedo deveria voltar a ser de direita. Não tem graça ler Reinaldo Azevedo para concordar.
Para concordar, eu leio Luis Fernando Verissimo.

Os filhos

Eduardo Bolsonaro fala pelos generais e declara guerra à Venezuela. Carlos Bolsonaro, o Carlucho, ataca Rodrigo Maia, o mais importante aliado do pai no encaminhamento do engodo da reforma da previdência.
E Flávio, o outro filho, o amigo do Queiroz? Flávio está quieto há muito tempo. Flávio sabe que o Ministério Público trabalha com paciência para pegá-lo.
Os filhos de Bolsonaro, principalmente o deputado e o vereador, se lambuzam na soberba dos que não conseguem enxergar as armadilhas do poder.
Os filhos blefam com naturalidade, porque confiam na massa de idiotia que os elegeram e os sustentam como pensadores da extrema direita.
O jaburu fez isso por quase três anos, a seu modo, porque também se considerava blindado. Não há blindagem para sempre. Os Bolsonaros terão a chance de descobrir.

LIMPEZAS

Essa notícia ficou nos cantos dos jornais. Flávio Bolsonaro continua limpando a área. Valdenice de Oliveira Meliga, a Val, ex-assessora do deputado, que que assinava cheques em nome dele e era tesoureira do PSL do Rio, foi dispensada pelo partido no Rio. Flavio é o presidente do partido no Estado.
A moça não cuida mais da tesouraria. Valdenice é irmã dos milicianos gêmeos Alan e Alex Rodrigues de Oliveira, ex-policiais presos em uma investigação que apura uma quadrilha de PMs especializada em extorsões.
São de uma área inovadora da milícia, capazes de transformar R$ 12 em mais de R$ 1 milhão em pouco tempo. Só com extorsão.
Flavio Bolsonaro se protege e vai tirando incômodos que estejam muito por perto. Mas será que Valdenice, que se afasta enquanto o Ministério Público investiga Flavio e Queiroz, foi degolada numa boa?
Veremos mais adiante. Por enquanto, tudo continua sob controle para os amigos milicianos. A preocupação agora é ressuscitar a Lava-Jato.

E quando for a extrema direita?

Está mal, e muito mal, a esquerda que festeja ou considera aceitável a humilhação a que a Polícia Federal submeteu os dois golpistas presos hoje.
Esta é a PF comandada por Sergio Moro, que assim segue suas ordens ou talvez as ignore.
O espetáculo com aqueles homens fortões com armas de guerra e as perseguições de carro estão mais para o gosto e o caráter do bolsonarismo.
Deixem os bolsonaristas justiceiros se divertirem com a encenação contra os idosos da direita, até a hora que chegar a vez da turma deles, da extrema direita, dos amigos do Ronnie Lessa e do Queiroz – ou alguém acredita que eles ficarão impunes?

MORO PRESENTEIA BOLSONARO

O jornal argentino Página 12 diz o que a maioria dos brasileiros está pensando. Que a prisão do jaburu é um presente de aniversário de Sergio Moro para Bolsonaro.
O jornal observa que Bolsonaro e Moro enfrentam momentos difíceis. A prisão desvia a atenção para a Lava-Jato e tenta dar a entender que ninguém escapará.
O Página 12 assegura que, sem a colaboração de Sergio Moro durante a campanha eleitoral, Bolsonaro não teria sido eleito.
A prisão também põe o Supremo contra a parede. Com o STF cada vez mais atritado com o ex-juiz e os procuradores da Lava-Jato, quem terá coragem de autorizar a libertação do jaburu?
O que o jornal não diz é que a prisão terá um alto custo político, com o aumento da desagregação da base parlamentar de apoio ao governo, num momento em que se diz que a reforma da previdência não seria aprovada hoje pelo Congresso.
O jaburu pode, sem querer, puxar Bolsonaro para o penhasco.