A mula

Essa história da mula do PMDB reafirma o caráter da direita. José Yunes, o amigo do homem do Jaburu, que diz ter sido usado como mula por Eliseu Padilha, está atirando em velhos parceiros. É o que eles fazem na hora do desespero.

Yunes é um dos melhores amigos do homem do Jaburu. Mas não poupa o amigo para atirar em Padilha.

Eles se deduram com facilidade. Agora, tem outro amigo do doleiro Lucio Funaro (o empresário Alexandre Nargotto) delatando o ex-parceiro.

Funaro é apontado pela mula Yunes como o sujeito que leva o envelope com dinheiro ao seu escritório, a pedido de Padilha.
O mafioso de direita entrega na boa. E a deduragem é causada, se sabe, por traições.

O que surpreende no caso do pacote do Padilha é a pressa da imprensa amiga em detonar o ministro. O que uma certa imprensa pediu e não levou do Jaburu?

Confusos

Li quatro jornalistas amigos da turma do Jaburu agora de manhã. Dois estão confusos, um mantém a fidelidade ao golpe e o outro desistiu. Um deles está falando hoje, acredite, de um personagem do Banco Central russo na Revolução de 17.

Dos jornalistas golpistas, eu prefiro os fofos. Os fofos exaltam as mulheres do século 20, são líricos, poéticos, citam Alexandre, o Grande, adoram Gandhi, escrevem sobre as criancinhas do Brasil e depois atiçam as hienas da direita contra quem estiver por perto.

E mais adiante, porque são cínicos juramentados, os fofos escrevem contra as hienas que eles atiçaram contra os que combatem o golpe.

Mas o certo é que os jornalistas da direita estão bem atrapalhados. No meio da confusão com o pacote de dinheiro do Yunes e do Padilha, não é hora de despistar e escrever sobre a sobre a Revolução Russa. Ou talvez seja.

Traições no Jaburu

Por que José Yunes, grande amigo do homem do Jaburu, decidiu abrir a boca e se queixar de que foi usado como mula por Eliseu Padilha? Porque, me disse um entendido em finanças partidárias, alguém ou alguns podem ter sido logrados nessa história.

Yunes disse ao Ministério Público que em 2014 recebeu um pacote, onde estaria o dinheiro destinado pela Odebrecht a Padilha.

O próprio Padilha teria pedido que Yunes recebesse a encomenda (R$ 1 milhão de um total de R$ 4 milhões que a empreiteira destinaria diretamente a Padilha, conforme fora acertado num jantar de Marcelo Odebrecht com o homem do Jaburu e Padilha, no Palácio do Jaburu, em maio daquele ano).

Yunes conta que não abriu o pacote destinado a Padilha, mas acha que ali estava o dinheiro. Isso ele disse ao Ministério Público. Ao Jornal Nacional, ontem, ele reduziu o pacote para envelope. E disse que não teria como alguém colocar R$ 1 milhão no envelope.

O que pode ter acontecido? Yunes pode ter enviado a Padilha apenas uma parte do que recebeu. E disse que aquela era a grana e pronto. Esse meu informante acha que Yunes logrou Padilha. Como Padilha deve ter reclamado muito, Yunes abriu a boca e o delatou.

Tem mais. O delator Cláudio Melo Filho, executivo da Odebrecht, participante do jantar no Jaburu em maio de 2014, diz que Padilha deveria destinar R$ 1 milhão (dos R$ 4 milhões) a Eduardo Cunha. Mas Cunha reclamou aos berros à Odebrecht que nunca viu o dinheiro. Esta informação consta da delação de Melo.

Meu informante interroga-se sobre um dos mistérios: o pacote (ou envelope) seria para Eduardo Cunha? Mas por que o emissário, que leva a encomenda a Yunes, a pedido de Padilha, é Lúcio Funaro, homem de confiança de Cunha?

E por que o pacote teve de chegar antes a Yunes para depois chegar a Padilha? Por que Padilha não queria deixar rastros como recebedor da encomenda?

O que se sabe ao certo é que o homem do Jaburu, como vice-presidente da República, mordeu Marcelo Odebrecht em R$ 10 milhões para o PMDB, naquele jantar, e orientou que Padilha recebesse diretamente R$ 4 milhões.

Mas, mesmo que o envelope de Yunes tivesse R$ 1 milhão, ainda faltam R$ 3 milhões.

A minha fonte entendida em finanças de partidos me assegura: Yunes abriu a boca, correndo o risco de envolver o grande amigo do Jaburu nesta suruba, porque o rolo havia se tornado insuportável. A história do pacote e da mula é, com certeza, uma história de traições.

Bruno e Zé Dirceu

Soltaram até o goleiro Bruno e podem soltar Eduardo Cunha a qualquer momento, e o Zé Dirceu continua preso.
Zé Dirceu é o único caso no mundo em que um juiz expede um mandado de prisão contra alguém que já está na cadeia.
Desde o mensalão, Zé Dirceu foi preso uma dúzia de vezes. Prendem Zé Dirceu de novo, sem que tenha sido libertado. Está mal de advogado o Zé Dirceu.

As hienas que atacam adolescentes

A deputada Maria do Rosário e o professor Eliezer Pacheco terão trabalho na luta para identificar e processar os responsáveis pelas agressões à filha deles na internet. Preparem-se para os argumentos ‘legais’ a favor dos covardes.

Vão dizer que as leis não são claras a respeito de crueldades nas redes sociais, que é difícil penalizar alguém por excessos cometidos em nome da liberdade de expressão, que a Polícia Federal não consegue esclarecer quem são os autores das violências, que isso e aquilo.

Não se surpreendam se não der em nada, como não dá em nada quase tudo que tenta enquadrar a direita na Justiça brasileira. Os fascistas se refestelam até quando se submetem a um Judiciário tão rigoroso com as esquerdas.

E os corruptos tucanos, a turma do Jaburu, os sonegadores do pato da Fiesp, todos sabem que têm grandes chances de continuar escapando. Que talvez peguem um ou outro, pra dizer que pegaram um bagre, mas a maioria ficará impune. É ingrata a luta contra a direita.

A Justiça que será acionada por Maria do Rosário (dependendo do êxito das investigações da Polícia Federal) talvez frustre os que esperam punição severa aos que exploraram politicamente a imagem de uma adolescente só para atingir sua mãe. Estou entre os pessimistas.

Mas podemos nos preparar para o inverso. Anuncia-se que a próxima etapa do golpe será a disseminação de ações contra artistas, intelectuais, professores, estudantes que se manifestarem contra os organizadores e os patrocinadores da farsa que derrubou Dilma.

O Judiciário será convocado a prestar serviços aos que se ofendem com as críticas ao governo, numa tarefa miúda que irá muito além de Lula, de Marisa Letícia (até hoje processada), de Dilma e de todos os que um dia se aproximaram do PT. As ações seletivas podem chegar à base da pirâmide dos que refutam o golpe, sendo ou não de esquerda. É a hora de propagar o medo.

O diretor de cinema Kleber Mendonça Filho, de Aquarius, está sendo investigado pelo Ministério Público Federal por ter captado recursos da Lei Rouanet enquanto era, ao mesmo tempo, diretor de uma entidade que teria ligação com o governo federal, a Fundação Joaquim Nabuco. Não pode, diz o MP. Ninguém conhece ninguém da direita sofrendo esse tipo de processo.

Mendonça Filho é um dos artistas mais incisivos contra o golpe e liderou os protestos contra o Jaburu em Cannes. Vão apertar o cineasta.

Mas não espere que apertem muito os que participam do cerco das hienas à filha de Maria do Rosário na internet. Não espere desfechos edificantes do processo que corre no Supremo contra Bolsonaro, por ter ofendido a mesma Maria do Rosário. Não espere nada de muito consequente das instituições do Brasil pós-golpe.

A desolação é um direito dos massacrados e ofendidos desde o grande show de agosto no Senado e seus desdobramentos.

Um dia, quando voltar ao poder (e espera-se que volte), a esquerda brasileira disforme e dispersa terá de ser menos ingênua e condescendente com os reacionários. Incluindo os criminosos, os torturadores protegidos pela anistia de 1979, com a anuência não só da política, mas também do Supremo – e sob o silêncio da universidade.

As hienas que atacam adolescentes prosperaram no Brasil à sombra das cordialidades da esquerda.

 

Lá e cá

Jornalistas da grande imprensa americana estão sendo barrados pela Casa Branca. Os considerados inimigos não podem participar de entrevistas coletivas. Trump odeia a grande imprensa.

Aqui, a grande imprensa é a primeira a ser chamada pelo Jaburu. O Jaburu ama a grande imprensa. E a grande imprensa adora o Jaburu.

 

O pacote do Padilha

Uma das histórias mais fantásticas da Lava-Jato é a de José Yunes, grande amigo do homem do Jaburu. Em 2014, ele participa de uma reunião no palácio, com o então vice-presidente da República, mais Eliseu Padilha e Marcelo Odebrecht.

É quando, segundo delação de um executivo da empreiteira, o homem do Jaburu morde Marcelo. O empreiteiro promete dar R$ 10 milhões para a campanha do PMDB, e fica acertado ali que R$ 4 milhões irão direto para Padilha.

Yunes contou agora ao Ministério Público, com ar sério, que dias depois ouviu por telefone um pedido de Padilha para que recebesse um pacote. Ele recebeu a encomenda em seu escritório, levada por uma mula, e depois passou o pacote adiante para Padilha.

Yunes, que estava na reunião com Marcelo e ouviu a conversa e a mordida do homem do Jaburu, diz até hoje que nunca desconfiou do que havia no pacote.

O pacote era para Padilha, para quem Marcelo prometera R$ 4 milhões. E Yunes, que assistiu toda conversa, acha que o pacote poderia ter cartões de visita (para mil reencarnações de Padilha).

E ninguém sabe por que R$ 6 milhões foram direto para o PMDB e R$ 4 milhões para Padilha. E onde foi parar o pacote?

Cada um com seu conto do pacote…