O golpe nunca mais será o mesmo

Os golpistas e seus cúmplices acharam que Dilma não iria ao Senado. Ninguém, muito menos Dilma, perderia uma chance deste tamanho.

Mas, mesmo assim, os simplificadores das coisas da política acham que Dilma vai falar hoje para os senadores. Até as emas de Brasília sabem que Dilma vai falar para o auditório mundial.

Os mesmos analistas engajados ao golpe argumentam ainda que um discurso de Dilma não muda mais nada. É a torcida deles.

Pode não mudar, pode deixar tudo como está, como pode até, quem sabe, piorar para o lado de Dilma.

Mas pode também, o que é mais provável, expor o golpismo de uma forma devastadora para o mundo todo.

Por isso, esqueçam que Dilma falará para os senadores. Os senadores gostam de ouvir suas próprias vozes de coronéis.

Dilma talvez não consiga interromper a marcha do golpe. Mas irá esculhambar com boa parte do esquema armado.

O golpe não será mais o mesmo depois da fala de Dilma hoje pela manhã no Senado. Hoje, o golpe pode até sobreviver, mas é quase certo que ficará todo lanhado.   

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Pilantra

Ouvi o áudio do “editorial” que um sujeito leu numa rádio de Porto Alegre sobre a violência e os assassinatos na cidade.
Medalha de ouro de idiotia para o homem cujo cacoete é falar como se fosse uma mistura de adolescente com malandro. O tal radialista deseja o massacre de colegas de profissão e seus familiares.
É a gritaria de sempre de que a criminalidade se multiplica também porque há defensores de bandidos. Estes ‘defensores’, diz o editorial, devem ser os próximos escolhidos pela bandidagem.
E os ignorantes, segundo ele, são os outros.
Trata-se de um grande oportunista de dramas pessoais e do trauma coletivo com a insegurança de toda a cidade.
O sujeito do tudo-pela-audiência ainda simulou, à la Janaína Paschoal, no seu estúdio mundo cão, que iria ter um troço no ar.
Pilantra. Vou repetir: pilantra.

Meu único ídolo

alcindoEm janeiro de 2014, eu, o Luís Henrique Benfica e o Félix Zucco levamos Alcindo Martha de Freitas para que se despedisse do Olímpico. Diziam que iriam demolir o estádio alguns meses depois.
O Olímpico continua de pé, mas é torturado todos os dias pelos que lhe arrancam pedaços.
E Alcindo morreu hoje, aos 71 anos. O Bugre Xucro foi o maior goleador do Olímpico. Fez 129 gols em 186 jogos. No total, ali e em outros campos, em 11 anos de Grêmio, fez 231 gols em 377 partidas.
O Olímpico foi o templo do centroavante Alcindo. No dia em que o encontrei, naquele janeiro de 2014, para a primeira entrevista na casa do Campo Novo, eu disse: tu foste o único ídolo do futebol que eu tive.
Com 11 anos, eu passei a gostar de futebol e do Grêmio, a paixão da minha vizinha tricolor dona Senhorinha. Dona Senhorinha, eu contei a ele, me ensinou a ser gremista só por causa do Bugre. Ela gostava mais de Alcindo do que do Grêmio.
Educado, com sua voz baixa, ele me disse: obrigado.
Como se fosse preciso agradecer. E me contou que entendia o fim do Olímpico, com a construção da Arena, mas que não iria ver, nem pela TV, sua demolição. E, falando da saúde precária, como diabético, com meio rim, me assegurou que não temia morrer.
Foi-se meu único ídolo.

Este é o link da reportagem que fizemos em 2014.

http://zh.clicrbs.com.br/rs/esportes/gremio/noticia/2014/01/o-olimpico-e-seu-maior-goleador-a-ultima-visita-de-alcindo-ao-monumental-4399940.html

 

Corruptos caçadores de Fiat Elba

Em algum momento, encontraremos a Fiat Elba de Dilma. Era o que assegurava um deputado gaúcho do PFL, em uma entrevista de rádio meses atrás.

Eu ouvi a entrevista no carro. Lembro bem do homem berrando que a Fiat Elba de Dilma iria aparecer. Se haviam encontrado a camioneta do Collor, lá em 1992, como prova da corrupção, até a bicicleta de Dilma poderia ser a sua Fiat Elba. Era questão de tempo.

Procuraram em toda parte e não acharam a Fiat Elba de Dilma, nem o Chevette, nada, enquanto corruptos do PFL eram investigados ou indiciados, em toda parte, por roubos diversos.

Então, tucanos, pefelistas e a direita em geral e seus corruptos agarraram-se às pedaladas. É por isso que Dilma está sendo julgada. Não acharam a Fiat Elba.

Dos 81 senadores que estão julgando Dilma, 45 têm casos na Justiça ou em Tribunais de Contas por improbidade administrativa (um nome bonito que pode envolver corrupção dita leve), corrupção ativa, corrupção passiva, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro.

Isso quer dizer que 56% deles têm contas a prestar com a Justiça, segundo levantamento do projeto Excelências, da ONG Transparência Brasil.

Vejam quais são os partidos com o maior número de senadores envolvidos em rolos: PMDB (12), PSDB (7), PT (5), PR (4) e PP (4).

De 13 parlamentares em posição de liderança no Senado, nove têm ocorrências na Justiça.

É uma catrefa com coisa bem mais valiosa do que uma Fiat Elba. São estes os que pretendem cassar Dilma na sessão sob o comando do presidente do Supremo.

Um dia saberemos todas as verdades ainda encobertas neste agosto que desmoraliza o inverno e a democracia brasileira.

Didática

Imagine, daqui a alguns anos, alguém tentando explicar para um adolescente o que aconteceu em agosto de 2016 para que Dilma Rousseff fosse golpeada.
Se nem o tal procurador-militante pelo golpe Julio Marcelo de Oliveira, do TCU, conseguiu explicar as pedaladas para os senadores, quem terá capacidade para tanto daqui a alguns anos?
Os golpistas são muito atrapalhados. Com exceção da Janaína Paschoal, que diz tudo com clareza quando entra em transe democrático.

 

Lobista

Essa do Lewandowski fazer lobby com os senadores, pelo aumento para os ministros do Supremo, enquanto comanda a sessão golpista, é assustadora. Assim evolui o golpe. É só o começo. 
E ainda tem o cínico aquele que repete aí ao seu lado: mas as instituições estão funcionando…

Golpe proibido

Um juiz eleitoral de Salvador determinou que seja retirada do Facebook uma postagem em que o nome do prefeito ACM Neto, do PFL, é associado ao golpe.

A postagem tem uma foto de ACM ao lado do interino e a seguinte legenda: “Se você não vota em quem apoia o golpe, compartilhe”.

Eu e a torcida do Flamengo escrevemos a palavra golpe a todo momento, associando a definição a alguém que apoia o golpe, mesmo que esse alguém prefira dizer que não há golpe.

Agora imagine se esse juiz for mandar tirar todos as postagens que falam de alguém que está apoiando o golpe? O juiz vai travar o Facebook.