A CAÇADA À CRISTINA

O governo Macri cai aos pedaços e destrói a Argentina, enquanto o Judiciário caça Cristina Kirchner.

Cristina enfrenta seis processos. O juiz federal Claudio Bonadio, o Sergio Moro deles, pediu a prisão dela. A ex-presidente é senadora. Só pode ser presa se dois terços do Senado autorizarem.

Tudo é possível. Os argentinos copiaram o modelo brasileiro de perseguição política via Judiciário. Toda a esquerda é perseguida, enquanto a máfia de Macri continua no poder de um país destroçado.

Por que caçar Cristina? Porque ela certamente será eleita na próxima eleição ao governo daqui a um ano.

Macri quebrou o país, aumentou inflação, desemprego e miséria e foi abandonado por seus amigos liberais brasileiros. Mas tem, como a direita brasileira, o suporte do Judiciário.

O maior partido da direita latino-americana hoje é a Justiça. É o poder que arrota latim para perseguir apenas a esquerda. E que de vez em quando pega um direitoso para fazer cena.

A ENTREVISTA

Ainda sobre a entrevista de Fernando Haddad a William Bonner e Renata Vasconcelos no Jornal Nacional. Algumas perguntas:

1. A dupla atacou desde o início apenas para tentar desqualificar Lula, Dilma, o PT e Haddad? Não.

2. Foram agressivos para que ficasse claro que eles têm a razão e que os petistas são todos corruptos, enquanto Alckmin e os tucanos seriam honestos? Não.

3. Interromperam Haddad várias vezes para mostrar que eles são os espertos e têm mais argumentos e sabedoria do que o candidato do PT? Também não.

A desqualificação de Lula, Dilma, do PT e do próprio Haddad (chamado de poste) era o que a Globo esperava de ganho acessório. O grande ganho era outro.

Bonner e Renata não estavam preocupados em desconstituir o PT, porque fazem isso todos dias e não precisavam gastar tempo com ataques que a imprensa de direita repete sem parar em horário nobre da TV e nos jornais.

O que eles tentaram fazer, por orientação do alto comando, foi desestabilizar Haddad. Tudo o que eles buscaram todo o tempo foi isso: com as acusações, queriam forçar Haddad ao erro, ao vacilo e, o que seria pior, ao descontrole.

A entrevista não foi feita para atacar por atacar. Os ataques foram parte do esquema montado para que Haddad tombasse diante deles, ao vivo, em rede nacional, por desinformação, insegurança ou agressividade.

O Jornal Nacional queria que, ao final da entrevista, um Haddad descabelado fosse mostrado ao Brasil como alguém sem condições de governar.

O que se viu foi o contrário. Os dois tombaram diante de um Haddad que, se cometeu algum erro, foi o de excesso de cordialidade com dois agressores que mais uma vez desqualificaram o jornalismo.

Brique

A direita mais emplumada, que se disfarça de outras coisas (diz até que pode ser ‘esquerda’…) até se refestela toda no Brique. Mas o Brique é o espaço histórico de quem pratica e defende a democracia.
O Brique é mais do que o espaço das esquerdas. É o reduto de quem lutou pelo fim da ditadura, que participou das Diretas, que elegeu Olívio, que derrubou Collor e que agora tenta reverter o golpe de agosto de 2016.
O Brique acolhe os que andam pra frente, que avançam, defendem as liberdades e a diversidade e assim afrontam o atraso, e não os que pretendem que essa seja a república do relho.
Hoje à tarde eu circulei pelo Brique e encontrei muitos amigos. O Brique revigora os democratas, enquanto a direita apenas desfila por ali para fazer cena.
O Brique nunca será o espaço de golpistas.

Por quê?

Se 56% dos jovens de até 24 anos rejeitam Bolsonaro (como diz o DataFolha), por que há tantos jovens gritando o nome de Bolsonaro nas ruas?
Ontem à tarde, participei de uma carreata do centro até a zona sul de Porto Alegre. Ouvi muitos jovens (uns cinco pelo menos) gritando o nome de Bolsonaro. Viam a carreata com as bandeiras do PT e gritavam.
Por que eles gritam, se a maioria não quer se identificar com o sujeito que teme as mulheres e rejeita negros e gays? Porque o bolsonarista é gritão.
Ele não acha que o nome de Bolsonaro seja a expressão de um projeto, uma ideia, um sonho. Bolsonaro, na boca de um bolsonarista, seria só uma ameaça.
O cara que vê uma bandeira do PT e grita o nome de Bolsonaro, em tom agressivo, quer apenas ser antiPT e anti-esquerda. Sem Aécio, sem qualquer chance com Alckmin, Meirelles ou Álvaro Dias, sem um candidato confiável, Bolsonaro foi o que sobrou pra ele.
Mas 56% dos jovens não querem nem ouvir falar de Bolsonaro. Porque o jovem pode estar desorientado e desanimado, mas não imbecilizado a ponto de aceitar a pregação de Bolsonaro como orientadora da sua vida.
As pesquisas do DataFolha podem até mostrar que o jovem pende hoje para a direita (uma tendência forte nas cidades do interior). Mas não para a extrema direita dos ogros.
Bolsonaro é o guru dos homens feitos e bem-nascidos, com diploma, bom emprego e boa casa, que odeiam o PT, que se assustaram com a ascensão social e econômica dos pobres e que têm no sujeito a chance de tentar complicar a vitória de Haddad.
Mas os jovens e as mulheres das famílias de muitos bolsonaristas não querem nada com Bolsonaro. O macho bolsonarista é um estranho dentro da própria casa.

Ijuí

Fiquei uma hora ontem na Praça da República, no centro de Ijuí, e pensei assim: será que ficando aqui, distribuindo meu material como candidato a deputado estadual, irei encontrar conhecidos?
E eles foram surgindo nas esquinas ou eu fui ao encontro deles. Muitos estão aí nessas fotos. Seu Décio, Milton Silva, o Auri, o Osmar, o seu Krieger, o Solano, a Beatriz, o Mogens…
Fiquei impressionado com o crescimento de Ijuí, principalmente para os lados da universidade. Saí dali em 1986. Voltei algumas vezes, mas não visitava a cidade havia muito tempo.
Gosto do respeito de Ijuí pelo pedestre, da sensação de que qualquer conversa vira um debate bom e de que há respeito pela memória da cidade. Muito do que sou eu devo a Ijuí.
Agradeço ao professor Alceu Van der Sand por ter organizado uma roda de conversa na noite anterior e por ter me acompanhado na caminhada.
Estive esta semana em São Luiz Gonzaga e Ijuí com meus companheiros de campanha Jorge Correa e Emílio Pedroso. Gracias pela parceria nessa empreitada que nos ensina a lutar ainda mais pela democracia e pela eleição de Haddad e Rossetto.