Ainda o silêncio

Qual é o jornalista fofo que vai se encarregar de esclarecer o que se passava com os gestores dos fundos do Cais Mauá? Ainda aguardo manifestação dos apoiadores incondicionais do projeto, que abriram mão de pelo menos ouvir os discordantes e se engajaram à ideia da ‘revitalização’ como se fossem parte do marketing do empreendimento.
Jornalistas ditos imparciais, que sempre defendem posições críticas (desde que sejam contra ideais da esquerda) embarcaram no projeto original com sumária euforia. Ficaram ao lado de farsantes, segundo a Polícia Federal. Erraram e terão de admitir.
(Já sei o que alguns vão dizer. Que o projeto é bom e que as fraudes e a lavagem de dinheiro não podem comprometer uma boa ideia. O circo não pode parar.)

BARBOSA

Adiós, Bolsonaro. Adiós, Marina. O candidato da vez agora é Joaquim Barbosa. Pelo menos até a semana que vem.
Se Barbosa deslanchar, será a vez de desconstruir Alckmin, para que ele não atrapalhe, na mesma faixa, a corrida do juiz do mensalão.
Depois de Aécio, Alckmin poderá ser comido pela Globo e pela direita. É só acionar o Ministério Público e o Judiciário.
(Agora, imaginem Barbosa, com aquela empáfia e aquele tom de quem recita Castro Alves, participando de um debate.)

Efeitos do golpe

É denunciador do atual estado de exceção esse depoimento que o advogado Marco Túlio de Rose publicou no Facebook. Na ditadura, os militares permitiam o que a Justiça não permite hoje (e que ninguém ache, claro, que os militares eram bonzinhos, não é esse o caso).
Percebam na foto foto de Andrade Simões que Rafael Guimaraens (à esquerda) já olhava, em 1981, o celular que imaginava ter.
Eis o depoimento:
“Estávamos na Ditadura do General Figueiredo. Quatro jornalistas do jornal COOJORNAL foram acusados e condenados por divulgar documentos sigilosos do Exército. Fui seu advogado. Condenados pela Auditoria Militar foram presos enquanto aguardavam julgamento de habeas interposto por mim e Sepúlveda Pertence no Superior Tribunal Militar. Nesse período receberam visitas de autoridades civis, políticas e religiosas de todo o País, sem qualquer oposição do Juiz Militar.
Leio agora que ficaram proibidas visitas ao ex-presidente Lula de Adolfo Esquivel e Leonardo Boff, por um juiz federal. Um juiz civil. Não estamos voltando aos tempos da Ditadura. Estamos regredindo dela…”

#LulaLivre

Por causa da chuva, ficou para outro dia o encontro de hoje à tarde na Redenção.
A deputada Maria do Rosário, o Werner Becker, a Reginete Bispo e eu iríamos falar de democracia e resistência. Aviso quando tiver a nova data.
Com Lula até o fim.

Parente

Tomei uma dúzia de mates com carqueja e me encorajei a dar uma ideia para a direita. Pedro Parente é o cara mais poderoso da área econômica do governo comandado pelo jaburu-tiradentes. Então, por que eles não lançam Pedro Parente para presidente?
Parente poderia assumir como principal e único programa de governo o que vem fazendo como presidente da Petrobras. Anunciaria sem volteios e sem frescuras que o projeto do golpe é mesmo entregar a Petrobras e o pré-sal aos gringos.
Parente, cada vez mais poderoso, seria o golpe sem disfarces. Ao contrário de um Joaquim Barbosa que, como disse André Singer, não precisa de um programa de governo. Barbosa só precisa ficar bem com o mercado financeiro e dizer que é do Partido do Judiciário.

Silêncios

Quem vai contar em detalhes como se criaram as falcatruas do grupo que geria os fundos envolvidos no projeto de ‘revitalização’ do Cais Mauá? Quem vai dizer qual era a relação da antiga administração do consórcio com a atual e porque uma passou o bastão para a outra? Passou mesmo?
Como ninguém desconfiava dos rolos, se havia até mesmo ostentação dos envolvidos com carros de luxo, festas e outros exibicionismos?
Onde estava o jornalismo da chamada grande imprensa enquanto o projeto era levado adiante, quando se sabe agora que eram fortes os indícios de fraude e lavagem de dinheiro?
Pela investigação da Polícia Federal, um esquema mafioso, com operações também fora do Estado, estava se adonando de uma área pública nobre (e histórica) de Porto Alegre, com fortes aliados, sem que os controles apontassem o que só agora se revela.
Silêncios, silêncios…
(Sempre lembrando que o Jornal Já e o site Sul21 sempre acompanharam de perto as controvérsias.)